Eddy Merckx hospitalizado pela sexta vez: o que fazer quando a recuperação da anca não evolui?

Idoso em cama hospitalar com ortopedista a verificar ficha clínica em Portugal
4 min de leitura 9 de abril de 2026

Eddy Merckx, 80 anos, a lenda do ciclismo belga considerada a maior de todos os tempos, foi hospitalizado em abril de 2026 para uma nova intervenção cirúrgica após uma infeção persistente na anca. Trata-se da sua sexta operação desde que sofreu uma queda de bicicleta em dezembro de 2024. Os médicos não conseguem identificar a origem da infeção, e os antibióticos estão a revelar-se ineficazes. "Chega de disparates, estou farto!", declarou Merckx ao canal desportivo belga Sporza. A situação do homem com 525 vitórias ao longo de uma carreira de 12 anos levanta uma questão que afeta milhares de idosos em Portugal: o que fazer quando uma fratura na anca se torna um pesadelo médico?

Seis cirurgias e uma infeção que não cede

A queda de Merckx em dezembro de 2024 resultou numa fratura da anca — uma das lesões mais temidas em pessoas com mais de 70 anos. A recuperação inicial pareceu correr bem, mas uma infeção instalou-se no local da intervenção e não respondeu aos tratamentos habituais.

Este cenário — fratura da anca seguida de complicações infeciosas — não é raro. Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), em Portugal são realizadas anualmente mais de 10.000 cirurgias por fratura da anca em idosos. Destas, entre 5% e 10% sofrem complicações pós-operatórias, incluindo infeções, que podem prolongar o internamento e exigir reintervenções.

A janela de tempo entre a fratura e a cirurgia é crítica: cada hora de atraso aumenta significativamente o risco de complicações. Mas também a qualidade do acompanhamento pós-operatório é determinante — e é aqui que uma equipa médica especializada faz a diferença.

Fratura da anca nos idosos: riscos e o caminho para a recuperação

Para perceber o caso de Merckx, é útil conhecer a anatomia do problema. A fratura da anca — tecnicamente, fratura do colo do fémur ou da região pertrocantérica — é muitas vezes causada por quedas aparentemente banais. Com a progressão da osteoporose, os ossos tornam-se mais frágeis, e um tropeção pode ter consequências devastadoras.

O tratamento cirúrgico padrão pode envolver a fixação dos fragmentos ósseos com parafusos ou placas, ou a substituição parcial ou total da articulação por uma prótese (artroplastia). A escolha depende do tipo e localização da fratura, da idade do paciente e do seu estado geral de saúde.

O risco de infeção pós-cirúrgica é o principal inimigo da recuperação. Numa prótese, a infeção pode obrigar à remoção do implante, seguida de um período prolongado com antibióticos endovenosos, antes de uma nova cirurgia de reimplantação — o que explica o percurso de Merckx.

Quando a recuperação não corre como esperado: que especialistas procurar?

Em Portugal, o acesso a ortopedia especializada em cirurgia da anca existe tanto no SNS como no setor privado. Mas nem todos os cirurgiões têm a mesma experiência com complicações infeciosas após artroplastia — uma área que exige colaboração entre ortopedia e doenças infeciosas.

Se você ou um familiar estão a viver uma situação semelhante — recuperação difícil após cirurgia da anca, infeção persistente, ou segunda opinião necessária — os passos práticos incluem:

  • Pedir uma segunda opinião a um cirurgião ortopédico especializado em revisão de próteses, preferencialmente com experiência em infeções periprotésicas
  • Consultar um especialista em doenças infeciosas, que poderá propor protocolos de antibioterapia mais agressivos ou adaptar o tratamento ao perfil bacteriológico específico
  • Ponderar centros de referência: alguns hospitais portugueses têm unidades dedicadas à revisão de artroplastias e à gestão de infeções associadas a implantes

A Volta à Flandres 2026 mostrou os riscos do ciclismo competitivo — mas as quedas domésticas em idosos são staticamente muito mais frequentes e igualmente graves. Ao contrário dos atletas profissionais, os idosos raramente têm acesso imediato a equipas médicas experientes.

Prevenção: como reduzir o risco de queda e fratura

O caso de Merckx — ainda a andar de bicicleta aos 80 anos — é também uma mensagem de esperança: a atividade física regular na terceira idade é altamente protetora. Mas exige adaptações.

Medidas comprovadas para reduzir o risco de queda e fratura em idosos:

  • Avaliação da densidade óssea (densitometria): indicada para mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70, ou mais cedo em presença de fatores de risco
  • Tratamento da osteoporose: quando diagnosticada, existem medicamentos eficazes que reduzem o risco de fratura até 50%
  • Exercício físico adequado: programas de equilíbrio e força muscular (como tai chi ou fisioterapia) diminuem a incidência de quedas
  • Avaliação do ambiente doméstico: tapetes soltos, má iluminação e falta de barras de apoio na casa de banho são causas comuns de quedas em idosos

Um médico de saúde sénior ou um geriatra pode coordenar estas avaliações e definir um plano preventivo personalizado. No Expert Zoom, pode encontrar especialistas em Portugal disponíveis para consulta online — uma primeira análise que pode prevenir semanas de internamento hospitalar.

Eddy Merckx vai lutar pela sua recuperação como sempre lutou em cada montanha do Tour. Para os cidadãos comuns, a luta começa com o acesso ao especialista certo.

Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para avaliação do seu caso específico.

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