Portugal celebra hoje, 1 de junho de 2026, o Dia da Criança. Uma data que convida as famílias a refletir não apenas sobre os direitos das crianças, mas também sobre o seu desenvolvimento cognitivo, emocional e educativo. Se as consultas pediátricas regulares monitorizaram a saúde física, o acompanhamento do percurso de aprendizagem é muitas vezes negligenciado — até que as dificuldades se tornem impossíveis de ignorar.
Segundo a Direção-Geral da Educação, a intervenção precoce nas dificuldades de aprendizagem é um dos pilares da política educativa portuguesa. Os primeiros seis anos de vida são determinantes para a construção das bases que sustentarão toda a escolaridade futura. Este Dia da Criança é, por isso, um momento oportuno para os pais identificarem se o seu filho está a acompanhar o ritmo esperado — e o que fazer quando não está.
Marco 1: Linguagem e comunicação (18 meses a 3 anos)
Entre os 18 meses e os 3 anos, a criança deve conseguir compreender frases simples, apontar para imagens familiares e começar a construir frases com duas ou três palavras. Uma criança de 2 anos que ainda não usa palavras isoladas de forma regular pode beneficiar de uma avaliação por um terapeuta da fala.
O impacto da pandemia de COVID-19 ainda é sentido hoje: o isolamento, o excesso de ecrã e a redução das interações sociais afetaram o desenvolvimento linguístico de muitas crianças nascidas entre 2020 e 2022. Embora a maior parte dos casos se normalize com estimulação adequada, a intervenção precoce — antes dos 3 anos — é incomparavelmente mais eficaz do que qualquer correção posterior.
Se o seu filho tem 2 anos e ainda comunica essencialmente por gestos e sons não verbais, não espere mais de um ou dois meses antes de procurar uma avaliação especializada.
Marco 2: Atenção e concentração (4 a 6 anos)
Antes da entrada no primeiro ciclo — habitualmente aos 6 anos em Portugal —, a criança deve ser capaz de manter-se concentrada numa tarefa estruturada durante pelo menos dez minutos. Dificuldades persistentes nesta área podem ser um sinal precoce de PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção), condição que afeta cerca de 5% das crianças em idade escolar em Portugal, de acordo com dados da Sociedade Portuguesa de Pediatria.
Um explicitador ou psicopedagogo não substitui a avaliação clínica. No entanto, pode identificar padrões de comportamento que passam despercebidos em casa — e orientar os pais para os profissionais de saúde mais adequados. A escola é frequentemente o primeiro espaço onde as dificuldades de atenção se tornam visíveis, mas a intervenção deve acontecer antes do primeiro ano de escolaridade, e não depois.
Marco 3: Leitura e escrita (6 a 8 anos)
Aos 7 anos, a grande maioria das crianças já deve conseguir ler palavras simples e escrever frases básicas. Quando isso não acontece — ou acontece com muito esforço e muitos erros —, pode estar em causa uma dislexia, disgráfia ou outra perturbação específica da aprendizagem da leitura.
Em Portugal, muitas famílias só detetam estas dificuldades no segundo ou terceiro ano de escolaridade, quando as lacunas se tornaram demasiado evidentes para ignorar. Nessa altura, a recuperação exige um esforço muito maior — e pode ter um impacto duradouro na autoestima e na motivação escolar da criança. O reforço precoce com um explicador especializado ou psicopedagogo, antes dos 7 anos, pode fazer toda a diferença.
O impacto do acompanhamento pedagógico precoce vê-se nos resultados: muitos jovens que hoje se destacam em competições de talento como o Got Talent Portugal 2026 tiveram, na infância, acompanhamento especializado que os ajudou a descobrir e desenvolver as suas capacidades cognitivas e criativas.
Marco 4: Raciocínio matemático (8 a 10 anos)
Aos 9 e 10 anos, as crianças devem dominar as quatro operações básicas e começar a resolver problemas matemáticos simples com enunciado escrito. Dificuldades persistentes nesta fase revelam, com frequência, lacunas nos marcos anteriores que nunca foram corrigidas.
A matemática é a área curricular em que as dificuldades tardias têm maior impacto cumulativo: afetam o desempenho em ciências, física, química e até economia ao longo de toda a escolaridade. Um reforço dirigido aos 9 anos é muito mais eficaz — e menos dispendioso em tempo e esforço — do que a recuperação que se torna necessária aos 14 ou 15 anos.
O que pode fazer agora — no Dia da Criança
O Dia da Criança não tem de ser apenas uma celebração. Pode ser o momento em que os pais pausam e se perguntam: "O meu filho está a desenvolver-se ao ritmo adequado para a sua idade?"
A resposta não exige exames ou avaliações formais de imediato. Muitas vezes, basta uma conversa honesta com o educador de infância ou professor do primeiro ciclo, que conhece a criança no contexto escolar e pode sinalizar dificuldades que em casa passam despercebidas.
Se a resposta for negativa — se houver dificuldades persistentes na linguagem, na atenção, na leitura ou no raciocínio —, consultar um explicador, psicopedagogo ou terapeuta da fala é o passo seguinte. A Direção-Geral da Educação disponibiliza orientações e recursos sobre desenvolvimento infantil e apoio especializado para famílias e profissionais em Portugal.
Na plataforma ExpertZoom, pode encontrar especialistas em apoio escolar disponíveis para consulta online — prontos para orientar pais e crianças, onde quer que estejam.

Miguel Gomes