A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou, a 27 de maio de 2026, que a sua proposta de Conta de Poupança e Investimento individual está "em fase muito adiantada de elaboração" e será submetida ao Ministério das Finanças em breve. A notícia surge numa altura em que os portugueses procuram alternativas mais rentáveis aos tradicionais depósitos a prazo, que oferecem rendimentos historicamente baixos.
O que é a Conta de Poupança e Investimento proposta pela CMVM
A proposta da CMVM visa criar um produto financeiro individual que permita aos investidores particulares aceder a ações, obrigações e fundos de investimento com vantagens fiscais simplificadas e custos de entrada reduzidos. O objetivo é democratizar o acesso ao mercado de capitais para os poupadores portugueses comuns.
Luís Laginha, presidente da CMVM, foi claro sobre a urgência da iniciativa: não avançar com a proposta em 2026 "seria muito mau" para o ecossistema financeiro nacional. O regulador identificou três problemas estruturais que esta conta pretende resolver: a escassez crónica de capital disponível para investimento produtivo, a excessiva concentração das poupanças em instrumentos de rendimento baixo ou nulo, e a insuficiência das poupanças destinadas à reforma.
Trata-se de uma iniciativa que acompanha a recomendação da Comissão Europeia no âmbito da União dos Mercados de Capitais, que pretende estimular a participação dos cidadãos europeus nos mercados financeiros.
O que muda para os investidores portugueses
Se a proposta avançar, os pequenos investidores poderão beneficiar de um regime fiscal mais favorável ao aplicar as suas poupanças em produtos do mercado de capitais. Até agora, os depósitos a prazo continuavam a ser a escolha preferencial da maioria dos portugueses — segundo dados do Banco de Portugal, os depósitos bancários representam mais de 70% das poupanças das famílias —, apesar de oferecerem rendimentos muito inferiores à inflação nos últimos anos.
Com a nova conta, seria possível diversificar de forma estruturada: ações de empresas cotadas, obrigações do Tesouro, ETF (fundos de índice) e fundos de investimento passariam a estar acessíveis num único produto com benefício fiscal. A simplificação fiscal é, segundo o regulador, um dos pilares centrais da proposta.
Para quem pretende orientar as suas finanças pessoais de forma mais eficiente, esta mudança representa uma oportunidade concreta. Um consultor de gestão de patrimônio pode ajudar a perceber como posicionar estas novas ferramentas dentro de uma estratégia de investimento diversificada e adequada ao perfil de risco de cada pessoa.
O contexto: porque é que a CMVM está a fazer soar o alarme agora
A iniciativa surge num contexto de alertas crescentes por parte do regulador. No seu "Risk Outlook 2026", a CMVM identificou riscos elevados com perspetiva de agravamento: possível ajustamento de preços nos mercados financeiros, impacto geopolítico na macroeconomia global, e ameaças crescentes de cibersegurança dirigidas a operadores de mercado e investidores.
O regulador aponta ainda que o trading algorítmico já representa mais de 60% das transações nos principais mercados internacionais, o que cria condições de volatilidade muito diferentes das que existiam há uma década. Para o pequeno investidor português, navegar neste ambiente sem apoio especializado é cada vez mais arriscado.
A proposta da Conta de Poupança e Investimento surge, assim, não apenas como um incentivo fiscal, mas como uma resposta estrutural ao problema da literacia e participação financeira em Portugal. O país regista taxas de participação nos mercados de capitais muito abaixo da média europeia, o que a CMVM considera um fator limitante para o crescimento económico de longo prazo.
O que fazer enquanto a proposta não chega
Enquanto aguarda a aprovação da proposta pelo Governo, há medidas práticas que qualquer poupador pode tomar já. A primeira é revisar a alocação atual das suas poupanças: estará a perder poder de compra com dinheiro parado em depósitos de baixo rendimento? A segunda é informar-se sobre os produtos já disponíveis — fundos de investimento, PPR e ETF — que oferecem exposição a mercados com maior potencial de retorno.
A terceira, e provavelmente a mais importante, é procurar orientação profissional. Um especialista em gestão de patrimônio pode analisar a sua situação individual, calcular o impacto fiscal das diferentes opções e construir uma carteira alinhada com os seus objetivos — seja a reforma, a compra de casa, ou a criação de um fundo de emergência.
Saiba mais sobre investimentos rentáveis para o contexto atual e como adaptar a sua estratégia às condições de mercado de 2026.
O que dizem os especialistas
A proposta da CMVM foi bem recebida pelo mercado. Para os gestores de patrimônio, a existência de um veículo fiscal específico para investimento em capitais representa uma oportunidade única de atrair aforradores que, por inércia ou desconhecimento, continuavam a penalizar o seu rendimento futuro.
A comparação internacional é reveladora: em países como o Reino Unido (ISA — Individual Savings Account), os EUA (IRA — Individual Retirement Account) ou a França (PEA — Plan d'Épargne en Actions), este tipo de conta existe há décadas e contribuiu significativamente para aumentar a base de investidores individuais e a profundidade dos mercados de capitais nacionais.
Para Portugal, a janela de oportunidade é agora. Com taxas de juro a normalizar e os mercados a oferecer retornos reais positivos, 2026 pode ser o ano em que os portugueses começam efetivamente a investir — e não apenas a poupar.
Para informações oficiais sobre produtos de investimento supervisionados em Portugal, consulte o site da CMVM.
Este artigo tem carácter informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Para decisões de investimento, consulte um profissional certificado em gestão de patrimônio.

Beatriz Martins