A depressão "Therese" varrreu Portugal entre 18 e 22 de março de 2026, trazendo ventos fortes e chuvas intensas que afetaram sobretudo o litoral Centro e o Algarve. Após semanas de sucessivas tempestades, muitas casas e edifícios apresentam danos que nem sempre são visíveis — e que podem piorar significativamente se não forem avaliados a tempo.
O que foi a depressão Therese e que danos deixou
A Therese foi uma perturbação ciclónica complexa que afetou o território continental durante cinco dias, com particular incidência no litoral e nas zonas serranas expostas ao vento. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o sistema trouxe precipitação acumulada muito acima da média para março, bem como rajadas que superaram os 80 km/h em várias regiões.
Após um inverno marcado por um encadeamento de tempestades desde janeiro de 2026, muitas habitações já tinham acumulado danos progressivos: telhas deslocadas, infiltrações em paredes, humidade nas caves e garagens, danos em muros e vedações. A Therese agravou situações que já estavam fragilizadas.
Segundo o portal CCDRC, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro disponibilizou apoio técnico e financeiro para municípios afetados pelas tempestades de 2026 — incluindo mecanismos de apoio a particulares em situações mais graves.
Os danos que passam despercebidos
Nem todos os estragos causados por um ciclone são imediatamente visíveis. Alguns dos danos mais comuns — e mais caros se ignorados — incluem:
Danos na cobertura e telhado: Uma telha deslocada pode parecer inofensiva, mas abre caminho a infiltrações que, ao longo de meses, comprometem a estrutura da laje e provocam manchas de humidade no teto. A reparação precoce custa uma fração do custo de uma reparação tardia.
Fissuras nas paredes: A alternância entre chuva intensa e vento seco provoca movimentos no reboco exterior. Fissuras finas podem ser cosméticas — mas fissuras que seguem a linha dos pilares ou vigas podem indicar problemas estruturais que exigem avaliação por um engenheiro ou arquiteto.
Problemas de drenagem: Caleiras entupidas por detritos arrastados pelo vento impedem o escoamento correto da água, que se acumula junto às fundações. Este é um dos principais vetores de humidade ascendente a longo prazo.
Danos na fachada: O reboco exterior deteriorado perde a sua função de barreira à água. O mapeamento de zonas húmidas numa parede exterior exige um inspetor ou técnico de construção.
Como avaliar os danos: o que pode fazer agora
Logo após uma tempestade, faça uma vistoria visual à sua habitação seguindo esta ordem:
- Exterior: observe o telhado a partir do chão (use binoculares se necessário), verifique caleiras, condutas de água e muros.
- Interior: inspecione o teto e as paredes dos andares superiores à procura de manchas ou humidade.
- Cave e garagem: verifique se houve acumulação de água ou se aparecem eflorescências (manchas brancas) nas paredes.
- Eletricidade: se houve entrada de água junto a quadros elétricos ou tomadas, não os utilize sem verificação de um eletricista.
Se detetar problemas que ultrapassam o cosmético — fissuras, infiltrações persistentes ou estruturas aparentemente afetadas — a avaliação deve ser feita por um profissional especializado.
Quando chamar um especialista de obras
Um especialista em serviços para a casa pode ajudar a:
- Diagnosticar a origem de uma infiltração (nem sempre está onde parece)
- Estimar o custo real da reparação antes de contratar qualquer empreiteiro
- Verificar se os danos estão cobertos pelo seguro multirriscos e ajudar a preparar a documentação necessária para participar o sinistro
- Priorizar as reparações urgentes das que podem aguardar
Em Portugal, o prazo para participar um sinistro ao seguro após uma tempestade é geralmente de 8 dias úteis, embora as condições exatas dependam da apólice. Não deixe passar esse prazo sem fazer o registo formal.
Importante: se suspeitar de danos estruturais (fissuras em pilares, deformações em vigas ou lajes), não habite o espaço afetado antes de uma avaliação por um técnico qualificado.
A importância de agir agora
Portugal enfrenta uma primavera com elevada probabilidade de novas perturbações atmosféricas, segundo as previsões meteorológicas para 2026. Os danos não reparados de uma tempestade agravnam-se facilmente com a seguinte.
Agir rapidamente tem dois benefícios concretos: limita o agravamento dos estragos e mantém a sua posição negocial com o seguro. Uma habitação que mostra danos claramente atribuíveis a uma tempestade específica é tratada de forma diferente de uma onde os danos se acumularam por falta de manutenção ao longo do tempo.
Precisa de avaliar os danos na sua casa após o ciclone? Encontre um especialista em serviços para a casa na Expert Zoom — disponível para avaliações online ou presenciais, sem filas de espera. Um diagnóstico profissional precoce pode poupar-lhe centenas ou mesmo milhares de euros em reparações futuras.
Este artigo tem caráter informativo geral e não substitui a avaliação técnica de um profissional qualificado.
