China e Portugal em 2026: o que o crescente desequilíbrio comercial significa para as empresas e investidores portugueses

Terminal portuário em Lisboa com contentores de carga e dados de comércio internacional
Beatriz Beatriz MartinsGestão de Património
4 min de leitura 11 de abril de 2026

A relação comercial entre China e Portugal atingiu os 10 mil milhões de dólares em 2025, mas esconde um desequilíbrio crescente: Portugal importa da China 7,19 mil milhões de dólares em bens, enquanto exporta apenas 2,85 mil milhões — uma assimetria que se agravou 17,7% no lado das importações e encolheu 10,2% nas exportações. Em abril de 2026, este tema voltou ao topo das pesquisas portuguesas a par das novas conversações diplomáticas entre os dois países.

O que mudou em 2026

A 10 de abril de 2026, o responsável parlamentar chinês Zhao Leji reuniu-se com a liderança da Assembleia da República portuguesa em Lisboa para reforçar a cooperação bilateral. As áreas prioritárias identificadas foram: energias renováveis, economia digital, inteligência artificial, ciência e turismo.

Do ponto de vista económico, China é hoje o maior parceiro comercial de Portugal na Ásia. Mas os dados revelam uma tendência preocupante: Portugal está a comprar cada vez mais à China e a vender-lhe cada vez menos. Veículos elétricos, equipamentos eletrónicos, painéis solares e componentes industriais chegam da China em quantidades crescentes. As exportações portuguesas — cortiça, vinho, calçado, máquinas — registam queda.

O impacto nas empresas portuguesas

Para as empresas portuguesas que importam da China, a situação cria oportunidades mas também riscos. A dependência de fornecedores chineses ficou exposta durante a pandemia de COVID-19 quando cadeias de abastecimento colapsaram. Em 2026, com tensões geopolíticas entre os EUA e a China a atingir novos máximos sob a administração Trump, os empresários portugueses enfrentam uma questão estratégica: diversificar ou aprofundar a relação com fornecedores chineses?

Segundo dados da Associação Industrial Portuguesa (AIP), cerca de 32% das PME industriais portuguesas têm pelo menos um fornecedor chinês na sua cadeia de abastecimento. A concentração é maior nos setores de eletrónica, vestuário e componentes industriais.

Para os importadores, os riscos incluem:

  • Flutuação cambial: o yuan e o dólar influenciam os preços das importações chinesas cotadas em moeda estrangeira
  • Tarifas e sobretaxas: as políticas comerciais da UE para produtos chineses (como os direitos aduaneiros sobre veículos elétricos) afetam os custos de importação
  • Dependência logística: perturbações nas rotas marítimas entre Ásia e Europa (como o Canal do Suez) têm impacto direto nos prazos

Veículos elétricos e a oportunidade tecnológica

Um dos temas mais quentes nesta relação comercial é a expansão das marcas chinesas de veículos elétricos em Portugal. A XPeng abriu operações em Portugal em 2025, e outras marcas como BYD e NIO estão a estudar o mercado ibérico. Para os consumidores, isto pode significar carros elétricos mais baratos. Para os concessionários portugueses e o setor automóvel, levanta questões de competitividade que exigem análise profissional.

Um gestor de património ou consultor financeiro pode ajudar empresários e investidores a entender como posicionar a sua carteira perante esta reconfiguração da cadeia de valor automóvel em Portugal.

O que fazer se for empresário ou investidor

A complexidade das relações comerciais Portugal-China em 2026 exige aconselhamento especializado. Algumas questões que vale a pena discutir com um consultor:

  • Cobertura cambial: faz sentido cobertura de risco cambial nas importações cotadas em dólar ou yuan?
  • Diversificação de fornecedores: qual a exposição atual a fornecedores de alto risco geopolítico?
  • Posicionamento de carteira: como os ETFs expostos à China ou às matérias-primas devem ser ponderados face à escalada tarifária global?
  • Oportunidades setoriais: energias renováveis, IA e economia digital são áreas identificadas como prioritárias — existem fundos ou empresas cotadas com exposição a esta cooperação bilateral?

Plataformas como a Expert Zoom permitem aceder a consultores de gestão de património e especialistas em comércio internacional que podem ajudar a navegar este cenário de incerteza.

A dimensão da IA e da economia digital

A cooperação em inteligência artificial é um dos eixos mais estratégicos da relação bilateral. Portugal tem vindo a posicionar-se como hub digital europeu — com o Web Summit sediado em Lisboa, uma comunidade crescente de startups tech e o Plano Nacional para a Inteligência Artificial. A cooperação com a China nesta área levanta simultaneamente oportunidades (acesso a tecnologia, investimento) e questões de soberania digital que as empresas portuguesas deverão avaliar com atenção.

O portal do Instituto Nacional de Estatística publica regularmente dados sobre trocas comerciais de Portugal que permitem acompanhar a evolução desta tendência.

Perspetiva para o segundo semestre de 2026

Com as negociações comerciais globais em plena ebulição — tarifas dos EUA, revisão do acordo UE-China, oscilações nas matérias-primas — Portugal vai ter de fazer escolhas estratégicas sobre a sua posição na nova ordem económica global. Para empresas e investidores individuais, a mensagem é clara: este não é o momento para decisões financeiras sem aconselhamento especializado.

A relação Portugal-China vai continuar a crescer — a questão é se Portugal consegue transformar a dependência de importação numa parceria mais equilibrada, que inclua mais exportações de valor acrescentado e mais investimento direto em áreas estratégicas.

Para empresários e investidores individuais, o essencial é não esperar que a geopolítica resolva o que a estratégia empresarial pode resolver hoje: rever a exposição ao risco, diversificar fornecedores onde possível, e procurar aconselhamento especializado antes de tomar decisões de investimento significativas num contexto de tanta incerteza.

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