Nova Burla MBway em Portugal: Como Se Proteger e Recuperar o Dinheiro

Mulher portuguesa preocupada a verificar transação suspeita no telemóvel
4 min de leitura 9 de abril de 2026

Uma nova variante de burla através do MB Way está a circular em Portugal desde março de 2026 e já está a ser investigada pela Polícia Judiciária. Ao contrário das fraudes anteriores, este esquema não tenta roubar diretamente as vítimas — usa-as como intermediárias involuntárias numa rede de branqueamento de capitais.

O esquema foi identificado pela PJ e reportado pela CNN Portugal a 7 de abril de 2026. As autoridades alertam que quem participa — mesmo sem saber — pode enfrentar consequências legais graves.

Como Funciona a Nova Burla

O mecanismo é simples e engenhoso. A vítima recebe uma transferência MB Way de 150 a 200 euros de um número desconhecido. Pouco depois, chega uma mensagem via WhatsApp — de um número diferente — de alguém que alega ter enviado o dinheiro por engano e pede que seja devolvido para uma conta específica.

O que a vítima não sabe é que o dinheiro recebido tem origem criminosa. Ao devolvê-lo para o IBAN indicado pelos burlões, a vítima está, involuntariamente, a mover fundos ilícitos — tornando-se num elo de uma cadeia de branqueamento de capitais.

Segundo a Polícia Judiciária, este tipo de esquema é difícil de rastrear porque utiliza múltiplos intermediários, diluindo a origem dos fundos. A PJ instaurou inquéritos e está a investigar redes organizadas por detrás das transferências.

Quem Arrisca Ser Responsabilizado

Este é o ponto que a maioria das pessoas desconhece: participar numa cadeia de branqueamento de capitais — mesmo sem intenção — pode ter consequências penais em Portugal.

O artigo 368.º-A do Código Penal português pune o branqueamento de capitais com pena de prisão de dois a doze anos. A lei exige que o agente tenha conhecimento da origem ilícita dos fundos — mas a falta de diligência pode ser interpretada pelos tribunais como negligência grave.

Um advogado especializado em direito penal pode ser essencial em três cenários:

Já devolveu o dinheiro: Se transferiu os fundos para a conta indicada pelos burlões, deve contactar imediatamente o banco para tentar reverter a operação e apresentar queixa nas autoridades. Um advogado pode orientar na forma correta de formalizar a queixa e proteger a sua posição.

Foi identificado pela investigação da PJ: Se recebeu uma notificação ou foi contactado no âmbito de uma investigação, não responda sem assistência jurídica. O direito ao silêncio e a presença de advogado são garantias constitucionais.

Quer instaurar processo para recuperar prejuízo: Se foi vítima de uma burla MB Way anterior — nos esquemas tradicionais em que perdeu dinheiro — um advogado pode ajudar a identificar os meios legais disponíveis, incluindo queixa criminal e ação cível.

O Que Fazer Se Receber Dinheiro Inesperado

A DECO — Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor — e a Polícia Judiciária são claras nas recomendações:

  1. Não devolva o dinheiro para nenhuma conta sem verificar a identidade real do remetente
  2. Contacte o banco para perceber a origem da transferência antes de qualquer ação
  3. Não siga instruções de desconhecidos recebidas por WhatsApp ou SMS
  4. Apresente queixa nas autoridades se receber uma mensagem suspeita, mesmo que não tenha perdido dinheiro
  5. Guarde todos os registos — capturas de ecrã, mensagens e histórico de transferências

Se tiver dúvidas sobre a legitimidade de uma transferência que recebeu, a decisão mais segura é sempre contactar o banco diretamente pelo número oficial.

Um Caso Recente Exemplificativo

Em abril de 2026, um tribunal de Portalegre condenou um homem a cinco anos de prisão por fraude MB Way no valor de 14.700 euros. O condenado atuava como intermediário consciente — mas o caso ilustra a severidade das penas previstas para este tipo de crime em Portugal.

Para os intermediários involuntários, a distinção entre dolo e negligência é o elemento jurídico central. É precisamente aqui que a orientação de um advogado penalista é determinante.

A Responsabilidade dos Bancos

Os consumidores têm direito a questionar a responsabilidade das instituições bancárias. O Decreto-Lei n.º 91/2018, que transpôs a Diretiva Europeia de Serviços de Pagamento (PSD2), estabelece que os bancos são responsáveis por operações não autorizadas — mas a matéria é complexa quando a transferência foi iniciada pelo próprio titular da conta.

Vários consumidores já recorreram ao Banco de Portugal e ao Centro de Arbitragem do Setor Financeiro (CNSF) para obter ressarcimento. Com representação jurídica adequada, as hipóteses de sucesso aumentam consideravelmente.

O Expert Zoom liga consumidores e empresas portuguesas a advogados especializados em direito penal, direito bancário e proteção do consumidor. Numa situação de fraude, agir rapidamente com aconselhamento especializado pode fazer a diferença entre recuperar o dinheiro ou perdê-lo definitivamente.

Nota: Este artigo tem carácter informativo geral e não constitui aconselhamento jurídico. Consulte um advogado qualificado para aconselhamento específico à sua situação.

Quanto Tempo Tem Para Agir?

O fator tempo é crítico nas situações de burla. As transferências MB Way são praticamente instantâneas, mas os bancos dispõem de mecanismos para tentar reverter operações suspeitas se contactados rapidamente — geralmente nas primeiras horas após a transação.

Em Portugal, o prazo legal para apresentar queixa por fraude informática é de cinco anos (artigo 11.º da Lei do Cibercrime, Lei n.º 109/2009), mas aguardar esse prazo pode inviabilizar qualquer investigação útil. A PJ aconselha a queixa imediata — idealmente no próprio dia da ocorrência.

Para quem perdeu dinheiro numa burla MB Way clássica (aquelas em que a vítima enviou fundos por engano após ser enganada), existe ainda a possibilidade de recorrer ao Banco de Portugal no prazo de 13 meses após débito indevido para reclamar reembolso com base no quadro da PSD2.

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