A Polícia Judiciária alerta para uma nova modalidade de burla com o MBWay detectada em abril de 2026: criminosos transferem voluntariamente €150 a €200 para contas aleatórias e depois contactam as vítimas pelo WhatsApp pedindo a devolução do dinheiro. Quem cede, pode estar inadvertidamente a participar numa rede de branqueamento de capitais.
O que está a acontecer com as burlas MBWay em 2026
O esquema mais recente, investigado pela Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), inverte a lógica das burlas tradicionais. Em vez de tentar roubar dinheiro diretamente, os burlões depositam primeiro uma quantia e depois solicitam a sua devolução para um número diferente — tornando a vítima cúmplice involuntária na circulação de fundos ilícitos.
A Polícia Judiciária e a DECO PROteste emitiram avisos conjuntos em abril de 2026: nunca efetue transferências MBWay com base em pedidos recebidos por WhatsApp ou SMS de contactos desconhecidos, mesmo que aparentem ter enviado dinheiro por engano.
Segundo dados do Ministério Público, em 2024 registaram-se 3.973 queixas relacionadas com burlas cibernéticas — o número mais alto desde 2016. A GNR e a PSP receberam no mesmo ano 4.467 participações relativas a fraudes com meios de pagamento digitais, um aumento de 6% face a 2023.
Por que o MBWay é tão apetecível para os burlões
Com mais de 3,2 milhões de utilizadores ativos em Portugal, o MBWay tornou-se um alvo privilegiado. A rapidez das transferências — que são imediatas e difíceis de reverter — é a principal vantagem para os criminosos.
Os esquemas mais comuns em 2026 incluem:
- Engano na devolução: a nova modalidade de abril de 2026, descrita acima
- Burla nos classificados: o vendedor no OLX ou CustoJusto pede ao comprador um código MBWay para "confirmar a identidade", e usa o código para esvaziar a conta
- Phishing bancário: mensagens SMS falsas que imitam bancos portugueses e redirecionam para sites fraudulentos
Em 2023, as perdas portuguesas por fraude bancária digital atingiram €12,3 milhões, dos quais quase 40% estavam associados ao MBWay.
O que fazer se receber dinheiro não solicitado no MBWay
Se encontrar uma transferência inesperada na sua conta MBWay:
- Não devolva o dinheiro sem antes contactar o seu banco pelo número oficial no verso do cartão
- Não siga instruções de desconhecidos por WhatsApp, SMS ou chamada telefónica
- Preserve todas as provas: capturas de ecrã das mensagens, números de contacto e detalhes da transferência
- Participe às autoridades através do sistema de Queixa Eletrónica da PJ ou diretamente na GNR/PSP mais próxima
Segundo o portal de cibercrime do Ministério Público, os cidadãos que participam prontamente têm maior probabilidade de recuperar valores fraudulentos, especialmente quando o banco é notificado nas primeiras horas.
Os seus direitos legais como vítima de burla digital
As vítimas de burla com meios de pagamento digitais têm proteções concretas ao abrigo da legislação portuguesa e europeia:
Diretiva PSD2 (Serviços de Pagamento): os prestadores de serviços de pagamento são obrigados a aplicar autenticação forte (dois fatores). Se o banco falhou neste requisito, pode ter direito a reembolso.
Responsabilidade civil: quando a burla envolve terceiros que usaram a sua conta como intermediária (sem o seu conhecimento), existe doutrina jurídica que pode isentar a vítima de responsabilidade penal — mas é fundamental provar que agiu de boa-fé.
Prazo de participação: em Portugal, crimes de burla prescrevem em cinco anos. Contudo, quanto mais cedo participar, maior a probabilidade de identificação dos suspeitos e recuperação de valores.
Um advogado especializado em direito do consumidor ou cibercrime pode ajudá-lo a:
- Formalizar a queixa-crime de forma eficaz
- Exigir ao banco a revisão da transação ao abrigo da PSD2
- Avaliar se há responsabilidade civil do operador do sistema de pagamentos
Como se proteger: regras de ouro para 2026
A DECO PROteste e a UNC3T recomendam:
- Nunca partilhe o PIN ou o código de autorização MBWay com ninguém, incluindo alegados funcionários bancários
- Desconfie de qualquer urgência: burlões usam pressão temporal para impedir que pense com clareza
- Verifique sempre o número de destino antes de confirmar qualquer transferência
- Ative notificações de todas as transações MBWay na aplicação do seu banco
- Limite os montantes diários disponíveis no MBWay — a maioria dos bancos permite configurar tetos de transferência
Se tiver dúvidas sobre a legitimidade de um contacto, ligue diretamente ao seu banco usando o número impresso no cartão — nunca o número que lhe enviaram por mensagem.
Nota legal: Este artigo tem caráter informativo e não substitui aconselhamento jurídico personalizado. Em caso de burla, consulte um advogado ou contacte a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) para orientação especializada.
Em caso de burla, a Expert Zoom dispõe de advogados especializados em direito do consumidor e cibercrime disponíveis para uma consulta inicial. Não espere: quanto mais cedo agir, maiores as hipóteses de recuperar o que perdeu e de responsabilizar os culpados.
