Aubrey Plaza grávida pela primeira vez: o que os médicos dizem sobre gravidez depois dos 35

Atriz Aubrey Plaza em evento público

Photo : Gage Skidmore / Wikimedia

4 min de leitura 10 de abril de 2026

A atriz americana Aubrey Plaza, conhecida mundialmente pela série "The White Lotus" e pela sua personalidade irreverente, anunciou em abril de 2026 a sua primeira gravidez com o companheiro Chris Abbott. Tem 40 anos. A notícia voltou a trazer para o centro do debate uma realidade cada vez mais comum: a gravidez depois dos 35 anos — o que os médicos chamam de "gravidez de idade materna avançada".

Uma tendência que está a crescer em Portugal

A gravidez tardia é um fenómeno em crescimento em Portugal e em toda a Europa. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a idade média da mãe ao primeiro filho em Portugal ultrapassou os 30 anos há mais de uma década, e a proporção de mulheres que têm filhos depois dos 35 tem vindo a aumentar consistentemente.

As razões são diversas: formação académica mais longa, instabilidade laboral e habitacional, relações que se consolidam mais tarde, e acesso a tecnologias de reprodução assistida. O facto de figuras públicas como Aubrey Plaza falarem abertamente sobre gravidez após os 40 contribui também para normalizar estas situações — e para que mais mulheres se informem sobre o que esperar.

O que muda clinicamente depois dos 35 anos

A designação médica "gravidez de risco acrescido" não significa que vai correr necessariamente mal — significa que requer mais acompanhamento e vigilância. Os especialistas em obstetrícia identificam alguns fatores que se alteram com a idade:

Fertilidade e tempo para engravidar A reserva ovárica diminui progressivamente com a idade. Depois dos 35, a probabilidade de engravidar naturalmente por ciclo menstrual reduz-se, e pode demorar mais tempo a conseguir. Não é raro que casais nesta situação necessitem de apoio médico — desde indução da ovulação até técnicas mais avançadas de reprodução assistida.

Risco de cromossomopatias O risco de alterações cromossómicas, como a trissomia 21 (síndrome de Down), aumenta com a idade materna. Por isso, o rastreio pré-natal torna-se ainda mais importante:

  • O rastreio combinado do primeiro trimestre (ecografia + análise de sangue) é realizado entre as 11 e as 13 semanas
  • O diagnóstico pré-natal invasivo (amniocentese ou biópsia de vilosidades coriónicas) pode ser recomendado
  • Os testes de ADN fetal não invasivo (NIPT) permitem detetar anomalias cromossómicas com elevada precisão, sem risco para a gravidez

Complicações associadas As gestações depois dos 35 têm maior probabilidade de:

  • Diabetes gestacional — que pode surgir mesmo em mulheres sem histórico diabético
  • Hipertensão induzida pela gravidez ou pré-eclâmpsia
  • Placenta prévia
  • Parto pré-termo
  • Necessidade de cesariana

Nenhuma destas complicações é inevitável. São fatores que justificam um acompanhamento obstétrico mais frequente e atento — não motivo de alarme, mas de preparação.

Que exames e cuidados são recomendados

Para uma gravidez depois dos 35 correr bem, o início do acompanhamento médico deve ser precoce — idealmente antes de engravidar.

Antes de engravidar:

  • Avaliação da reserva ovárica (AMH — hormona antimülleriana)
  • Rastreio de doenças crónicas (hipertensão, diabetes, tiróide)
  • Suplementação com ácido fólico pelo menos 3 meses antes da conceção
  • Atualização de vacinas (rubéola, varicela, tosse convulsa)

Durante a gravidez:

  • Consultas de vigilância mais frequentes (geralmente mensais no primeiro trimestre, quinzenais no terceiro)
  • Ecografias de morfologia e Doppler fetal
  • Rastreio de diabetes gestacional (PTOG às 24-28 semanas)
  • Monitorização da pressão arterial

Apoio emocional e psicológico A gravidez tardia traz frequentemente um misto de alegria e ansiedade acrescida. A preocupação com os resultados dos rastreios, as dúvidas sobre o "timing" de ser mãe, e por vezes uma história prévia de perdas ou de tratamentos de fertilidade podem pesar. O acompanhamento por um psicólogo especializado em saúde perinatal é um recurso cada vez mais valorizado e recomendado.

O que diz a ciência sobre os resultados

Apesar dos riscos acrescidos, a investigação é clara: com acompanhamento adequado, a grande maioria das mulheres que engravidam depois dos 35 tem gravidezes saudáveis e bebés saudáveis.

Um estudo publicado no British Medical Journal em 2023 confirmou que a mortalidade perinatal e neonatal não aumentou significativamente em mulheres com 35-39 anos com bom acompanhamento obstétrico. O que faz a diferença não é tanto a idade — é a vigilância.

Há inclusive dados que mostram que as mulheres que engravidam mais tarde têm, em média, níveis mais elevados de educação, maior estabilidade financeira, e redes de apoio mais sólidas — fatores que influenciam positivamente o desenvolvimento da criança.

Quando falar com um médico

Se está a pensar engravidar depois dos 35, ou se já está grávida, não espere. A consulta precoce com um ginecologista ou obstetra permite:

  • Avaliar a sua situação específica e definir um plano de vigilância personalizado
  • Esclarecer dúvidas sobre exames e rastreios disponíveis, incluindo os cobertos pelo Serviço Nacional de Saúde
  • Identificar fatores de risco individuais que possam requerer atenção especial

A gravidez de Aubrey Plaza, como a de muitas outras mulheres, lembra-nos que a maternidade não tem um prazo fixo — mas beneficia sempre de acompanhamento especializado.

Nota: Este artigo tem carácter informativo geral. Cada gravidez é única. Consulte sempre um médico para aconselhamento adaptado à sua situação.

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