Schwarzenegger treina para Conan aos 78 anos com pacemaker: 4 regras médicas para exercício após cirurgia cardíaca em 2026
Arnold Schwarzenegger tem 78 anos, um pacemaker implantado, três cirurgias cardíacas no historial, uma prótese da anca e ainda vai ao ginásio todos os dias. A razão mais recente: o ex-governador da Califórnia e ator está a preparar-se ativamente para as filmagens do sequel de Conan, o Bárbaro — e a fazer disso motivo de inspiração pública. Em maio de 2026, a Academia Nacional de Medicina do Desporto (NASM) atribuiu-lhe o Prémio Don Wildman de Comprometimento com a Excelência, que reconhece quem contribuiu de forma transformadora para a promoção do fitness. Mas o que dizem os médicos sobre treinar com um coração operado?
O historial cardíaco de Schwarzenegger: o que sabemos
A história de Schwarzenegger com o coração é pública. A primeira cirurgia ocorreu em 1997, para substituição de uma válvula aórtica. Em 2018, fez nova intervenção de emergência depois de complicações de um procedimento minimamente invasivo. Em 2020, submeteu-se a uma terceira cirurgia cardíaca. O pacemaker foi implantado mais recentemente para regular o ritmo cardíaco.
Além da condição cardíaca, o ator convive com desgaste articular crónico — ombros, joelhos, cotovelos e a anca com prótese — resultado de décadas de treino intenso de culturismo e das exigências físicas das filmagens de ação.
Ainda assim, aos 78 anos, Schwarzenegger mantém uma rotina de treino diária, publica exercícios para os seus seguidores e, segundo ele próprio, nunca se sentiu tão bem. O que está a fazer bem — e o que pode correr mal para outras pessoas que tentam imitá-lo?
Pode uma pessoa com pacemaker fazer exercício físico?
A resposta curta é: sim, na maioria dos casos. Mas com supervisão médica, e não à escala que Schwarzenegger aparenta fazer.
Um pacemaker é um dispositivo implantado para regular o ritmo cardíaco. Os modelos modernos adaptam a frequência cardíaca à atividade física — um processo chamado frequência-resposta —, o que permite ao utilizador praticar exercício de forma segura. No entanto, o nível de esforço permitido varia em função de:
- O tipo e grau de doença cardíaca subjacente
- A função ventricular (fração de ejeção)
- O tempo decorrido desde a última intervenção cirúrgica
- A presença de outras comorbilidades (diabetes, hipertensão, insuficiência renal)
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia recomenda que qualquer pessoa com doença cardiovascular estabelecida faça uma avaliação cardiológica completa antes de iniciar ou intensificar qualquer programa de exercício físico.
4 regras médicas para treinar com segurança após cirurgia cardíaca
Os cardiologistas e especialistas em reabilitação cardíaca definem um conjunto de princípios que qualquer pessoa com historial de intervenção cardíaca deve seguir:
Regra 1: Começar pela reabilitação cardíaca supervisionada
Após uma cirurgia ao coração, o primeiro passo não é o ginásio — é a reabilitação cardíaca. Este programa estruturado, normalmente com duração de 8 a 12 semanas, combina exercício aeróbio monitorizado, educação alimentar e apoio psicológico. Estudos mostram que a reabilitação cardíaca reduz a mortalidade cardiovascular em 20 a 30% e melhora significativamente a qualidade de vida.
Regra 2: Monitorizar a frequência cardíaca durante o exercício
O médico define uma frequência cardíaca máxima segura para treino — tipicamente 60 a 80% da frequência máxima prevista para a idade. Treinar acima desse limiar sem supervisão pode provocar arritmias, angina ou eventos adversos. Um cardiofrequencímetro ou smartwatch com monitorização de ECG é um aliado essencial.
Regra 3: Privilegiar o exercício aeróbio antes do treino de força
O exercício aeróbio moderado (caminhada, bicicleta estacionária, natação) é a base da recuperação cardiovascular. O treino de resistência — como o que Schwarzenegger pratica — pode ser introduzido gradualmente, mas com pesos mais baixos e ênfase no controlo respiratório. A manobra de Valsalva (prender o ar durante o esforço, comum no levantamento de pesos) é particularmente perigosa para pessoas com historial cardíaco.
Regra 4: Reconhecer os sinais de alerta e parar de imediato
Dor no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tonturas, palpitações irregulares ou síncope (desmaio) são sinais de que algo está errado. Em qualquer destes casos, o exercício deve ser interrompido imediatamente e o médico contactado. Para quem tem pacemaker, a detetação de qualquer anomalia no dispositivo também requer avaliação urgente.
O caso de Schwarzenegger é replicável?
Schwarzenegger é um caso atípico. Tem acesso a uma equipa médica permanente, faz exames regulares e treina num ambiente controlado. A sua genética — que lhe permitiu construir um dos corpos mais reconhecidos da história do culturismo — também não é comum.
Para a maioria das pessoas acima dos 65 anos com historial de cirurgia cardíaca, o objetivo não é ser Schwarzenegger. É manter mobilidade, qualidade de vida e independência funcional — e isso é perfeitamente alcançável com um programa de exercício adaptado e supervisionado por um médico.
Como referência, investigações sobre longevidade desportiva em atletas de alta competição mostram que os fatores genéticos e o estilo de vida precoce têm um peso enorme nos resultados a longo prazo — algo que não se compra no ginásio aos 70 anos.
Quando deve um sénior consultar um médico sobre exercício?
A resposta simples: antes de começar ou mudar de programa de treino, especialmente se tiver mais de 60 anos ou qualquer historial cardiovascular. O médico vai avaliar a capacidade funcional, definir limites seguros e encaminhar para reabilitação cardíaca ou fisioterapia, se necessário.
Na ExpertZoom, pode encontrar médicos especialistas em medicina interna, cardiologia e saúde do idoso disponíveis para consulta. Treinar com segurança não é uma questão de força de vontade — é uma questão de informação médica adequada.
Schwarzenegger inspira. Mas o seu cardiologista é que sabe o que é seguro fazer.

Ricardo Rodrigues