Al-Nassr na Final da AFC Champions League Two: o que os contratos e os direitos desportivos escondem

Estádio King Fahd em Riyadh com adeptos de futebol saudita durante uma partida

Photo : alobayd / Wikimedia

Sofia Sofia CostaJurídico
5 min de leitura 3 de maio de 2026

Na noite de 22 de abril de 2026, o Al-Nassr FC de Cristiano Ronaldo esmagou o Al Ahli SC Qatar por 5-1 e tornou-se o primeiro clube da Arábia Saudita a chegar à final da AFC Champions League Two. Em 16 de maio de 2026, o Al-Awwal Park em Riyadh acolhe um encontro histórico entre o Al-Nassr e o Gamba Osaka do Japão — e muito mais está em jogo do que um simples troféu.

Para além do desporto, uma final continental envolve uma teia complexa de contratos, direitos de transmissão, patrocínios e obrigações legais que poucos adeptos imaginam. Um advogado especializado em direito desportivo explica o que se passa nos bastidores desta conquista histórica do futebol saudita.

O que significa alcançar uma final continental

A AFC Champions League Two, organizada pela Confederação Asiática de Futebol, é a segunda competição de clubes mais importante da Ásia. Chegar à final tem implicações que vão muito além da glória desportiva.

Em primeiro lugar, os prémios monetários: uma final da AFC Champions League Two envolve valores de prémio significativos distribuídos pela AFC aos clubes participantes, definidos contratualmente antes do arranque da competição. Para o Al-Nassr, apoiado pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), estes valores complementam uma estratégia comercial mais ampla que visa ligar o futebol saudita ao mercado global.

Em segundo lugar, os bónus de desempenho. Muitos contratos de jogadores profissionais incluem cláusulas de bónus ligadas ao desempenho coletivo: por cada ronda superada em competições continentais, os jogadores têm direito a compensações adicionais. Com Cristiano Ronaldo, 41 anos, e vinte vitórias consecutivas nesta temporada, estas cláusulas representam valores consideráveis que activam automaticamente ao atingir a fase final da competição.

Os direitos de transmissão: um mercado de milhões

Um dos aspetos menos visíveis de uma final continental é o negócio dos direitos de transmissão televisiva e digital. A beIN Sports, plataforma catari com presença global, detém os direitos de transmissão da AFC Champions League Two em grande parte do mundo árabe, com impacto também nos mercados europeus e lusófonos.

Segundo os regulamentos da Confederação Asiática de Futebol (AFC), organismo que gere a competição e os seus acordos comerciais, os direitos de transmissão são negociados em contratos plurianuais que preveem condições específicas para a fase final — incluindo janelas de transmissão exclusivas, obrigações de produção e restrições geográficas rigorosas.

Um advogado especializado em direito desportivo ou em propriedade intelectual torna-se determinante para qualquer empresa que queira explorar conteúdos relacionados com estes eventos sem incorrer em infrações. Reproduzir imagens, criar compilações de vídeo ou utilizar a marca AFC sem autorização pode resultar em notificações legais e processos cíveis.

Patrocínios, imagem e direito de marca no desporto internacional

O caso de Cristiano Ronaldo ilustra bem a complexidade do direito à imagem no desporto profissional de alto nível. Com uma carreira de duas décadas e contratos publicitários com marcas globais como a Nike, o jogador português tem os direitos à sua imagem cuidadosamente delimitados em contrato com o Al-Nassr — um documento que tipicamente ocupa dezenas de páginas e cobre exclusividades por setor de negócio, âmbito geográfico dos direitos de utilização, obrigações de presença em eventos comerciais e cláusulas de rescisão em caso de comportamento que afete a reputação da marca.

Para as empresas, patrocinar um clube como o Al-Nassr ou associar a sua marca a jogadores de alto perfil exige um trabalho jurídico prévio e detalhado. "Qualquer empresa portuguesa que queira aproveitar o impacto mediático de uma final da AFC Champions League, seja através de patrocínio, parceria ou licenciamento de conteúdos, deve consultar um advogado especializado antes de assinar qualquer acordo", alerta um especialista em direito comercial e desportivo. "Os contratos com clubes do golfo têm especificidades de jurisdição que podem surpreender quem não está familiarizado com o mercado."

O que os profissionais portugueses precisam de saber

Portugal tem uma ligação especial ao Al-Nassr: para além de Cristiano Ronaldo, o clube é atualmente treinado pelo português Jorge Jesus. Esta presença lusa no futebol saudita gera oportunidades comerciais — e riscos jurídicos — específicos para empresas e profissionais do nosso país.

Se trabalha no setor desportivo, mediático ou publicitário e pretende estabelecer relações comerciais com clubes do Golfo Pérsico, há três questões legais essenciais a esclarecer antecipadamente:

Jurisdição aplicável. Os contratos com clubes sauditas são frequentemente regidos pela lei da Arábia Saudita ou pelos regulamentos da AFC — quadros jurídicos muito distintos do direito português. É fundamental saber em que jurisdição pode reclamar os seus direitos em caso de incumprimento contratual.

Direitos de propriedade intelectual. A utilização não autorizada de imagens, logótipos ou nomes de jogadores em contextos comerciais pode resultar em ações legais. As proteções variam significativamente consoante o país de exploração.

Obrigações fiscais e cambiais. O recebimento de pagamentos de entidades sauditas por empresas portuguesas tem implicações fiscais específicas — incluindo a aplicação de convenções de dupla tributação — que devem ser geridas com apoio de um advogado fiscal ou consultor de gestão de património.

O Al-Nassr como caso de estudo para a expansão do futebol asiático

A chegada do Al-Nassr à final da AFC Champions League Two não é apenas uma vitória desportiva. É um marco na estratégia de internacionalização do futebol saudita, que desde 2022 tem atraído jogadores de topo e treinadores de referência através de contratos milionários financiados pelo PIF. A final de 16 de maio em Riyadh contra o Gamba Osaka é a primeira final continental de um clube saudita, um feito sem precedente que ilustra a velocidade da transformação desta liga.

Para os profissionais do direito desportivo, gestores de marcas internacionais e empresários com interesse no mercado asiático, este momento representa uma oportunidade de compreender como funciona legalmente o futebol de elite fora da Europa.

Como demonstra a análise dos megacontratos do futebol internacional e os direitos dos jogadores, a complexidade jurídica cresce na proporção dos valores envolvidos. No ExpertZoom, encontra advogados especializados em direito desportivo, contratual e internacional prontos para o aconselhar — seja sobre patrocínios, direitos de imagem ou parcerias comerciais com clubes internacionais.

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