O Adamastor Furia circula pelas ruas do Porto desde abril de 2026. Com 650 cavalos de potência, uma carroçaria em fibra de carbono e um preço base de 1,6 milhões de euros acrescidos de impostos, o primeiro supercarro português já tem oito unidades vendidas — e 12 pré-reservas — com clientes da Europa, do Canadá e dos Emirados Árabes Unidos. Apenas 60 exemplares serão produzidos para a estrada. Numa altura em que os mercados financeiros tradicionais oscilam, surgem as perguntas inevitáveis: um supercarro de edição limitada pode ser um investimento? E como é que os gestores de patrimônio analisam esta decisão?
O Adamastor Furia em números
Desenvolvido pela empresa portuguesa Adamastor, com fábrica instalada em Perafita, no Porto, o Furia é movido por um motor V6 biturbo da Ford Performance que produz 650 cv e acomoda dois passageiros numa cabine em fibra de carbono. O preço de 1,6 milhões de euros posiciona o veículo no segmento dos hipercars de acesso muito restrito, a par de nomes como o McLaren Senna ou o Lamborghini Sián — modelos que, nos anos seguintes à produção, tendem a valorizar entre 30% e 150% no mercado secundário de coleção.
A tiragem de apenas 60 unidades cria artificialmente a escassez que, do ponto de vista financeiro, é o primeiro pré-requisito para a valorização de um ativo de coleção. A origem nacional acrescenta um elemento de raridade cultural difícil de replicar: não há outro supercarro feito em Portugal.
Um automóvel de luxo como ativo alternativo
A CMVM — Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e os reguladores financeiros europeus reconhecem os ativos alternativos — arte, vinho, relógios, automóveis de coleção — como instrumentos que podem descorrelacionar uma carteira e proteger o patrimônio em períodos de volatilidade dos mercados tradicionais. Não são, porém, ativos regulamentados nos mesmos termos que ações ou obrigações, o que implica riscos específicos que exigem análise especializada.
No caso de supercars de edição limitada, os fatores que historicamente influenciam a valorização incluem:
- Edição limitada e numeração de série: quanto menor a tiragem e mais baixo o número de série, maior a procura no mercado secundário
- Narrativa de marca: o facto de ser o primeiro hipercarro português cria um ângulo de coleção com valor histórico e cultural
- Estado de conservação e quilometragem: veículos pouco rodados e com manutenção documentada pelo fabricante valorizam significativamente mais do que exemplares usados intensivamente
- Documentação original: certificado de conformidade, historial de revisões e fatura original são indispensáveis para revenda a preços premium
O que dizem os gestores de patrimônio sobre ativos de luxo
Os gestores de patrimônio que trabalham com clientes de elevado valor patrimonial líquido tratam os supercarros com cautela calculada: o potencial de valorização existe em condições específicas, mas os custos de posse e os riscos de liquidez são superiores ao que a maioria dos compradores antecipa.
Do ponto de vista fiscal português, a venda de um bem de coleção com mais-valia é tributada conforme as regras do IRS. As mais-valias realizadas na venda de automóveis de coleção em Portugal são declaradas na categoria G do IRS, com taxa liberatória ou englobamento conforme a situação patrimonial do contribuinte. Existem condições específicas para isenção ou redução de tributação que variam com o tempo de detenção do bem e o perfil do titular.
Um gestor de patrimônio experiente pode ajudar a estruturar a aquisição — e eventual revenda — de forma fiscalmente eficiente, incluindo a análise de se a compra é feita a título pessoal ou através de uma estrutura societária. Consulte um especialista no Expert Zoom para perceber como o Adamastor Furia se encaixa na sua estratégia de diversificação patrimonial, tal como outros investidores portugueses fazem noutros ativos alternativos como a energia eólica em Portugal.
Os custos ocultos de possuir um supercarro
Antes de assinar uma reserva ou pré-reserva para o Adamastor Furia, é fundamental calcular o custo total de posse anual, que vai muito além do preço de compra:
- Seguro especializado: um hipercarro avaliado em mais de €1,6 milhões paga prémios anuais que podem situar-se entre €15.000 e €30.000, dependendo do perfil do proprietário e da utilização prevista
- Armazenamento climatizado e controlado: essencial para preservar a pintura, o interior de carbono e os componentes mecânicos em perfeito estado para eventual valorização futura
- Manutenção por técnicos certificados: motores de alta performance como o V6 biturbo Ford Performance requerem revisões periódicas especializadas cujo custo é substancialmente superior ao de um automóvel convencional
- IUC (Imposto Único de Circulação): para um veículo desta potência e cilindrada, os valores anuais podem ser expressivos conforme a tabela de tributação automóvel vigente
- Depreciação por uso: ao contrário de uma obra de arte ou de uma garrafa de vinho raro, cada quilómetro rodado pode significar dezenas de milhares de euros de diferença no valor de revenda
Segundo especialistas do setor automóvel de coleção, o custo anual de posse de um hipercarro — incluindo seguro, armazenamento especializado e manutenção — pode representar entre 3% e 5% do valor de mercado do veículo por ano. Para um Adamastor Furia a €1,6 milhões, isso corresponde a custos de manutenção de €48.000 a €80.000 por ano antes de qualquer utilização.
Investimento ou paixão: a pergunta certa antes de decidir
Os supercarros de edição limitada como o Adamastor Furia ocupam uma zona cinzenta entre ativo de coleção e objeto de desejo. Alguns apreciam ao longo do tempo; outros depreciam. A diferença entre um investimento inteligente e uma compra emocional de €1,6 milhões reside, muitas vezes, em fazer as perguntas certas a um especialista: qual é o horizonte de investimento? Como é que este ativo se insere na restante carteira patrimonial? Qual a exposição fiscal na compra e na eventual revenda?
O Expert Zoom liga-o a gestores de patrimônio especializados em Portugal que analisam decisões de investimento em ativos alternativos — e que podem avaliar, de forma personalizada, se um bem de luxo como um hipercarro faz sentido na sua estratégia financeira para os próximos anos.
Nota: Este artigo tem carácter informativo e não substitui aconselhamento financeiro profissional. Antes de tomar decisões de investimento em ativos alternativos, consulte um gestor de patrimônio certificado.

Beatriz Martins