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Acidente Air Canada em LaGuardia: o guia completo dos direitos dos passageiros aéreos

Sofia Sofia CostaJurídico
4 min de leitura 23 de março de 2026

Um avião da Air Canada Express colidiu com um camião de bombeiros no aeroporto de LaGuardia, em Nova Iorque, na tarde de 22 de março de 2026, matando os dois pilotos. O voo 8646, com origem em Montreal, transportava cerca de 72 passageiros e quatro tripulantes quando o Bombardier CRJ-900 embateu no veículo de emergência durante a aterragem na pista 4. A aeronave foi declarada perda total.

O Que Se Sabe Sobre o Acidente

Segundo a Euronews e o site de aviação SimpleFlying, o impacto ocorreu enquanto a aeronave circulava a cerca de 50 km/h. A cabine de pilotagem ficou completamente destruída. Os dois pilotos morreram no local. Os passageiros e restantes tripulantes foram evacuados, com alguns a necessitar de assistência médica por ferimentos menores.

A Agência Federal de Aviação dos EUA (FAA) e o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) abriram investigações imediatas para determinar as causas do acidente. A Air Canada emitiu uma declaração de pesar e anunciou cooperação total com as autoridades.

Para os passageiros envolvidos — e para todos os que viajam frequentemente de avião —, este acidente coloca uma questão urgente: quais são os direitos legais dos passageiros aéreos quando algo corre gravemente mal?

Os Direitos dos Passageiros Aéreos em Situações de Acidente

O direito aeronáutico internacional é regulado pela Convenção de Montreal de 1999, ratificada por Portugal e pela União Europeia. Esta convenção estabelece a responsabilidade das transportadoras aéreas por danos causados a passageiros em caso de acidente.

Os princípios fundamentais são:

  • Responsabilidade objetiva até 128.821 DSE (Direitos de Saque Especiais, equivalente a cerca de 170.000 euros): a transportadora é automaticamente responsável por este valor sem necessidade de provar culpa.
  • Responsabilidade ilimitada acima desse limiar: a transportadora pode ser responsabilizada por valores superiores, a menos que prove que a causa não lhe é imputável.
  • Adiantamentos imediatos: em caso de morte ou lesão, a transportadora deve pagar adiantamentos para cobrir necessidades imediatas, sem prejuízo da responsabilidade final.
  • Prazo para reclamar: o prazo de prescrição para ações de indemnização ao abrigo da Convenção de Montreal é de dois anos a partir da data do acidente.

No caso de voos com destino ou origem nos Estados Unidos, pode também aplicar-se a lei americana, o que pode aumentar o valor das indemnizações possíveis, dependendo do Estado onde o processo é instaurado.

Que Tipo de Indemnização Podem os Passageiros Receber?

Os danos indemnizáveis em caso de acidente aéreo incluem:

  • Danos corporais e psicológicos: lesões físicas, trauma, perturbação de stress pós-traumático (PTSD)
  • Lucros cessantes: rendimentos perdidos durante o período de incapacidade resultante das lesões
  • Despesas médicas: tratamentos, reabilitação, medicação
  • Danos morais: sofrimento psicológico reconhecido em vários sistemas jurídicos europeus
  • Danos patrimoniais: bagagem ou pertences danificados no acidente

Em caso de morte, os familiares das vítimas têm direito a reclamar indemnização por dano próprio (perda do ente querido) e por danos patrimoniais (perda de alimentos ou sustento).

O Que Fazer Se Era Passageiro ou Familiar de Vítima

O choque de um acidente aéreo pode paralisar. Mas os prazos legais correm mesmo assim, e as seguradoras das transportadoras têm departamentos especializados a trabalhar a favor dos seus interesses — não dos seus. Por isso, é fundamental agir rapidamente:

  1. Guarde toda a documentação: bilhete, cartão de embarque, comprovativos médicos, recibos de despesas.
  2. Contacte a transportadora por escrito: registe formalmente o seu pedido de adiantamento e indemnização.
  3. Não assine acordos precipitados: as seguradoras podem propor indemnizações iniciais muito abaixo do valor a que tem direito.
  4. Consulte um advogado especializado em direito aeronáutico antes de aceitar qualquer proposta.

Este último passo é decisivo. Um advogado com experiência em litígios contra transportadoras aéreas conhece os precedentes, os valores médios das indemnizações por tipo de dano, e sabe como negociar ou litigar eficazmente em jurisdições como os EUA ou Portugal.

Nota legal: Este artigo fornece informação jurídica de carácter geral e não substitui aconselhamento jurídico individualizado. Se foi afetado por um acidente aéreo, consulte um advogado qualificado.


O Seguro de Viagem Cobre Acidentes Desta Natureza?

Uma questão frequente após acidentes aéreos graves é a cobertura dos seguros de viagem individuais. A resposta depende do contrato específico, mas na generalidade:

  • Seguros básicos cobrem cancelamento, bagagem perdida e assistência médica de emergência, mas têm limites de capital relativamente baixos.
  • Seguros premium ou corporativos podem incluir cobertura de acidentes com invalidez permanente ou morte, complementando o que a transportadora paga.
  • Seguro de responsabilidade civil da transportadora (obrigatório por lei) é a principal fonte de indemnização em caso de acidente imputável à companhia aérea.

Se viajou com seguro de viagem e foi afetado pelo acidente, contacte imediatamente a sua seguradora para ativar a cobertura. As condições de notificação são frequentemente rígidas: atrasos na comunicação podem invalidar alguns direitos contratuais.

O Caso LaGuardia e o Debate Sobre Segurança Aeroportuária nos EUA

O acidente de 22 de março em LaGuardia ocorre num contexto de atenção renovada à segurança nos aeroportos americanos. O aeroporto, situado no Queens, Nova Iorque, é conhecido por pistas curtas que exigem precisão elevada nas aterragens. A presença de um veículo de emergência na pista durante uma operação de aterragem levantou imediatamente questões sobre os protocolos de comunicação entre a torre de controlo e os serviços de terra.

Estas questões são apuradas pelas autoridades competentes. Para os passageiros e familiares das vítimas, o que importa agora é garantir que os seus direitos são exercidos dentro dos prazos legais.

Nota legal: Este artigo fornece informação jurídica de carácter geral e não substitui aconselhamento jurídico individualizado. Se foi afetado por um acidente aéreo, consulte um advogado qualificado.


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