A tenista francesa Léolia Jeanjean está no WTA Italian Open em Roma em maio de 2026, onde disputou partida na fase de qualificação contra a brasileira Beatriz Haddad Maia. Jeanjean, que encerrou 2025 com ranking de pico de número 91 do mundo e acumula 10 vitórias na temporada 2026, representa uma geração de tenistas que equilibra resultados expressivos com a constante ameaça de lesões — o problema número um da carreira de qualquer profissional do tênis. A presença dela em Roma e o confronto com uma atleta brasileira colocaram seu nome entre os temas mais buscados no Brasil nesta semana. Qual é a realidade das lesões no tênis de alto nível — e o que isso significa para quem pratica o esporte?
O tênis e o corpo: uma relação de alto desgaste
O tênis é um dos esportes com maior incidência de lesões musculoesqueléticas entre as modalidades individuais. Os movimentos repetitivos de saque, voleio, backhand e deslocamento lateral em superfícies duras como o saibro de Roma criam padrões de sobrecarga assimétricos no corpo — o lado dominante (braco de raquete) é submetido a cargas muito maiores do que o lado não dominante, criando desequilíbrios musculares que, ao longo do tempo, favorecem lesões específicas.
Para tenistas profissionais como Jeanjean, que compete em circuito global com mais de 20 torneios anuais, a recuperação entre partidas é tão crítica quanto o treinamento técnico. Mas as mesmas lesões que afastam profissionais do circuito atingem também praticantes amadores — muitas vezes sem o suporte médico especializado que as atletas de elite têm disponível.
As lesões mais comuns no tênis: o que os especialistas identificam
Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), as principais lesões associadas ao tênis incluem:
Epicondilite lateral (cotovelo do tenista): É a lesão mais associada ao esporte. Resulta da inflamação dos tendões que conectam os músculos do antebraço ao cotovelo, causada por backhand incorreto ou empunhadura inadequada. Provoca dor ao apertar objetos e pode persistir por meses se não tratada.
Lesões no manguito rotador (ombro): O ombro de saque é submetido a rotações de alta velocidade repetidas centenas de vezes por treino. Lesões no manguito rotador — conjunto de quatro músculos e tendões que estabilizam o ombro — são comuns em jogadores acima de 30 anos ou com técnica de saque inadequada.
Entorses e lesões no tornozelo: O deslocamento rápido em superfícies de saibro (como em Roma) cria situações frequentes de entorse. Na WTA Italian Open de 2026, várias jogadoras tiveram de abandonar partidas por torções ocorridas em mudanças bruscas de direção.
Síndrome de stress tibial (canelite): Comum em tenistas que treinam predominantemente em superfícies duras, a canelite é causada pela sobrecarga repetida nos ossos e músculos da perna, especialmente em iniciantes ou após aumento brusco de volume de treino.
Lombalgia (dor lombar): Movimentos de rotação do tronco, especialmente no saque e no forehand com rotação, sobrecarregam a coluna lombar. É a queixa mais frequente em tenistas acima de 40 anos que praticam o esporte de forma recreativa.
A diferença entre o profissional e o amador — e por que isso importa
Tenistas de elite como Jeanjean têm acesso a médicos ortopedistas, fisioterapeutas, preparadores físicos e nutricionistas esportivos durante as competições. Na WTA Italian Open, cada atleta conta com equipe de suporte capaz de identificar e tratar lesões entre sets, quando necessário.
O praticante amador raramente tem esse recurso. Muitas lesões que seriam tratadas em 72 horas com protocolo especializado em uma atleta profissional se transformam em problemas crônicos em jogadores recreativos que simplesmente "jogam com a dor" ou automedicam com anti-inflamatórios.
O erro mais comum, segundo fisioterapeutas especializados em esportes de raquete, é subestimar o sinal de aviso. Dor durante o jogo que cede no dia seguinte — e volta na próxima sessão — já é indicativo de sobrecarga que merece avaliação, não insistência.
Como prevenir as principais lesões no tênis
A prevenção começa antes de entrar em quadra. Algumas práticas são consideradas essenciais por especialistas em medicina esportiva:
- Aquecimento específico: 10 a 15 minutos de alongamento dinâmico e ativação muscular antes de qualquer jogo reduzem significativamente o risco de entorse e distensão
- Técnica correta de empunhadura: O tipo de grip da raquete afeta diretamente a carga sobre o cotovelo. Avaliação por professor de tênis certificado pode prevenir anos de epicondilite
- Progressão de carga: Aumentar volume de treino gradualmente — não mais do que 10% por semana — é regra básica para evitar overuse injuries
- Recuperação ativa: Alongamento pós-treino, banho de contraste e descanso adequado são tão importantes quanto o treino em si
- Calçado adequado: Para saibro, usar tênis específico para a superfície reduz o risco de entorse e de stress tibial
Confira também nossa análise sobre lesões esportivas em tenistas profissionais como Laura Pigossi e os cuidados que toda pessoa ativa deve conhecer.
Quando procurar um especialista
Nem toda dor depois de jogar tênis exige consulta médica. Fadiga muscular e leve desconforto após jogo intenso são normais. Mas alguns sinais indicam que é hora de buscar um ortopedista ou fisioterapeuta:
- Dor que persiste por mais de 48 horas após o jogo
- Inchaço localizado em articulação (tornozelo, cotovelo, joelho, ombro)
- Sensação de instabilidade — como se a articulação "fosse ceder"
- Dor que volta na mesma sessão, mesmo após pausa
- Limitação de movimento que não melhora com repouso
Lesões tratadas no início resolvem em dias ou semanas. As mesmas lesões ignoradas podem levar meses ou anos para se resolver — e algumas tornam-se crônicas sem intervenção adequada.
Acompanhar Léolia Jeanjean e Beatriz Haddad Maia competindo em Roma é uma inspiração. Mas o que separa uma longa carreira de uma curta — para profissionais e amadores — é exatamente a atenção com a saúde do corpo. Um médico do esporte ou fisioterapeuta na ExpertZoom pode avaliar sua condição e orientar o retorno ao esporte com segurança.
