Monte-Carlo Open 2026 está em jogo — mas o verdadeiro adversário de muitos atletas é a lesão
O Rolex Monte-Carlo Masters 2026 entrou em suas quartas de final nesta semana com confrontos espetaculares: Matteo Berrettini humilhou Daniil Medvedev por 6-0, 6-0 em apenas 49 minutos em um dos resultados mais surpreendentes da temporada no saibro. Carlos Alcaraz, número 1 do mundo e atual campeão, segue na disputa ao lado de Jannik Sinner e Stefanos Tsitsipas. O torneio encerra em 12 de abril de 2026 com prêmio de mais de 7 milhões de euros.
O que os fãs de tênis não veem, porém, é o que acontece antes e depois das quadras: a batalha contra as lesões que definem quem consegue chegar às finais — e que são muito mais comuns entre amadores do que a maioria imagina.
O tênis é um dos esportes com mais lesões por sobrecarga
O tênis é praticado por mais de 90 milhões de pessoas no mundo, segundo a Federação Internacional de Tênis (ITF). No Brasil, o esporte cresceu significativamente nos últimos anos, especialmente após os sucessos internacionais. Mas com o crescimento do número de praticantes vem também o aumento de lesões — e a principal é conhecida como "cotovelo do tenista", ou epicondilite lateral.
A epicondilite lateral é uma inflamação nos tendões que se ligam ao epicôndilo lateral do cotovelo. Ao contrário do que o nome sugere, ela não afeta apenas tenistas: qualquer pessoa que realize movimentos repetitivos do antebraço — seja no trabalho, no esporte ou no lazer — pode desenvolvê-la. No tênis, o movimento de backhand com técnica inadequada é o principal gatilho.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Dor no lado externo do cotovelo que se irradia para o antebraço
- Sensação de fraqueza na pegada
- Dificuldade para realizar movimentos simples como girar a maçaneta ou segurar uma caneca
- Piora da dor ao movimentar o pulso com resistência
Por que tanta gente demora a buscar ajuda médica
Um estudo publicado pelo British Journal of Sports Medicine mostrou que mais de 60% das pessoas com epicondilite esperam mais de seis meses antes de consultar um especialista. Os motivos variam: "achei que ia passar sozinho", "comprei uma pomada na farmácia", ou "fui a um fisioterapeuta sem diagnóstico preciso".
O problema é que o diagnóstico tardio transforma uma lesão tratável — que responde bem a repouso, fisioterapia e ajustes de técnica — em um problema crônico que pode exigir infiltração de corticoide ou até cirurgia. Ortopedistas especialistas em medicina do esporte alertam que cada mês de demora no tratamento adequado pode adicionar meses ao período de recuperação.
No caso dos profissionais como Berrettini, que teve uma temporada de 2025 marcada por lesões e retornou ao circuito em grande forma no Monte-Carlo, o manejo cuidadoso das lesões é parte integral do desempenho. Mas e o tenista de final de semana, o jogador amador que treina três vezes por semana? Ele tem acesso a esse nível de cuidado?
Outras lesões comuns no tênis e quando consultar
Além do cotovelo, ortopedistas que atendem praticantes de tênis observam com frequência:
Lesões no ombro. O serviço e o smash exigem movimentos amplos e repetitivos do ombro, o que pode gerar tendinite do manguito rotador. A dor durante o movimento acima da cabeça é o sinal de alerta mais comum.
Distensões nos joelhos. As paradas bruscas e as mudanças rápidas de direção sobrecarregam o joelho. Ligamentos, meniscos e tendão patelar são os mais afetados.
Fascite plantar. A corrida constante e o impacto nas quadras duras (como as do Monte-Carlo Country Club, que possui quadras de saibro) geram inflamação na fáscia plantar. No saibro, o impacto é menor, mas a instabilidade aumenta o risco de entorses.
Síndrome do túnel do carpo. Menos conhecida no contexto do tênis, mas relevante: a vibração da raquete e os movimentos repetitivos do pulso podem inflamar o nervo mediano, causando formigamento e dor nas mãos.
Quando é urgente vs. quando pode esperar
A regra geral que os ortopedistas costumam adotar é simples:
- Dor aguda após impacto (torção, queda, contato): consulta nas primeiras 24 a 48 horas. Podem indicar fratura ou ruptura ligamentar que necessita de imobilização imediata.
- Dor que persiste por mais de duas semanas sem melhora com repouso: consulta eletiva, mas não adie mais. A janela ideal de tratamento conservador está se fechando.
- Dor que piora progressivamente mesmo com afastamento da atividade: consulta prioritária. Pode indicar processo inflamatório crônico ou alteração estrutural.
- Perda de força ou mobilidade: não espere. Déficits funcionais demandam avaliação diagnóstica com exames de imagem.
Um ortopedista ou médico do esporte pode indicar se o caso requer apenas fisioterapia, se há necessidade de exames como ressonância magnética, ou se o tratamento conservador não está sendo suficiente.
Torcer pelo Alcaraz — e cuidar do seu próprio cotovelo
O Monte-Carlo Masters é um dos torneios mais bonitos do tênis mundial, e 2026 promete uma final eletrizante. Mas enquanto os astros do saibro lutam por pontos no ranking e por mais de €974 mil em premiação para o campeão, milhares de tenistas amadores no Brasil enfrentam dores que poderiam ser resolvidas com uma consulta no momento certo.
A ExpertZoom conecta você com ortopedistas e médicos do esporte que podem avaliar sua lesão, indicar o tratamento adequado e ajudá-lo a voltar à quadra o mais rápido possível — sem complicações. Aproveitar o entusiasmo do Monte-Carlo para marcar aquela consulta que você vem adiando pode ser a melhor jogada da temporada.
Este artigo tem caráter informativo. Sintomas persistentes devem ser avaliados por um profissional de saúde habilitado.
