Kaká vira embaixador do BTG Pactual: 5 lições de gestão patrimonial de ex-atletas

Consultor patrimonial brasileiro analisando documentos de investimento com cliente em escritório financeiro em São Paulo
Jose Jose SantosGestão de Patrimônio
5 min de leitura 29 de maio de 2026

O ex-jogador Ricardo Izecson dos Santos Leite, o Kaká, foi anunciado em maio de 2026 como novo embaixador do BTG Pactual em campanha global focada em esporte e gestão patrimonial. A informação foi divulgada pelo MKT Esportivo e pela Máquina do Esporte, com a campanha criada pela Artplan e produção da Sugarcane, prevista para rodar até junho com filmes publicitários, conteúdo digital e bastidores.

Mais do que um contrato publicitário, o movimento marca a consolidação de Kaká como referência de transição financeira pós-carreira. Aos 44 anos, o campeão mundial de 2002 hoje acumula posições de embaixador (BTG Pactual, O Boticário, Adidas, OPPO), produtos com marca própria (chuteiras Adidas assinadas) e a presidência da Kings League Brasil. Para gestores patrimoniais, o caso ilustra um modelo que a maioria dos atletas brasileiros falha em executar.

Por que Kaká virou estudo de caso para gestores patrimoniais

Pesquisa do Sports Illustrated estima que cerca de 78% dos atletas profissionais de futebol enfrentam dificuldades financeiras nos cinco anos seguintes à aposentadoria. No Brasil, levantamentos da Pluri Consultoria sobre ex-jogadores da Série A apontam padrão semelhante: ganhos altos durante a carreira, ausência de planejamento sucessório e perda patrimonial expressiva quando os rendimentos esportivos cessam.

Kaká, ao contrário, manteve estrutura financeira que se diversificou em três frentes: contratos de licenciamento de imagem com empresas globais, posições de gestão executiva em projetos esportivos e investimentos administrados por instituições financeiras de grande porte. O contrato com o BTG Pactual reforça essa última frente.

As 5 lições patrimoniais do modelo Kaká

1. Direito de imagem é renda recorrente — e exige holding

Atletas que constituem holdings para licenciamento de imagem pagam menos imposto e protegem patrimônio em caso de litígio. Conforme orientação da Receita Federal sobre tributação de pessoa jurídica esportiva, contratos de imagem firmados via empresa podem ser tributados em até 11,33% (Lucro Presumido com PIS/Cofins), contra 27,5% na pessoa física. A diferença, ao longo de uma década, pode somar milhões de reais.

2. Diversificação de embaixadorias evita risco de dependência

Kaká firmou parcerias com setores diferentes (financeiro, cosméticos, esportivo, telecom). Essa diversificação reduz a exposição a um único mercado. Ex-atletas que dependem de uma única marca ficam vulneráveis quando o contrato termina ou quando a marca sai do país.

3. Posições executivas remuneram além do contrato publicitário

A presidência da Kings League Brasil, citada por matéria da Caras Brasil sobre o trabalho atual de Kaká, gera remuneração fixa e participação em resultados. Diferentemente da imagem, esse tipo de receita é estável, previsível e não depende do brilho midiático recente.

4. Planejamento sucessório precisa começar durante a carreira

Atletas com famílias grandes, como Kaká, costumam ser orientados por consultores patrimoniais a estruturar testamento, holding familiar e seguro de vida ainda em atividade. A janela durante a carreira é a mais barata: prêmios de seguro são menores, a saúde está documentada e o patrimônio ainda não passou por divisões.

5. Investimentos em produtos com perfil conservador-moderado

Gestores que atendem atletas geralmente recomendam alocação majoritária em renda fixa (Tesouro, CDBs com garantia FGC, debêntures incentivadas) e parcela menor em renda variável e fundos imobiliários. O motivo: a renda esportiva é volátil, com risco de lesão, e o patrimônio precisa de previsibilidade. Atletas que apostaram pesado em criptoativos ou negócios próprios sem estudo perderam parte expressiva da reserva.

Copa de 2026 amplia oportunidades comerciais — e armadilhas

A campanha do BTG com Kaká faz parte de uma onda. Conforme a consultoria Marcia Piovesan, várias marcas estão movendo orçamentos para ex-jogadores da Seleção Brasileira nos meses anteriores à Copa do Mundo de 2026. Os contratos costumam ter valores altos e prazo curto (3 a 9 meses), o que cria espelho perigoso: o atleta vê o valor mensal subir, ajusta o padrão de vida, e quando os contratos sazonais terminam, a estrutura desmonta.

Consultores patrimoniais experientes orientam que receitas extraordinárias de campanha de Copa devem ser tratadas como bônus único: separadas em conta de investimento de longo prazo, jamais incorporadas ao orçamento mensal regular.

Quando o atleta amador também precisa de gestão patrimonial

O caso Kaká é extremo, mas a lógica vale para atletas de média carreira: jogadores de Série C, atletas olímpicos que vivem de bolsa, lutadores, jogadores de futebol americano de divisões inferiores. Todos enfrentam a mesma curva: pico de renda em alguns anos, depois queda abrupta sem rede de proteção.

Sinais de que o atleta precisa de consultor patrimonial agora:

  • Recebe contrato de imagem mas declara como pessoa física
  • Não tem reserva equivalente a 12 meses do padrão de vida atual
  • Investe diretamente em criptomoeda ou negócio do amigo sem assessoria
  • Não tem seguro de vida proporcional aos dependentes
  • Mora em imóvel financiado pelo clube ou alugado pelo agente

Qualquer um desses pontos é gatilho para conversa imediata com gestor patrimonial.

Tributação que muda em 2026: o que ex-atletas precisam acompanhar

A reforma tributária aprovada em fim de 2025 traz alterações para tributação de dividendos, com previsão de implementação gradual a partir de 2027. Para atletas que recebem dividendos via holding de imagem, o cenário muda: o que hoje é isento na pessoa física pode passar a ter retenção. Quem tem estrutura já montada vai precisar reavaliar com gestor e contador. Quem ainda não tem holding deve correr para montar antes da regra entrar em vigor — porque o regime de transição costuma proteger estruturas pré-existentes.

Como encontrar um gestor de patrimônio confiável no Brasil

A maioria dos atletas brasileiros não tem acesso a um gestor patrimonial até o momento em que já é tarde. O caminho recomendado é procurar profissionais com registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na categoria de consultor de valores mobiliários ou agente autônomo de investimento certificado pela Ancord. No Expert Zoom, é possível filtrar especialistas em gestão patrimonial por cidade, experiência com clientes de alta renda e idiomas atendidos.

A mensagem do anúncio do BTG com Kaká é clara para quem trabalha com gestão de carreira: a renda esportiva acaba, mas o que se constrói em paralelo a ela define a próxima década. O ex-jogador conseguiu fazer essa ponte. A maioria, infelizmente, não.

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