Robert Lewandowski vai deixar o Barcelona. O atacante polonês de 37 anos confirmou que não renovará seu contrato com o clube catalão ao fim da temporada, com o vínculo encerrando-se em junho de 2026. Segundo informações divulgadas na semana de 13 de maio, a Arábia Saudita surge como destino principal — Al-Hilal e outros clubes do país já estariam preparando propostas que podem chegar a 30 milhões de euros por temporada. João Pedro, do Brighton, aparece como favorito para ser seu substituto no Barça. A saída de Lewandowski acende um debate que vai além do futebol: o que acontece com o patrimônio e a carreira de um atleta de elite quando o ciclo europeu se encerra?
Um contrato na casa dos 30 milhões: o que isso representa
Uma proposta de 30 milhões de euros por temporada para um jogador de 37 anos é extraordinária — e revela por que a Arábia Saudita se tornou o destino financeiro mais atrativo do mundo para atletas veteranos. Para entender o que está em jogo, é preciso considerar não apenas o salário bruto, mas a estrutura tributária do país.
A Arábia Saudita não cobra imposto de renda de pessoas físicas sobre rendimentos auferidos no território nacional. Para um jogador europeu acostumado a contribuir com 40% a 52% de sua renda em impostos na Espanha ou na Polônia, a diferença líquida pode ser substancial. Um salário de 30 milhões brutos na Europa equivale, na prática, a cerca de 15-18 milhões líquidos. O mesmo valor na Arábia Saudita é recebido integralmente.
Isso explica, em parte, por que Cristiano Ronaldo, Neymar, Karim Benzema e agora possivelmente Lewandowski optaram por encerrar seus ciclos europeus no Golfo.
O que o atleta brasileiro pode aprender com essa decisão
A situação de Lewandowski não é exclusiva de estrelas do futebol. Qualquer profissional que atinge o pico da carreira e começa a pensar na transição enfrenta questões similares: devo aceitar um salário menor em um lugar de menor custo de vida? Devo priorizar liquidez agora ou construir patrimônio de longo prazo? E como proteger o que já foi acumulado?
"É o mesmo dilema de um médico de 50 anos que recebe uma oferta para trabalhar no exterior ou de um executivo que decide abrir seu próprio negócio", compara um gestor de patrimônio especializado em profissionais de alta renda. "A lógica financeira é idêntica: quando a carreira ativa gera renda alta por tempo limitado, a janela para acumular e proteger patrimônio é estreita."
Tributação de rendimentos no exterior: o que brasileiros precisam saber
Se um atleta brasileiro optasse por jogar na Arábia Saudita, por exemplo, ele seria obrigado a declarar seus rendimentos à Receita Federal do Brasil, independentemente de onde foram ganhos. O Brasil tributa seus residentes fiscais com base no princípio da renda mundial — o que significa que rendimentos obtidos em qualquer país devem ser informados na declaração anual.
O Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) incide sobre a parcela excedente à isenção anual vigente, com alíquotas progressivas de até 27,5% para pessoas físicas. Para atletas ou profissionais com contratos internacionais, a estruturação via pessoa jurídica (empresa no Brasil) pode ser mais eficiente do ponto de vista tributário — mas exige orientação especializada.
A Receita Federal do Brasil disponibiliza informações sobre tributação de rendimentos no exterior e obrigações de residentes fiscais no portal receita.fazenda.gov.br. É fundamental que profissionais com renda no exterior consultem um advogado tributarista antes de tomar qualquer decisão.
Planejamento da transição de carreira: três perguntas essenciais
Para qualquer profissional de alto desempenho que enfrenta uma transição de carreira — seja um atleta, um executivo ou um médico especialista — há três perguntas que um gestor de patrimônio fará na primeira consulta:
1. Qual é o custo real da sua vida atual? Profissionais de alta renda tendem a expandir o padrão de vida durante os anos de pico. Quando a renda reduz, as despesas fixas (imóveis, equipe, estilo de vida) permanecem. Mapeá-las antes da transição é o primeiro passo.
2. Quanto do seu patrimônio é líquido — e quanto está em ativos imobilizados? Imóveis, participações societárias e colecionáveis têm valor, mas não pagam contas no mês seguinte. A falta de liquidez é a causa mais comum de crises financeiras em ex-atletas e profissionais que saíram de posições de alto rendimento.
3. Qual é o plano para os próximos 10 anos — não para o próximo contrato? A mentalidade de curto prazo é natural durante a fase ativa da carreira. O planejamento de longo prazo exige uma mudança de perspectiva: não "quanto vou ganhar neste contrato", mas "como esse contrato contribui para a independência financeira que quero aos 50 anos".
Lewandowski e o espelho da aposentadoria
Independentemente do destino que Lewandowski escolher, sua saída do Barcelona simboliza algo que todos os profissionais de alta performance enfrentarão em algum momento: o fim do ciclo em que o mercado paga o máximo pelo que você oferece. Esse momento chegará para o médico especialista, para o engenheiro sênior, para o sócio de uma firma de advocacia.
A diferença entre quem atravessa essa transição com tranquilidade e quem enfrenta dificuldades está, invariavelmente, na qualidade do planejamento patrimonial feito durante os anos de maior rendimento.
Na plataforma ExpertZoom, gestores de patrimônio e especialistas em planejamento financeiro estão disponíveis para orientar profissionais em todas as fases da carreira — da fase de acumulação à transição e à proteção do patrimônio conquistado.
Aviso importante: Este artigo tem finalidade informativa e não substitui aconselhamento financeiro ou tributário individualizado. Consulte sempre um profissional habilitado para decisões sobre seu patrimônio.
