CR7 na final da ACL 2: como atletas de elite gerem o patrimônio no fim de carreira

Cristiano Ronaldo em campo durante partida internacional de futebol

Photo : Ludovic Péron / Wikimedia

Jose Jose SantosGestão de Patrimônio
4 min de leitura 16 de maio de 2026

Cristiano Ronaldo está na final da ACL 2. Neste sábado, 16 de maio de 2026, o atacante português de 41 anos representa o Al Nassr na grande decisão da AFC Champions League 2 — o segundo nível da competição de clubes da Ásia — diante do japonês Gamba Osaka, no Al Awwal Park, em Riyadh. Para brasileiros fãs do craque, a pergunta vai além da partida: como um atleta que já ganhou tudo no futebol europeu — cinco Bolas de Ouro, dois títulos de Champions League e inúmeros recordes — gerencia o fim de carreira do ponto de vista financeiro? A resposta envolve gestão de patrimônio, planejamento tributário e decisões que afetam gerações.

CR7 na Arábia Saudita: números que mudam de vida

Desde sua chegada ao Al Nassr em janeiro de 2023, Cristiano Ronaldo recebe um dos maiores contratos esportivos da história: estimativas apontam para um pacote total próximo a 200 milhões de euros por temporada quando incluídos patrocínios, direitos de imagem e bônus de desempenho. Segundo dados do mercado esportivo árabe, o jogador teria acumulado, durante os anos no Golfo Pérsico, um patrimônio bruto superior a 600 milhões de euros — e ainda está em atividade.

Mas o que fazer com esse volume de dinheiro? Essa é exatamente a questão que um gestor de patrimônio — em inglês, wealth manager — precisa responder para qualquer profissional de alto rendimento, seja um astro do futebol ou um executivo bem-sucedido.

"O desafio de quem chega ao pico da carreira não é ganhar mais: é não perder o que ganhou", explica um gestor de investimentos especializado em finanças para esportistas e profissionais liberais. "A maior parte dos atletas que quebram financeiramente faz isso não por falta de dinheiro, mas por falta de estrutura na gestão."

A diferença entre patrimônio bruto e patrimônio protegido

Receber um salário alto é uma coisa. Proteger o patrimônio gerado é outra — e muito mais complexa. Para jogadores com contratos internacionais como Ronaldo, os desafios incluem:

Tributação em múltiplos países: ao jogar em Portugal, Espanha, Itália e agora na Arábia Saudita, um atleta fica exposto a diferentes regimes fiscais. A Arábia Saudita não cobra imposto de renda de pessoas físicas sobre rendimentos locais, o que é um atrativo financeiro significativo. No entanto, rendimentos de outras fontes — imóveis em Portugal, royalties de patrocínios europeus — podem gerar obrigações tributárias em outros países.

Proteção de imagem e marca pessoal: o nome "CR7" é uma marca registrada com valor de mercado estimado na casa dos bilhões de euros. Gestores de patrimônio orientam a criação de estruturas jurídicas específicas para proteger e monetizar esse ativo intangível — sociedades offshore, holdings de imagem, fundos de royalties.

Planejamento sucessório: com quatro filhos, Ronaldo — assim como qualquer profissional de sucesso — precisa definir como o patrimônio será distribuído entre herdeiros. Nos Emirados e na Arábia Saudita, as regras de herança seguem o direito islâmico (sharia), o que pode complicar o planejamento para cidadãos estrangeiros não muçulmanos sem orientação jurídica adequada.

O que brasileiros podem aprender com a trajetória de CR7

O caso de Cristiano Ronaldo na final da ACL 2 é um caso extremo, mas os princípios de gestão patrimonial se aplicam a qualquer profissional que acumula renda ao longo da vida: médico, engenheiro, empresário, funcionário público em cargo de chefia.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — autarquia federal que regula o mercado de investimentos no Brasil — publica regularmente orientações sobre planejamento financeiro de longo prazo, disponíveis em cvm.gov.br. A base, independentemente do tamanho do patrimônio, é a mesma.

Os pilares da gestão de patrimônio para qualquer profissional de alto desempenho incluem:

  1. Diversificação de ativos: não concentrar todo o patrimônio em um tipo de ativo (imóveis, por exemplo) ou em uma única moeda. Atletas que apostaram tudo em imóveis de luxo durante a carreira encontraram dificuldades quando o mercado imobiliário recuou.

  2. Reserva de emergência e liquidez: mesmo com alto rendimento mensal, manter uma reserva equivalente a 12 a 24 meses de despesas em ativos líquidos garante estabilidade em transições de carreira.

  3. Previdência privada e aposentadoria: no Brasil, profissionais autônomos e sócios de empresas não têm INSS por conta do empregador. O planejamento de PGBL ou VGBL deve começar cedo — não na véspera da aposentadoria.

  4. Testamento e planejamento sucessório: definir em vida como o patrimônio será distribuído reduz conflitos entre herdeiros e otimiza a carga tributária do inventário.

Quando buscar um gestor de patrimônio?

A resposta dos especialistas é unânime: antes que você ache que precisa. "A maioria das pessoas procura um wealth manager quando já perdeu parte do patrimônio ou quando está diante de uma herança complicada", afirma um consultor de finanças. "O ideal é procurar quando a carreira está crescendo, não quando o dinheiro já saiu."

No Brasil, a regulação exige que gestores de patrimônio sejam certificados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) ou por entidades reconhecidas pela CVM. Ao contratar um profissional de gestão financeira, verifique certificações como CFP (Certified Financial Planner) e CGA (Certificado de Gestores Anbima).

A final da ACL 2 que CR7 joga neste sábado pode ser mais um título em sua coleção — ou apenas mais uma partida. Mas a decisão de como gerenciar o que ganhou ao longo de 20 anos de futebol de elite vai determinar o legado real do atleta fora dos gramados.

Na plataforma ExpertZoom, gestores de patrimônio verificados estão disponíveis para uma primeira consulta sobre planejamento financeiro, investimentos e proteção de ativos — seja qual for o tamanho do seu patrimônio.

Aviso importante: Este artigo tem caráter informativo e educacional. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise personalizada por profissional habilitado.

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