Alisha Lehmann e a saúde mental de atletas: quando a fama vira pressão demais

Alisha Lehmann em partida pelo Lewes FC Women contra West Ham United na pré-temporada de 2020

Photo : James Boyes from UK / Wikimedia

4 min de leitura 14 de abril de 2026

A jogadora suíça Alisha Lehmann revelou, em entrevista concedida em 23 de março de 2026, que considerou abandonar o futebol profissional devido à pressão das críticas públicas. "Houve momentos em que fiquei muito triste e perguntei à minha mãe se devia parar de jogar futebol", declarou a atleta, que acumula mais de 26 milhões de seguidores nas redes sociais e integra o Leicester City, que disputa a luta contra o rebaixamento na Women's Super League inglesa.

A história que está chocando o mundo do futebol feminino

Com 11 milhões de seguidores no TikTok e 15 milhões no Instagram, Alisha Lehmann é, atualmente, a futebolista feminina mais seguida do mundo nas redes sociais. Mas, desde que assinou contrato com o Leicester City em 22 de janeiro de 2026, a suíça enfrenta uma tempestade: o clube acumula sete derrotas consecutivas e está a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento, com quatro rodadas restantes.

As críticas à performance de Lehmann em campo se intensificaram após uma partida contra o Brighton, em 29 de março de 2026, em que registrou zero finalizações, 22 toques na bola e 12 perdas de posse. Parte da imprensa britânica passou a questionar se o marketing do clube priorizou a contratação de uma estrela das redes sociais em detrimento de uma jogadora focada no desempenho esportivo.

A entrevista de março revelou que, por trás dos milhões de curtidas, há uma atleta que sofre com a carga emocional de viver sob escrutínio constante.

Quando o sucesso nas redes sociais pesa mais que uma bola: a saúde mental de atletas influencers

O caso de Alisha Lehmann não é isolado. Atletas de alta performance que também constroem carreiras como influenciadores digitais enfrentam um desafio único: precisam gerenciar sua imagem pública 24 horas por dia enquanto mantêm nível técnico exigente dentro de campo ou quadra.

A pressão é dupla e simultânea:

  • Da torcida e da imprensa: que cobram resultados esportivos objetivos
  • Da audiência digital: que consome conteúdo de vida pessoal, estética e entretenimento

Psicólogos do esporte identificam esse fenômeno como "sobrecarga de identidades competitivas". O atleta passa a gerir dois tipos distintos de expectativa — e quando os resultados esportivos decaem, a exposição nas redes amplifica a sensação de fracasso ao invés de amortecê-la.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), jovens adultos altamente expostos a métricas de aprovação social (curtidas, comentários, seguidores) têm maior vulnerabilidade a episódios de ansiedade e síndrome de impostora — condições comuns em atletas profissionais de sucesso precoce.

Sinais de que um atleta precisa de apoio psicológico especializado

O relato de Alisha Lehmann — de querer abandonar a carreira em um momento de crise emocional — é o tipo de sinal que não deve ser ignorado. No universo esportivo, pedir ajuda ainda carrega um estigma, mas esse cenário está mudando progressivamente.

Sinais de alerta que merecem atenção clínica:

  • Pensamentos recorrentes de abandonar a atividade que antes trazia satisfação
  • Queda brusca de rendimento sem causa física aparente
  • Isolamento social mesmo em períodos de folga
  • Dificuldade de dormir ou sono excessivo nas vésperas de competições
  • Sensação persistente de não ser bom o suficiente, mesmo com bons resultados objetivos
  • Reação desproporcional a críticas — seja esquivando-se completamente ou reagindo com raiva intensa

Esses são critérios que, no contexto esportivo de alta performance, justificam encaminhamento para psicólogo clínico ou especialista em psicologia do esporte. A intervenção precoce evita que episódios pontuais se tornem quadros depressivos ou transtornos de ansiedade persistentes.

Redes sociais e desempenho: o que os especialistas dizem

O debate sobre o equilíbrio entre presença digital e foco esportivo está longe de ser simples. Há atletas que encontram nas redes uma fonte genuína de motivação e construção de marca pessoal sustentável. Há outros para quem a exposição constante drena a energia que deveria ir para o treino.

O ponto central não é "redes sociais são ruins para atletas" — é identificar quando e como a presença digital afeta o desempenho e o bem-estar de forma negativa.

Consultores de carreira esportiva recomendam que atletas profissionais — especialmente os mais jovens, ainda em formação de identidade — estabeleçam contratos psicológicos claros com eles mesmos sobre:

  1. Quanto tempo semanal dedicar a redes sociais (com limite real, não apenas teórico)
  2. Como reagir a comentários negativos (bloqueio imediato? resposta? silêncio?)
  3. Quando separar completamente vida digital de preparação para competições
  4. Quais marcos de desempenho esportivo são inegociáveis, independentemente dos números no Instagram

Como um psicólogo esportivo pode ajudar

O psicólogo especializado em esporte trabalha com ferramentas específicas para esse universo: técnicas de foco atencional, controle de ativação pré-competitiva, gestão de crítica externa e desenvolvimento de resiliência mental.

Diferente do acompanhamento psicológico clínico geral, o psicólogo do esporte entende o ritmo das temporadas, a dinâmica de equipe, a pressão de patrocinadores e os ciclos de alta e baixa performance. Esse contexto especializado é fundamental para que o atleta receba suporte adequado à sua realidade.

O caso de Alisha Lehmann é um lembrete de que talento, fama e redes sociais não protegem ninguém do esgotamento emocional. O que protege é suporte técnico especializado — e a coragem de buscá-lo antes que a crise chegue ao seu ponto mais agudo.

Aviso: Este artigo tem caráter jornalístico e informativo sobre saúde mental no contexto esportivo. Casos individuais de sofrimento psicológico exigem avaliação clínica especializada. Se você ou um atleta próximo apresenta sinais de crise, procure um profissional de saúde mental.

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