22 Jogos Sem Gol: O Que a Seca de Trossard no Arsenal Ensina Sobre Psicologia do Desempenho

Leandro Trossard em ação pelo Brighton, jogador do Arsenal em 2026

Photo : jamesboyes / Wikimedia

4 min de leitura 5 de maio de 2026

22 Jogos Sem Gol: O Que a Seca de Trossard no Arsenal Ensina Sobre Psicologia do Desempenho

Na noite desta terça-feira, 5 de maio de 2026, o meia-atacante belga Leandro Trossard está em campo pelo Arsenal na semifinal da Liga dos Campeões contra o Atlético de Madrid. O jogo decisivo acontece no Emirates Stadium, com o placar agregado empatado em 1 a 1. Aos 31 anos, Trossard é um dos jogadores mais experientes e consistentes do time de Mikel Arteta — mas carrega um peso silencioso: está há 22 partidas consecutivas sem marcar gol.

Não é uma crise. Não é falta de qualidade. Segundo o próprio técnico do Arsenal, Arteta, Trossard tem sido "excepcional" em sua consistência. Mas a seca de gols de um jogador em fase decisiva levanta uma questão que vai muito além do futebol: como manter o desempenho máximo quando os resultados esperados simplesmente não aparecem?

Uma Sequência Sem Gols, Mas Não Sem Valor

Trossard acumula 6 gols e 8 assistências na temporada 2025/26, com apenas 1 gol na Liga dos Campeões. Na última vez que ficou perto de marcar foi na vitória sobre o Sporting — quando sua cabeçada bateu na trave em abril de 2026.

Para um jogador que atua em posição avançada, gols são a métrica mais visível do desempenho. Mas o trabalho de Trossard tem sido muito além dos números: cobertura defensiva, pressão na saída de bola, criação de espaços para Gabriel Martinelli e Bukayo Saka. São contribuições que os olhos não treinados frequentemente ignoram.

Esse descompasso entre contribuição real e reconhecimento percebido é um fenômeno que profissionais de saúde mental esportiva conhecem bem — e que se repete em ambientes corporativos com a mesma frequência.

Síndrome da Impostora, Bloqueios de Desempenho e Ansiedade de Resultado

A psicologia esportiva identifica alguns padrões específicos que podem surgir quando profissionais de alto desempenho vivem períodos de ausência de resultados visíveis:

Ruminação sobre erros: O atleta (ou profissional) passa a focar excessivamente nas chances perdidas, em vez de processar e avançar. Cada tentativa fracassada reforça a narrativa negativa interna.

Ansiedade de resultado: Quando o objetivo específico (marcar gol, fechar um negócio, ser aprovado em uma prova) se torna tão central que o processo em si — e tudo de positivo que ele contém — perde valor.

Overthinking (excesso de análise): O paradoxo do excesso de esforço cognitivo, onde pensar demais prejudica o desempenho automático construído por anos de prática.

Pressão de expectativas externas: Para Trossard, a mídia, os torcedores e as redes sociais quantificam seu valor pelo número de gols. Para um profissional de vendas, pode ser o número de contratos fechados. Para um estudante, as notas. A lógica é a mesma.

O Que Psicólogos Esportivos Recomendam

Os profissionais de saúde mental que atuam no esporte de alto rendimento — e cada vez mais em ambientes corporativos e acadêmicos — utilizam técnicas específicas para lidar com períodos de baixa:

Redefinição de métricas de sucesso: Em vez de focar exclusivamente no gol ou no resultado final, o atleta é treinado para reconhecer e valorizar as contribuições intermediárias — o passe certo, a pressão feita, o duelo ganho.

Visualização positiva: Técnica comprovada em que o profissional revisita mentalmente situações de sucesso anteriores para reforçar os caminhos neurais associados ao desempenho de excelência.

Atenção plena (mindfulness): Prática de foco no momento presente, que reduz o "ruído" de expectativas passadas e futuras e ajuda a executar o próximo movimento com clareza.

Trabalho com o diálogo interno: Identificar e reformular narrativas autodestrutivas ("não consigo mais marcar", "perderei minha vaga no time") em afirmações mais produtivas e realistas.

No Arsenal, como em todos os grandes clubes europeus, psicólogos do esporte fazem parte da equipe de suporte. A adoção dessas práticas no ambiente corporativo e escolar ainda está crescendo no Brasil.

Além do Futebol: Quem Mais Precisa de Suporte em Saúde Mental para Desempenho?

A situação de Trossard ressoa com qualquer pessoa que já viveu uma fase de "seca" profissional: o vendedor que não bate a meta por três meses consecutivos, o estudante que está se preparando para uma prova difícil e não se sente progredindo, o empreendedor que lança produto após produto sem alcançar o resultado esperado.

Segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a psicologia do esporte é uma especialidade reconhecida no Brasil desde 1975, com crescente aplicação em contextos corporativos, educacionais e de saúde geral. O psicólogo especializado nessa área pode atuar com atletas amadores, profissionais e também com qualquer pessoa que enfrente pressão de desempenho em sua vida.

O Que a Final Dirá Sobre Trossard — e Sobre Nós

No futebol, uma noite muda tudo. Se Trossard marcar hoje na semifinal da Champions League, acabará com a seca e entrará para a história do Arsenal. Se não marcar, o debate continuará. Mas o valor real do jogador — assim como o de qualquer profissional comprometido — não se mede apenas pelos momentos de glória visível.

Profissionais que atravessam períodos difíceis sem perder consistência, como Trossard tem feito, muitas vezes são exatamente os que mais precisam — e merecem — de suporte psicológico qualificado. Não porque estão "doentes", mas porque o desempenho de excelência a longo prazo é sustentável apenas quando a saúde mental é tratada com a mesma seriedade que o treinamento físico.

Se você sente que está em uma fase de "seca" — no trabalho, nos estudos ou na vida pessoal — buscar o apoio de um psicólogo especializado pode ser o passo que faltava para retomar seu melhor desempenho.

Este artigo tem caráter informativo. Em caso de sofrimento psicológico intenso, procure um profissional de saúde mental habilitado.

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