Romarinho voltou ao futebol brasileiro em 2026 com 32 anos para defender o Criciúma na Série B do Brasileirão, mas a trajetória do atacante nas últimas temporadas vai muito além dos gols: ela levanta perguntas sérias sobre saúde mental, resiliência e a importância de suporte profissional para atletas em transição de carreira.
Após passagens polêmicas pelo Sport — onde entrou na Justiça por rescisão indireta por não-pagamento de salários — e pelo Vitória, de onde saiu sem marcar gols, Romarinho chegou ao Tigre Catarinense buscando uma nova chance. O Criciúma o oficializou como reforço para o campeonato, e o jogador já esteve nas escalações das primeiras rodadas da Série B 2026.
Quando a carreira esportiva vira uma montanha-russa
A trajetória de Romarinho é o retrato de milhares de atletas profissionais brasileiros. Ele atingiu seu auge no Corinthians, conquistou títulos expressivos e chegou a jogar no futebol do Oriente Médio. Mas os anos seguintes trouxeram mudanças de clube em clube, conflitos contratuais e pouca regularidade.
Segundo dados do Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol do Estado de São Paulo (Saffesp), mais de 60% dos jogadores profissionais relatam ter enfrentado episódios de ansiedade ou depressão durante a carreira, frequentemente associados a trocas constantes de clube, lesões ou queda de desempenho.
Para um atleta de 32 anos como Romarinho, a pressão não é só física. É a pressão de provar que ainda é capaz, de competir com jovens de 20 anos, de manter renda familiar e de lidar com críticas nas redes sociais. Nesse contexto, a saúde mental deixou de ser um assunto secundário no esporte de alto rendimento.
O que a ciência diz sobre saúde mental no esporte profissional
O Ministério do Esporte do Brasil publicou em 2024 diretrizes específicas sobre saúde mental para atletas profissionais, reconhecendo que o bem-estar psicológico é tão fundamental quanto o condicionamento físico.
Entre os fatores de risco mais identificados estão: instabilidade financeira por rescisão contratual, incerteza sobre continuidade na carreira, afastamentos por lesão sem acompanhamento psicológico adequado, e pressão de redes sociais e torcidas.
Psicólogos esportivos indicam que técnicas como mindfulness, terapia cognitivo-comportamental (TCC) e periodização psicológica — análoga ao treinamento físico — podem fazer diferença real na performance e na longevidade de carreiras esportivas.
"O atleta que cuida da mente performa melhor e se mantém mais tempo no esporte de alto nível", explica o conceito base da psicologia do esporte. Clubes como o Flamengo e o Palmeiras já incorporaram psicólogos esportivos no staff técnico de forma permanente.
Sinais de alerta que atletas (e treinadores) não devem ignorar
A história de Romarinho também levanta um ponto importante para técnicos, preparadores e dirigentes: como identificar quando um atleta está sofrendo emocionalmente?
Os sinais mais comuns incluem queda abrupta de desempenho sem causa física aparente, isolamento social no vestiário, irritabilidade excessiva ou apatia, falta de motivação para treinos, e dificuldade de concentração em momentos-chave.
Nesses casos, a intervenção de um médico especialista em saúde mental esportiva ou de um psicólogo clínico com experiência em performance é essencial. Ignorar esses sinais pode acelerar o fim prematuro de uma carreira — e comprometer a qualidade de vida do atleta após a aposentadoria.
O recomeço como ferramenta de aprendizado
O que Romarinho está fazendo ao se juntar ao Criciúma na Série B 2026 é o que especialistas chamam de "transição resiliente": a capacidade de se reinventar após quedas, usar experiência acumulada como vantagem e buscar novos contextos onde possa gerar valor.
Esse processo, quando bem acompanhado, pode ser transformador não apenas para o atleta, mas para todos ao redor. O atacante que já passou pelo Corinthians, Al-Sailiya, Göztepe e outros clubes carrega um repertório técnico e tático que vai muito além dos gols — se souber como usá-lo.
Para atletas em processo de reinvenção profissional, médicos e psicólogos especializados em saúde esportiva recomendam: estabeleça metas concretas de curto prazo, construa uma rotina estruturada fora dos treinos, mantenha conexões sociais fora do futebol, e não hesite em buscar ajuda profissional quando os sinais de estresse aparecerem.
Quando buscar ajuda especializada
Se você é atleta, treinador ou profissional do esporte e reconhece esses padrões — seja em si mesmo ou em alguém próximo — a orientação de um médico especializado em saúde mental ou de um psicólogo esportivo pode fazer toda a diferença.
No Brasil, o CFM (Conselho Federal de Medicina) reconhece a especialidade de Psiquiatria e Psicologia Clínica como fundamentais no acompanhamento de atletas de alto rendimento. Profissionais capacitados podem ajudar a montar um plano de saúde mental personalizado, compatível com as demandas do esporte profissional.
Segundo o Conselho Federal de Medicina, o cuidado com a saúde mental é parte integrante da medicina esportiva moderna, e buscar apoio não é sinal de fraqueza — é estratégia de performance.
Na plataforma Expert Zoom, você pode encontrar médicos e psicólogos com experiência em saúde esportiva prontos para atendimento. O recomeço começa com a decisão de se cuidar de verdade.
Aviso: Este artigo é informativo e não substitui consulta médica ou avaliação psicológica profissional. Caso você ou alguém próximo apresente sinais de sofrimento emocional, procure um profissional de saúde qualificado.

Gabriel Alves