Homem português em consulta de saúde mental com terapeuta em Lisboa

Peaky Blinders: The Immortal Man — O que o filme ensina sobre saúde mental e vícios

5 min de leitura 21 de março de 2026

A estreia de "Peaky Blinders: The Immortal Man" na Netflix a 20 de março de 2026 trouxe de volta Tommy Shelby ao ecrã, mas também reacendeu o debate sobre saúde mental, vício e trauma masculino. O filme, realizado por Tom Harper e escrito por Steven Knight, criador da série original, obteve 91% de aprovação no Rotten Tomatoes e 7.7/10 no IMDb, confirmando o impacto duradouro desta narrativa ambientada na Birmingham destruída pela Segunda Guerra Mundial.

O Regresso de Tommy Shelby: PTSD e Paternidade em Conflito

O protagonista interpretado por Cillian Murphy regressa à cidade bombardeada para encontrar o filho afastado no comando do gangue Peaky Blinders. Esta dinâmica familiar espelha um padrão clínico recorrente: veteranos de guerra com perturbação de stress pós-traumático (PTSD) que enfrentam dificuldades em manter vínculos afetivos estáveis. A série televisiva já havia explorado o trauma de Tommy na Primeira Guerra Mundial através de flashbacks das trincheiras e episódios de dissociação.

Segundo dados da Direção-Geral da Saúde, entre 15% a 30% dos veteranos de conflitos armados desenvolvem PTSD crónico. Os sintomas incluem hipervigilância, pesadelos recorrentes, evitamento emocional e dificuldade em expressar afeto — características claramente visíveis na personagem ao longo das seis temporadas e agora no filme. A narrativa cinematográfica não romantiza estas sequelas: mostra Tommy incapaz de abraçar o filho, com tremores nas mãos e olhar vazio típico de quem viveu trauma prolongado.

Em Portugal, a questão dos veteranos com PTSD ganhou visibilidade nas últimas décadas através de quem serviu nas guerras coloniais em África. Estudos realizados pelo Hospital Militar de Belém documentaram prevalência superior a 20% de PTSD entre antigos combatentes da Guerra Colonial, muitos dos quais permaneceram décadas sem reconhecer ou tratar os sintomas. A negação da ajuda profissional, alimentada por noções ultrapassadas de virilidade, resultou em taxas alarmantes de divórcios, desemprego crónico e isolamento social nesta população. O silêncio em torno do sofrimento psicológico criou gerações marcadas por trauma não verbalizado — exatamente o que Steven Knight retrata na relação entre Tommy e o filho.

Adição e Automedicação: O Ciclo Vicioso da Masculinidade Tóxida

A saga Peaky Blinders sempre retratou o consumo de álcool, tabaco e ópio como mecanismos de fuga. Tommy Shelby bebe whisky ao pequeno-almoço, fuma incessantemente e recorre a láudano (tintura de ópio) para adormecer. Este padrão de automedicação reflete dados preocupantes: homens com PTSD têm três vezes mais probabilidade de desenvolver dependência de substâncias do que a população geral.

O Relatório Anual sobre a Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências (SICAD) revela que 78% dos pedidos de tratamento por dependência de álcool em Portugal provêm de homens. Mais revelador ainda: entre indivíduos com diagnóstico duplo (perturbação mental e dependência), o atraso médio entre o início dos sintomas e a procura de ajuda ultrapassa os sete anos. Durante este período, o consumo agrava-se progressivamente, afetando saúde física, emprego e relações familiares.

O filme amplifica esta dimensão ao mostrar a geração seguinte — o filho de Tommy — a replicar os mesmos comportamentos destrutivos. Profissionais de saúde mental alertam que filhos de pais com dependências não tratadas apresentam risco 40% superior de desenvolver vícios na idade adulta, criando um ciclo intergeracional de trauma. A obra de Steven Knight não oferece soluções fáceis, mas expõe cruamente as consequências da recusa em procurar ajuda especializada. Nas comunidades de bairros sociais portugueses, técnicos de proximidade observam padrões semelhantes: pais com problemas de álcool ou consumo de substâncias raramente procuram tratamento antes de a situação colapsar através de internamento hospitalar, perda de custódia ou conflitos judiciais.

Quando a Ficção Reflete a Realidade Clínica

Barry Keoghan e Rebecca Ferguson completam o elenco principal, trazendo novas camadas à trama. A personagem de Ferguson, segundo críticas internacionais, representa uma figura feminina que confronta Tommy com a necessidade de tratamento psicológico — um elemento narrativo importante numa época (anos 1940) em que a saúde mental masculina era tabu absoluto.

Atualmente, a Ordem dos Psicólogos Portugueses regista aumento de 62% na procura de consultas por parte de homens entre 2020 e 2025, sinalizando mudança cultural gradual. Contudo, persistem barreiras: vergonha social, crença de que "homens não choram" e desconhecimento sobre sintomas de depressão e ansiedade. A representação mediática de personagens como Tommy Shelby pode funcionar como catalisador para conversas difíceis, desde que acompanhada de informação clínica rigorosa.

Procurar Ajuda é Sinal de Força, Não Fraqueza

Para quem se identifica com temas retratados no filme — trauma não resolvido, consumo excessivo de álcool ou drogas, dificuldade em manter relações saudáveis — existem recursos acessíveis. A consulta com psicólogos especializados em PTSD, terapeutas de adições ou psiquiatras pode marcar a diferença entre perpetuar ciclos destrutivos e construir vida significativa.

O primeiro passo consiste em reconhecer os sinais: sintomas persistentes por mais de um mês após evento traumático, necessidade crescente de consumir álcool ou outras substâncias para funcionar, conflitos repetidos com familiares ou colegas. Marcar consulta no centro de saúde permite acesso a médico de família que pode encaminhar para especialista, enquanto centros de respostas integradas (CRI) oferecem apoio gratuito e confidencial para questões relacionadas com drogas e álcool. Programas como os Alcoólicos Anónimos funcionam em dezenas de localidades portuguesas, proporcionando comunidade de apoio sem custos.

Para quem prefere acompanhamento privado, plataformas digitais facilitam a comparação entre profissionais qualificados. Na plataforma Expert Zoom, é possível encontrar psicólogos especializados em PTSD, terapeutas de adições certificados e psiquiatras com experiência em trauma complexo. O sistema permite filtrar por localização, disponibilidade para consultas online e áreas de especialização específicas — desde terapia EMDR para trauma até programas de desintoxicação supervisionada. Ao contrário de Tommy Shelby, que viveu numa época sem alternativas terapêuticas validadas, qualquer pessoa pode hoje aceder a tratamento baseado em evidência científica sólida.


Aviso Legal: Este artigo tem fins informativos e não substitui diagnóstico ou tratamento médico. Em caso de pensamentos suicidas ou crise aguda, contacte a Linha SOS Voz Amiga (213 544 545), disponível 24 horas, ou dirija-se ao serviço de urgência hospitalar mais próximo. Informações sobre saúde mental devem ser sempre validadas por profissionais habilitados.

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