Médico a examinar o ouvido de um paciente numa clínica moderna

Rovanperä abandona Super Fórmula por vertigem: o que é BPPV e quando consultar um médico

4 min de leitura 22 de março de 2026

Kalle Rovanperä, bicampeão mundial de rali e um dos pilotos mais talentosos da sua geração, anunciou a 21 de março de 2026 que vai suspender a sua participação no campeonato japonês Super Fórmula devido a problemas de saúde. O diagnóstico: vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) — uma doença do ouvido interno que, apesar de não ser perigosa, pode ser completamente incapacitante.

O que aconteceu a Rovanperä?

O piloto finlandês, que abandonou o Campeonato do Mundo de Rali (WRC) no final de 2025 para tentar a aventura nas monolugares, foi forçado a retirar-se apenas duas semanas antes do início da época de Super Fórmula em Motegi. A Toyota e a equipa KCMG confirmaram a decisão no sábado, 21 de março de 2026.

Rovanperä explicou: "Tenho trabalhado com problemas de saúde durante um período mais longo, que pioraram este ano. Era evidente que o meu corpo não conseguia acompanhar a velocidade."

O diagnóstico de VPPB surgiu durante os primeiros testes em Suzuka, onde o piloto sentiu tonturas graves ao volante — um sinal de alarme imediato num desporto onde as reações têm de ser milissegundos. A Toyota garantiu que "vai apoiar Kalle no seu regresso assim que estiver pronto".

O que é a VPPB?

A vertigem posicional paroxística benigna é uma das causas mais comuns de vertigem no mundo. Em Portugal, estima-se que afete entre 2% e 3% da população em algum momento da vida. É especialmente prevalente em pessoas acima dos 50 anos, mas — como o caso Rovanperä (25 anos) demonstra — pode surgir em qualquer idade, muitas vezes após um traumatismo craniano ou de forma espontânea sem causa identificável.

Como funciona? O ouvido interno contém pequenos cristais de cálcio chamados otólitos. Quando estes cristais se deslocam para os canais semicirculares errados, enviam sinais confusos ao cérebro sobre a posição do corpo. O resultado: episódios intensos de vertigem que podem durar de segundos a minutos, frequentemente desencadeados por movimentos da cabeça.

Os principais sintomas incluem:

  • Sensação intensa de rotação ao mudar de posição
  • Náuseas e desequilíbrio
  • Nistagmo (movimento involuntário dos olhos)
  • Dificuldade em realizar tarefas que exijam precisão de movimentos

Quando é que a vertigem precisa de avaliação médica?

O caso Rovanperä levanta uma questão importante: quando é que um episódio de vertigem deve levar ao médico? A resposta é: quase sempre, mas sobretudo nestas situações:

  1. Primeira vez que ocorre — é essencial descartar causas mais graves, como AVC ou tumor
  2. Vertigem persistente (mais de 1 minuto) — pode indicar outro tipo de patologia
  3. Acompanhada de dor de cabeça intensa, diplopia ou fraqueza muscular — sinais de alerta neurológico
  4. Em contextos de risco — condução, trabalho em altura, maquinaria pesada
  5. Após queda ou traumatismo craniano — a VPPB é frequente nestas situações

No caso de Rovanperä, a vertigem num cockpit a alta velocidade representava um risco real de acidente. A decisão de parar foi correta e provavelmente salva-guarda a sua carreira a longo prazo.

Diagnóstico e tratamento: existe solução?

A boa notícia é que a VPPB é, na maioria dos casos, tratável. O tratamento mais eficaz chama-se manobra de Epley — uma sequência de movimentos guiados pelo médico que repositiona os cristais do ouvido para o seu lugar correto. Em estudos clínicos, esta manobra tem uma taxa de sucesso superior a 80% numa única sessão.

Outras abordagens incluem:

  • Reabilitação vestibular: exercícios progressivos para "reeducar" o sistema de equilíbrio
  • Medicação antiemética: para controlar náuseas durante os episódios
  • Vigilância e repouso: em casos leves, os cristais voltam ao lugar espontaneamente

Em casos raros e resistentes ao tratamento conservador, pode considerar-se intervenção cirúrgica — mas isso representa menos de 5% dos casos.

O impacto no desporto de alto rendimento

O caso do piloto finlandês não é único. Vários atletas de elite já foram afetados por problemas vestibulares. Em desportos que exigem controlo fino de movimentos — rali, ginástica, natação sincronizada, esgrima — a vertigem pode ser literalmente paralisante.

Para atletas amadores, a mensagem é clara: não ignore episódios de vertigem. O que parece um enjoo passageiro pode esconder um problema que, se não tratado, piora e compromete o treino, a competição e a segurança no dia a dia.

Rovanperä tem todo o apoio da Toyota para regressar quando estiver em condições. A sua carreira não terminou — apenas ficou temporariamente em pausa. O mesmo pode acontecer a qualquer pessoa: um diagnóstico precoce faz toda a diferença.

Quando consultar um especialista?

Se sofre de episódios de vertigem, tonturas recorrentes ou desequilíbrio, não espere. Um médico especialista pode diagnosticar a causa em poucos minutos e, muitas vezes, tratar o problema na mesma consulta.

Na Expert Zoom encontra médicos especializados em otorrinolaringologia e medicina vestibular, disponíveis para consulta online ou presencial — sem listas de espera longas.


Nota: Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico profissional. Em caso de vertigem aguda ou sintomas neurológicos, recorra aos serviços de urgência.

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