Mulher portuguesa consultando documentos numa plataforma de compras online em casa

BOL.com remove produtos sem dados obrigatórios a partir de 1 de abril: o que muda para compradores e vendedores portugueses

Sofia Sofia CostaJurídico
4 min de leitura 24 de março de 2026

A partir de 1 de abril de 2026, a plataforma BOL.com vai retirar da venda todos os produtos que não cumpram os requisitos legais de informação obrigatória. O aviso foi dado aos vendedores no dia 18 de março de 2026 — dez dias antes do prazo. Para compradores e vendedores portugueses que usam esta plataforma de comércio eletrónico, há direitos e obrigações claras que importa conhecer.

O que mudou na BOL.com e porquê

A BOL.com — plataforma de origem neerlandesa disponível em Portugal, Bélgica e Países Baixos — notificou os seus parceiros comerciais de que produtos sem os dados legalmente exigidos serão removidos faseadamente a partir de 1 de abril. Os vendedores afetados receberão um aviso visível no painel de gestão da conta.

A medida resulta do reforço da Diretiva Europeia de Produtos, que obriga as plataformas digitais a garantir que toda a informação obrigatória esteja visível antes da compra. Entre os dados exigidos: indicação clara do país de origem, aviso de conformidade CE quando aplicável, informações de segurança, e identificação do fabricante ou responsável pela colocação no mercado.

Em Portugal, o mercado de comércio eletrónico atingiu 12,9 mil milhões de euros em 2025, com crescimento de 6,7%, segundo a ACEPI (Associação do Comércio Eletrónico e Publicidade Interativa). A BOL.com opera aqui essencialmente como marketplace — ou seja, a plataforma é apenas o intermediário entre vendedores independentes e compradores. Essa distinção tem implicações jurídicas importantes.

Direitos do comprador: o que muda na prática?

Para os consumidores portugueses, a remoção de produtos sem informação completa é uma boa notícia — em teoria. Na prática, convém conhecer os direitos em caso de problemas:

Direito de arrependimento: Em compras online, o consumidor tem 14 dias para devolver qualquer produto sem indicar motivo, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 24/2014 (transposto da Diretiva 2011/83/UE). Este prazo conta a partir do dia em que recebe a encomenda.

Garantia legal: Todo o produto vendido na UE tem garantia mínima de dois anos. Em Portugal, desde janeiro de 2022, o prazo de garantia foi alargado para três anos em produtos novos, ao abrigo da Lei n.º 47/2022. Se um produto comprado na BOL.com apresentar defeito dentro deste prazo, tem direito a reparação, substituição, redução do preço ou resolução do contrato.

Responsabilidade em marketplace: Aqui está o ponto crítico. Quando compra num marketplace, o contrato é celebrado com o vendedor independente, não com a plataforma. Se o vendedor for difícil de contactar ou não responder, pode recorrer à BOL.com enquanto intermediária — mas a plataforma só é responsável direta se souber que o produto tem problemas e não agir.

Produto sem informação obrigatória: Se recebeu um produto que não cumpre os requisitos legais de informação — por exemplo, sem indicação do país de origem ou sem aviso CE num produto eletrónico — tem direito a reclamar junto do vendedor e, se necessário, do Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo ou da DECO.

Direitos do vendedor: o que fazer antes do prazo

Para os vendedores portugueses que utilizam a BOL.com como canal de distribuição, o prazo de 1 de abril é urgente. A não conformidade significa remoção do produto — e eventual perda de receita.

Os requisitos mais comuns que faltam, segundo os avisos da BOL.com, são:

  • Designação legal do produto e marca
  • Número de modelo ou referência do fabricante
  • País de origem (especialmente para produtos importados da Ásia)
  • Informações de segurança e de conformidade (CE, RoHS, etc.)
  • Identificação do responsável pela colocação no mercado na UE

Se é vendedor e recebeu o aviso da BOL.com, o caminho mais rápido é atualizar as fichas de produto diretamente no portal de parceiros. Se tiver dúvidas sobre a classificação legal dos seus produtos, um advogado especializado em direito do consumidor ou um consultor de compliance pode ajudá-lo a identificar o que falta e como cumprir.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) disponibiliza orientações sobre requisitos legais de produtos no Portal do Consumidor, gerido pela Direção-Geral do Consumidor.

Como reclamar se o seu produto foi removido indevidamente

Nem todas as remoções são justificadas. Se a BOL.com retirou um produto seu por suposta falta de informação mas considera que está em conformidade, tem direito a contestar:

  1. Contactar o suporte de parceiros da BOL.com e apresentar evidências de conformidade (fichas técnicas, certificados, declaração CE)
  2. Solicitar esclarecimento por escrito sobre o requisito específico que alegadamente não está cumprido
  3. Recorrer à mediação se não obtiver resposta satisfatória — em Portugal, a CNIACC (Comissão Nacional de Acesso ao Direito) pode orientar

Para consumidores que tenham adquirido produtos entretanto removidos e queiram reclamar uma garantia: a remoção do produto da plataforma não extingue os seus direitos. O contrato foi celebrado com o vendedor, e esse vínculo jurídico mantém-se.

O que esta mudança revela sobre o futuro do comércio digital

A decisão da BOL.com não é isolada. Faz parte de um movimento mais amplo de reforço do cumprimento normativo nas grandes plataformas digitais europeias, impulsionado pelo Digital Services Act (DSA) e pelo Regulamento Geral de Produtos da UE, que entrará em vigor em fases até 2027.

Cada vez mais, as plataformas de comércio eletrónico respondem juridicamente pelo que vendem — ou pelo que permitem vender. Para os consumidores, isso é uma proteção reforçada. Para os vendedores, uma exigência acrescida de compliance.

Se tiver dúvidas sobre os seus direitos enquanto comprador ou vendedor em plataformas online, um advogado especializado em direito do consumidor digital pode dar-lhe uma resposta clara. Na Expert Zoom encontra profissionais disponíveis para consulta online ou presencial em Portugal — sem burocracia, com rapidez.

Aviso: Este artigo tem carácter informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para situações concretas, consulte um advogado qualificado.

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