Terras-raras disparam no Brasil: como investidores podem aproveitar a corrida pelos minerais do futuro
Uma empresa americana acaba de comprar a mineradora brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões — e o Brasil passou a ser protagonista em uma das disputas geopolíticas mais intensas do século: a corrida pelas terras-raras. Em abril de 2026, o termo "terras-raras" tornou-se um dos mais buscados no Brasil, e com razão: o país detém algumas das maiores reservas do mundo desses minerais estratégicos, e o mercado começa a perceber o que isso significa.
O que são as terras-raras e por que todo mundo está falando nelas agora?
Terras-raras são um grupo de 17 elementos químicos — como o neodímio, o lantânio e o érbio — essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones e equipamentos militares. Sem elas, a transição energética global simplesmente para.
A China domina hoje cerca de 60% da produção mundial e 85% do processamento desses minerais — o que deu ao país um poder de barganha enorme nas disputas comerciais com os Estados Unidos. Em resposta, Washington acelerou acordos com países detentores de reservas alternativas. O Brasil entrou no radar.
Em fevereiro de 2026, o Brasil assinou um acordo de colaboração com a Índia para transferência de tecnologia e pesquisa em mineração de terras-raras — um sinal claro da posição estratégica que o país ocupa nesse tabuleiro global. O aporte em projetos pré-operacionais no Brasil já soma R$ 13,2 bilhões, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM).
A compra da Serra Verde: o que mudou?
A aquisição da mineradora brasileira Serra Verde pela USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões foi um marco. A Serra Verde opera a mina Pela Ema, em Goiás — considerada uma das mais ricas em terras-raras da América Latina.
A operação representa não apenas um investimento financeiro, mas um movimento geopolítico: os EUA tentam garantir fornecimento de terras-raras fora da influência chinesa. Para o Brasil, é um sinal de que o país tem ativos que o mundo inteiro quer — e está disposto a pagar muito bem por eles.
Para investidores brasileiros, esse cenário cria oportunidades — mas também riscos que exigem análise cuidadosa.
O que os dados dizem: rentabilidade e riscos
Segundo levantamento publicado pelo Investidor10 em 2026, investimentos ligados a terras-raras já renderam 30% no primeiro trimestre do ano — superando o CDI e muitos fundos de renda variável. Ações como VALE3 foram citadas pela XP Investimentos como exposição indireta ao setor.
Mas atenção: o setor tem características específicas que o tornam de alto risco:
- Prazo longo: segundo a ANM, o ciclo completo — da pesquisa até a produção — leva entre 15 e 20 anos. Isso significa que quem investe hoje não verá retorno imediato.
- Baixo índice de sucesso: de cada 500 a 1.000 autorizações de pesquisa emitidas, apenas 1 se transforma em mina operacional.
- Alta necessidade de capital: extrair 1 kg de terras-raras refinadas exige processar 1 tonelada de argila iônica — o que torna a operação intensiva em investimento.
- Dependência de política pública: os projetos dependem de licenças ambientais, acordos de exportação e apoio governamental. Mudanças de cenário político podem impactar diretamente os retornos.
Como um investidor brasileiro pode ter exposição ao setor?
Para o investidor pessoa física, as opções mais acessíveis hoje são:
1. Ações de mineradoras com exposição indireta: VALE3 é o exemplo mais citado, mas há outras companhias com projetos em minerais críticos na carteira. O risco aqui é que a exposição às terras-raras é diluída por outros negócios da empresa.
2. ETFs internacionais: fundos negociados em bolsa com foco em minerais estratégicos ou metais raros, disponíveis nas bolsas americanas (NYSE) e acessíveis via conta em corretora com acesso a BDRs ou investimento no exterior.
3. Fundos de private equity: para investidores qualificados (acima de R$ 1 milhão em aplicações financeiras), alguns fundos já começam a estruturar veículos de investimento em mineração estratégica no Brasil.
4. Títulos de renda fixa de mineradoras: debêntures emitidas por empresas do setor podem oferecer rendimento superior ao CDI, mas com risco de crédito específico da empresa emissora.
O papel do consultor de patrimônio nesse cenário
Investir em terras-raras não é como comprar Tesouro Direto. É uma aposta em um setor altamente especializado, com ciclos longos, volatilidade de curto prazo e forte influência de fatores geopolíticos que poucos investidores acompanham de perto.
Um consultor de gestão patrimonial pode ajudar a:
- Avaliar o perfil de risco do investidor em relação ao horizonte temporal necessário
- Identificar os melhores veículos de exposição ao setor sem concentração excessiva
- Monitorar o cenário regulatório e geopolítico que afeta os preços desses ativos
- Equilibrar a carteira com ativos mais líquidos e previsíveis
Na Expert Zoom, consultores especializados em gestão de patrimônio estão disponíveis para ajudar investidores a analisarem se e como incluir terras-raras — ou outros ativos de commodities estratégicas — em suas carteiras.
Brasil no centro do tabuleiro global
O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de nióbio, é relevante em lítio e agora consolida sua posição em terras-raras. O país que por décadas exportou commodities sem agregar valor começa a receber investimentos estratégicos que reconhecem o potencial dessa riqueza mineral.
Para investidores atentos, a janela de oportunidade existe — mas exige preparação, paciência e orientação especializada. A corrida pelas terras-raras já começou, e o Brasil está bem posicionado. A questão é: você vai acompanhar essa corrida com a estratégia certa?
Aviso importante: Este artigo tem caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento. Antes de tomar qualquer decisão financeira, consulte um assessor de investimentos ou consultor patrimonial devidamente habilitado pela CVM.

Jose Santos