Depois de seis anos no vermelho, a Riachuelo voltou ao lucro no primeiro trimestre de 2026 — e agora opera na Bolsa com o novo ticker RIAA3. A notícia animou investidores e analistas, mas levanta uma pergunta importante: é hora de colocar a varejista na carteira? Um especialista em gestão de patrimônio explica o que os números revelam e o que ainda pesa contra a ação.
A virada da Riachuelo: o que aconteceu
O Grupo Guararapes — controlador da Riachuelo — oficializou a mudança de nome e ticker na B3 em fevereiro de 2026. A partir daí, as ações da varejista passaram a ser negociadas sob RIAA3, em linha com a estratégia de fortalecer a marca Riachuelo como identidade corporativa.
O resultado do primeiro trimestre de 2026 veio logo depois e surpreendeu positivamente: R$ 5 milhões de lucro líquido, revertendo um prejuízo de R$ 26,6 milhões no mesmo período de 2025. Modesto em termos absolutos, mas carregado de simbolismo — é o primeiro trimestre lucrativo em seis anos.
O resultado de 2025 como um todo também foi histórico: R$ 322 milhões de lucro, o melhor ano desde a fundação da empresa. O crescimento de vendas nas lojas existentes (same-store sales) atingiu 10,1% no primeiro trimestre de 2026, o 11º trimestre consecutivo de expansão.
O plano de expansão e o que ele significa para o investidor
A Riachuelo não está em modo de recuperação — está em modo de crescimento. A empresa planeja abrir entre 15 e 20 novas lojas em 2026, com investimento previsto de R$ 150 a R$ 180 milhões. Um novo formato de loja, com tecnologia integrada ao atendimento, foi inaugurado no ParkShopping Barigüi, em Curitiba, e servirá de modelo para as próximas aberturas.
Para o investidor, isso levanta questões relevantes:
Crescimento real ou alavancagem? A abertura de lojas exige capital. Se financiado com dívida, pode pressionar margens nos próximos trimestres. Um especialista em patrimônio pode ajudar a comparar o ROIC (retorno sobre capital investido) da empresa com o custo de oportunidade de outros ativos.
Qual é o valuation atual? Após seis anos de prejuízo, o preço de tela do RIAA3 embute expectativas de recuperação. Isso pode significar que boa parte do upside já foi precificada pelo mercado — ou que há espaço para mais valorização, dependendo da execução da empresa.
Dividendos ou crescimento? A Riachuelo pagou R$ 40 milhões em juros sobre capital próprio no trimestre, sinal de que está distribuindo capital aos acionistas mesmo enquanto expande. Mas isso não é garantia de manutenção nos próximos trimestres.
O risco que ninguém está falando: a polêmica da escala 6x1
No dia 23 de maio de 2026, o dono da Riachuelo, Flávio Rocha, se posicionou publicamente contra o fim da escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho por um de folga). Segundo ele, a mudança elevaria os custos do varejo em 18 a 20% — o que pressionaria margens e, consequentemente, resultados futuros.
A declaração jogou luz em um risco real para o setor varejista. Se o Congresso Nacional avançar com a regulamentação da PEC que limita a escala 6x1, empresas trabalho-intensivas como a Riachuelo precisarão readequar sua estrutura de pessoal. Isso pode significar:
- Aumento do quadro de funcionários para cobrir a mesma quantidade de horas de operação
- Pressão sobre a folha de pagamento já nos próximos dois a três anos
- Necessidade de automatizar funções operacionais para compensar o custo maior
Para o investidor de longo prazo, esse é um cenário a monitorar — especialmente porque o varejo físico é intensivo em mão de obra de forma estrutural.
O que um gestor de patrimônio analisaria antes de comprar RIAA3
Antes de qualquer decisão de investimento em uma ação individual, um especialista em gestão de patrimônio costuma avaliar:
Contexto macroeconômico: Com a taxa Selic ainda elevada em 2026, a competição por capital é intensa. Renda fixa com retorno acima de 13% ao ano exige que ações ofereçam prêmio de risco compatível.
Histórico de consistência: Seis anos de prejuízo é uma marca difícil de apagar em um único trimestre. A análise da estrutura de capital, da evolução do EBITDA e da qualidade das margens é indispensável.
Exposição ao risco regulatório: A polêmica da escala 6x1 é um risco de cauda que o mercado pode ainda não ter precificado adequadamente.
Diversificação da carteira: Ações do varejo físico tendem a ter correlação alta com o ciclo de crédito brasileiro. Quem já tem exposição ao consumo interno deve avaliar se mais varejo no portfólio faz sentido ou apenas concentra risco.
Segundo o Banco Central do Brasil, o mercado de capitais brasileiro tem passado por amadurecimento com a entrada de investidores de varejo, o que torna a análise fundamentalista ainda mais relevante para diferenciar oportunidades reais de entusiasmos momentâneos.
Quando faz sentido buscar orientação especializada
Se você está considerando adicionar RIAA3 à carteira — ou qualquer ação de empresa em recuperação —, a consulta com um especialista em gestão de patrimônio faz diferença. Não porque a ação seja boa ou má, mas porque o contexto individual importa: seu perfil de risco, seu horizonte de investimento e a composição atual do seu portfólio determinam se a oportunidade faz sentido para você especificamente.
Na ExpertZoom, você pode se conectar com especialistas em investimentos e gestão de patrimônio para discutir sua estratégia. A análise começa pelo que você já tem — não pelo que o mercado está movimentando.
Este artigo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Consulte um especialista antes de tomar decisões financeiras.

Jose Santos