A tenista número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, foi eliminada do WTA 1.000 de Roma em 11 de maio de 2026 pela romena Sorana Cirstea, com parciais de 2/6, 6/3 e 7/5. Após a partida, segundo TenisNews e Mix Vale, a bielorrussa admitiu que problemas físicos a limitaram durante o jogo, com dores na região lombar conectadas ao quadril que impediram rotação completa do tronco. A queda em Roma joga incerteza sobre Roland Garros, que começa em 24 de maio.
Mais relevante para o leitor médio do que o ranking da WTA: Sabalenka relatou exatamente o tipo de dor que afeta entre 60% e 80% dos adultos brasileiros em algum momento da vida, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. A dor lombar baixa, especialmente quando irradia para o quadril ou limita movimentos, é o motivo número 1 de afastamento do trabalho no país. E os sinais que Sabalenka descreveu são os mesmos que merecem avaliação especializada em qualquer corpo, atleta ou não.
O que Sabalenka relatou — em termos clínicos
Em entrevista coletiva pós-jogo, a tenista descreveu: "Meu corpo estava me limitando. Provavelmente é na parte inferior das costas, conectada ao quadril, o que me limita na rotação completa." A descrição é compatível com o que ortopedistas chamam de síndrome lombo-pélvica, em que dor na coluna lombar baixa se manifesta junto com restrição funcional do quadril e da musculatura paravertebral.
A combinação não é coincidência. A cadeia de movimento do tronco depende de articulação saudável entre coluna, sacro, articulações sacroilíacas e quadril. Quando uma dessas estruturas falha, o restante da cadeia compensa — e dor irradiada para a região do glúteo, da virilha ou ao longo da coxa surge como sintoma secundário.
Sabalenka já havia desistido do WTA de Stuttgart em abril por lesão não divulgada, conforme TenisNews e CNN Brasil. A possibilidade de quadro crônico mal tratado é alta — e a tenista atravessa o cenário de elite com risco de agravamento bem documentado.
Os 3 sinais de que sua dor lombar exige um especialista
A dor lombar comum, sem fatores de alarme, costuma melhorar em 4 a 6 semanas com repouso relativo, antiinflamatório e fisioterapia. Mas há sinais que mudam o quadro:
1. Dor que irradia para nádega, coxa ou perna
Quando a dor não fica localizada na coluna e desce, pode ser sinal de comprometimento de raiz nervosa (popularmente, "ciática"). Esse padrão de dor exige avaliação ortopédica em até 7 a 14 dias. Se houver fraqueza muscular ou perda de sensibilidade na perna, é urgência.
2. Limitação de movimento que não melhora em 72 horas
Travamento da coluna que persiste após 3 dias de repouso, anti-inflamatório e calor local sugere mais do que contratura muscular. Pode ser hérnia de disco, espondilolistese ou inflamação articular. Conforme orientação do Ministério da Saúde em diretrizes para atenção primária, dor lombar persistente além de 4 semanas requer reavaliação obrigatória.
3. Dor que piora à noite ou ao deitar
Dor que melhora com movimento e piora em repouso é sinal vermelho. Pode indicar processo inflamatório (espondilite, sacroileíte) ou, em casos raros, condições mais graves. Esse padrão não se resolve com analgésico — exige investigação por imagem (ressonância) e avaliação reumatológica ou neurocirúrgica.
Por que atletas profissionais erram nesse diagnóstico
Sabalenka pode ter feito o que muitos atletas fazem: minimizar o sintoma para não perder calendário. A consequência é compensação biomecânica que agrava o problema. No corpo médio, a versão dessa armadilha é diferente — geralmente, é o paciente que automedica com anti-inflamatório por semanas, mascara a dor e perde a janela diagnóstica.
A regra simples usada por médicos de saúde do esporte: dor lombar que se repete ao longo de mais de uma semana, mesmo com intensidade moderada, merece exame físico especializado. Não é sinal de fraqueza — é sinal de que o corpo está pedindo ajustes que o paciente sozinho não consegue identificar.
Os profissionais certos para cada quadro
A confusão entre quem procurar gera atraso desnecessário. Como orientação geral:
- Clínico geral ou médico de família: porta de entrada, faz triagem, encaminha quando necessário.
- Ortopedista de coluna: avaliação estrutural, exames de imagem, indicação cirúrgica se aplicável.
- Fisioterapeuta com formação em coluna: tratamento conservador, mobilização articular, fortalecimento de core.
- Reumatologista: quando há suspeita de doença inflamatória articular (espondilite, sacroileíte, fibromialgia).
- Neurocirurgião: quando há comprometimento neurológico (hérnia com compressão, estenose).
- Médico do esporte: ideal para atletas e praticantes regulares, integra ortopedia e prescrição de exercício.
Para a maioria dos casos de dor lombar comum, o caminho é: clínico ou ortopedista → fisioterapeuta → reavaliação em 6 semanas. Se piora ou não melhora, encaminhamento para especialista.
Trabalho remoto piorou o cenário no Brasil
Pesquisa do IBGE de 2024 apontou aumento de 22% nos atendimentos por dor lombar em capitais brasileiras desde 2020. Os fatores: home office em mesas improvisadas, sedentarismo prolongado, ausência de pausa para alongamento, peso excessivo sem fortalecimento de core.
O perfil mais afetado é exatamente o adulto entre 30 e 50 anos, faixa etária produtiva. A dor lombar é hoje a principal causa de incapacidade no Brasil, segundo o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, à frente até de transtornos mentais e cardiovasculares.
Quando o seguro de saúde cobre o tratamento
A maioria dos planos de saúde brasileiros cobre consulta ortopédica, fisioterapia (com indicação médica), exames de imagem (raio-X, ressonância) e até procedimentos cirúrgicos. A carência para procedimentos de alta complexidade pode chegar a 180 dias.
O SUS oferece atendimento ortopédico em postos de saúde com encaminhamento. O acesso a ressonância e a fisioterapia gratuita pode ter fila — por isso, o atendimento precoce com clínico ou ortopedista é o que mais acelera o processo.
O que fazer hoje se você está com dor há mais de uma semana
Sintoma persistente é sinal claro de que o autocuidado não basta. Os passos recomendados:
- Suspender atividade física de impacto até avaliação.
- Anotar o padrão da dor (quando piora, quando melhora, irradia ou não).
- Buscar consulta com ortopedista ou médico de família — não esperar passar.
- Levar lista de medicamentos já tomados e tempo de uso.
No Expert Zoom, é possível localizar ortopedistas, fisioterapeutas e médicos do esporte em capitais e cidades médias do Brasil, comparando formação, foco em coluna e idiomas atendidos. A consulta presencial continua sendo o padrão para dor lombar — diagnóstico exige exame físico que telemedicina não substitui.
Sabalenka tenta chegar a Paris em condição de competir. A maioria dos brasileiros, porém, não disputa Roland Garros. Disputa a próxima segunda-feira de trabalho — e essa, sim, depende de uma consulta marcada hoje.

Gabriel Alves