Rita Guedes no Domingão com Ponto no Olho: Quando a Ptose Exige Cirurgia?

Rita Guedes, atriz brasileira — referência para artigo sobre ptose e cirurgia ocular

Photo : Sérgio Savarese / Wikimedia

6 min de leitura 24 de agosto de 2026

Na noite do último domingo, 17 de agosto de 2026, os telespectadores do Domingão com Huck, na TV Globo, depararam com uma cena inusitada: Rita Guedes, atriz de 54 anos com décadas de carreira nas telas brasileiras, entrou no palco usando óculos escuros dentro de um estúdio fechado. A própria Guedes tratou logo de explicar: havia realizado uma cirurgia no olho direito poucos dias antes e ainda carregava um ponto cirúrgico dentro do globo ocular. "Ainda está dentro", revelou a atriz, que estava confirmada no elenco da nova temporada do Dança dos Famosos e preferiu não faltar ao programa mesmo no meio da recuperação. A sutura seria removida três dias depois — mas a repercussão da revelação foi muito além do palco.

O episódio levantou uma questão que milhões de brasileiros se fazem regularmente e raramente levam a sério: quando um problema no olho é sério o suficiente para ir ao médico especialista? E o que acontece quando a resposta é "deixa pra lá"?

O que aconteceu com Rita Guedes e o que está por trás

Embora a atriz não tenha detalhado o diagnóstico, os relatos indicam um problema relacionado à elevação ocular — o que, em termos médicos, pode apontar para ptose palpebral (queda da pálpebra superior) ou alteração na musculatura extrínseca do olho. Em ambos os casos, a indicação cirúrgica ocorre quando a condição compromete o campo visual ou provoca assimetria funcional significativa.

A ptose palpebral adquirida — aquela que aparece ao longo da vida, e não desde o nascimento — afeta cerca de 1% dos adultos com mais de 40 anos no Brasil, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). As causas são variadas: envelhecimento natural do músculo levantador da pálpebra, trauma ocular, uso prolongado de lentes de contato rígidas, doenças neurológicas ou complicações de procedimentos estéticos. Em muitos casos, o paciente convive com a pálpebra levemente caída por meses — sem perceber que o campo visual já está sendo comprometido.

Por que esperar pode ser um erro

Ao contrário de uma conjuntivite viral que passa em dias, a grande maioria das condições que afetam a estrutura ocular — ptose, catarata, glaucoma, descolamento de retina, problemas na musculatura do olho — não regride espontaneamente. Sem tratamento adequado, tendem a progredir.

O CBO recomenda consultas oftalmológicas anuais para adultos a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas. O motivo é direto: várias das doenças oculares mais graves evoluem silenciosamente durante anos antes de causarem perda visual perceptível. O glaucoma, por exemplo, afeta cerca de 2,4% da população brasileira acima de 40 anos — e estima-se que metade dos casos permaneça sem diagnóstico.

Sintomas que justificam buscar atendimento sem demora:

  • Queda ou assimetria de pálpebra em relação à posição habitual que não existia antes
  • Visão dupla (diplopia) que surge de forma súbita ou progressiva
  • Perda de campo visual em qualquer direção, mesmo que parcial
  • Olho vermelho com dor que persiste além de 48 horas sem melhora
  • Flashes de luz ou surgimento repentino de muitas moscas volantes
  • Sensação de véu ou sombra sobre parte da visão

Qualquer um desses sinais pode indicar uma condição que requer avaliação urgente. O descolamento de retina é emergência oftalmológica — se não tratado em poucas horas, pode resultar em perda permanente da visão.

O que avalia um oftalmologista na primeira consulta

Na primeira consulta, o especialista vai muito além do teste clássico de acuidade visual com letras. O protocolo completo inclui:

  • Biomicroscopia (com lâmpada de fenda): avaliação detalhada da córnea, íris, cristalino e vítreo anterior
  • Fundoscopia: exame do fundo do olho, cobrindo retina, disco óptico e vasos sanguíneos
  • Tonometria: medição da pressão intraocular, fundamental para rastreamento de glaucoma
  • Avaliação de motilidade ocular: detecta desequilíbrios musculares como estrabismo e ptose
  • Perimetria (campo visual): mapeia perdas na visão central e periférica

Em casos como o de Rita Guedes, a avaliação de motilidade palpebral e o teste de campo visual provavelmente foram determinantes para a indicação cirúrgica. Cirurgias de correção de ptose — tecnicamente chamadas de blefaroplastia funcional quando têm indicação médica — duram entre 30 e 90 minutos, são realizadas com anestesia local e têm recuperação média de 10 a 14 dias. Durante esse período, o paciente usa colírios antibióticos e anti-inflamatórios, evita esforços físicos e exposição solar intensa — e, sim, usa óculos escuros. Exatamente como fez a atriz.

O que a demora de seis meses pode custar na prática

Imagine o caso de Ana Claudia, 46 anos, professora de Belo Horizonte. Em fevereiro de 2026, ela começou a notar que a pálpebra do olho esquerdo parecia "mais pesada" no final do dia. Convicta de que era cansaço, adiou a consulta por seis meses.

Quando finalmente procurou um oftalmologista em agosto, o diagnóstico foi ptose palpebral adquirida com comprometimento de 40% do campo visual superior esquerdo — e a cirurgia foi indicada de imediato.

O que a demora representou concretamente:

  • Risco não mensurado: Ana Claudia havia dirigido por seis meses com campo visual reduzido. A Resolução CFM nº 2.295/2021 prevê que ptoses com comprometimento acima de 20% do campo visual superior podem configurar contraindicação para a condução de veículos. Ela não sabia disso.
  • Custo da consulta sem plano: entre R$ 280 e R$ 500 em clínicas particulares de Belo Horizonte; com cobertura de plano de saúde, pode ser zero — mas apenas se o especialista registrar o diagnóstico formalmente em prontuário.
  • Custo da cirurgia sem cobertura: entre R$ 5.000 e R$ 10.000 para blefaroplastia funcional, dependendo da complexidade e da clínica. O que o plano cobre depende do Rol de Procedimentos da ANS, que foi atualizado em 2026 — e ptose com indicação médica documentada deve ser coberta.
  • Se o campo visual já estivesse comprometido em 60% ou mais: a cirurgia se tornaria mais complexa, com risco maior de assimetria pós-operatória. Em alguns casos, seria necessária uma técnica diferente — com fio de silicone em vez de sutura convencional —, de custo até 40% mais elevado e com prazo de recuperação estendido para 21 dias.

A regra prática: qualquer assimetria palpebral nova que persista por mais de duas semanas justifica consulta com oftalmologista — não com o clínico geral. O especialista tem os equipamentos necessários para diferenciar uma ptose funcional de um problema neurológico subjacente, que pode exigir investigação completamente diferente.

Em crianças, a janela de tratamento é mais curta

Em crianças com ptose, o risco adicional é o desenvolvimento de ambliopia — o chamado "olho preguiçoso". Quando uma pálpebra cobre parte do campo visual durante a infância, o cérebro aprende progressivamente a ignorar os sinais do olho afetado. Esse processo é reversível somente até por volta dos 7 a 8 anos de idade. Após essa janela de desenvolvimento visual, a perda de acuidade pode ser permanente.

Em crianças, qualquer assimetria palpebral perceptível é motivo para encaminhamento imediato a um oftalmologista pediátrico — sem aguardar a próxima consulta de rotina.

O que fazer agora

O caso de Rita Guedes no Domingão com Huck reacendeu um debate importante: problemas oculares que parecem apenas estéticos — uma pálpebra levemente caída, um olho que parece "menor" que o outro em fotos — podem ter consequências funcionais sérias e silenciosas. A boa notícia é que, diagnosticados cedo, a grande maioria é tratável com procedimentos seguros e resultados duradouros.

Se você percebe qualquer alteração visual ou palpebral que persiste há mais de duas semanas, não adie a consulta. Um oftalmologista especialista pode indicar se o caso requer observação clínica, uso de colírios ou intervenção cirúrgica — como ocorreu com a atriz. Não espere o problema avançar para tomar a decisão que pode preservar a sua visão.

Aviso importante: As informações deste artigo têm caráter educativo e informativo, e não substituem consulta médica presencial. Diagnóstico, indicação de tratamento e decisão cirúrgica são de responsabilidade exclusiva do médico oftalmologista habilitado.

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