Pochettino e os salários da Copa 2026: como proteger seu patrimônio como profissional de alta renda

Mauricio Pochettino orientando a seleção americana durante partida da Copa do Mundo 2026

Photo : Andre666 / Wikimedia

Jose Jose SantosGestão de Patrimônio
5 min de leitura 19 de junho de 2026

Nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, Mauricio Pochettino voltou a ser notícia dentro e fora de campo: o técnico argentino conduziu os Estados Unidos a uma vitória sobre a Austrália no Lumen Field, em Seattle, pela segunda rodada do Grupo D da Copa do Mundo 2026. Com Christian Pulisic fora por lesão, Pochettino ajustou a equipe e contou com gols de Haji Wright e a colaboração do zagueiro australiano Cameron Burgess, que marcou contra aos 11 minutos. A US Soccer paga ao treinador aproximadamente €6 milhões por ano — cerca de R$ 35,5 milhões —, valor que o coloca entre os cinco técnicos mais bem pagos do torneio.

Os salários milionários dos técnicos da Copa 2026

A Copa do Mundo 2026 entrou para a história como o torneio com os treinadores mais bem remunerados de todos os tempos. O italiano Carlo Ancelotti, responsável pelo comando da Seleção Brasileira, lidera o ranking com €9,5 milhões anuais (aproximadamente R$ 55,8 milhões), segundo levantamento da plataforma FinanceFootball publicado em março de 2026. Thomas Tuchel, da Inglaterra, ocupa a segunda posição com €5,9 milhões anuais.

Interessante notar que a contratação de Pochettino pela US Soccer só foi possível graças a doações de bilionários americanos. Ken Griffin, fundador do hedge fund Citadel, e Scott Goodwin, cofundador do fundo Diameter Capital, fizeram aportes filantrópicos para viabilizar o salário do técnico. A presidente da federação, Cindy Parlow Cone, foi direta: sem esses doadores, a contratação "absolutamente não teria acontecido" nos moldes pretendidos.

A história desses patrocinadores não é apenas curiosidade esportiva — é uma lição de gestão de capital. Griffin e Goodwin são especialistas em alocar recursos com eficiência máxima. O mesmo raciocínio que os levou a investir no futebol americano deve guiar qualquer profissional de alta renda que queira preservar o que conquistou.

Por que altas rendas exigem planejamento especializado no Brasil

Médicos, advogados, executivos, artistas e profissionais liberais que atingem rendimentos elevados no Brasil enfrentam os mesmos desafios que grandes técnicos de futebol: como preservar e multiplicar o patrimônio ao longo do tempo?

De acordo com a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC), o número de participantes em planos de previdência complementar cresceu consistentemente nos últimos anos, mas ainda representa uma minoria dos profissionais de alta renda no país. A maior parte concentra seus recursos em imóveis — ativo de baixa liquidez — ou em caderneta de poupança, perdendo oportunidades relevantes de crescimento patrimonial.

Os principais erros identificados por especialistas em gestão de patrimônio incluem:

  • Concentração excessiva em imóveis sem reserva de liquidez adequada (recomenda-se ao menos seis meses de despesas fixas em ativos líquidos)
  • Negligência com previdência complementar — contribuições ao PGBL e VGBL oferecem benefícios tributários significativos
  • Exposição cambial nula em um país com histórico de volatilidade do real
  • Ausência de planejamento sucessório, especialmente em famílias com patrimônio acima de R$ 500 mil

PGBL e VGBL: o escudo tributário que poucos usam bem

Para profissionais que utilizam o modelo de declaração completa do Imposto de Renda, as contribuições ao Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) são dedutíveis até 12% da renda bruta anual tributável. Na prática, um profissional que recebe R$ 50 mil mensais (R$ 600 mil anuais) pode deduzir até R$ 72 mil por ano — uma economia tributária expressiva já no curto prazo.

O Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), por sua vez, é indicado para quem usa o modelo simplificado de declaração ou deseja complementar o limite do PGBL. Nesse caso, a tributação incide apenas sobre os rendimentos, e não sobre o total acumulado.

A escolha entre os regimes de tributação regressiva (alíquota que cai de 35% para 10% conforme o prazo de aplicação) e progressiva (tabela padrão do IR) pode representar diferenças de dezenas de milhares de reais ao longo de uma carreira. Essa análise precisa ser feita por um gestor de patrimônio qualificado — assim como Pochettino conta com uma comissão técnica para cada detalhe da partida.

Diversificação: a estratégia dos fundos que financiaram Pochettino

Griffin e Goodwin não são apenas bilionários — são gestores profissionais que alocam capital em múltiplas classes de ativos para maximizar retorno e minimizar risco. Para o investidor brasileiro de alta renda, a diversificação eficiente envolve:

  1. Renda fixa — Tesouro Direto (Tesouro IPCA+), CDBs, LCIs e LCAs (isentos de IR para pessoa física)
  2. Renda variável — fundos de ações, ETFs listados na B3, Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs)
  3. Ativos internacionais — BDRs, ETFs globais e investimentos no exterior via contas autorizadas pelo Banco Central do Brasil
  4. Ativos alternativos — crédito privado, fundos multimercado e participações em empresas via equity crowdfunding regulamentado

A diversificação geográfica tem se tornado especialmente importante para profissionais brasileiros que atuam em setores cíclicos ou altamente dependentes da economia doméstica. Uma carteira bem construída suporta crises sem destruir o patrimônio de uma vida inteira.

Holding familiar: protegendo o que foi construído

Outro instrumento amplamente utilizado por profissionais de alta renda é a holding familiar — uma estrutura jurídica que concentra o patrimônio pessoal em uma pessoa jurídica. Os benefícios incluem redução da carga tributária na transmissão de bens (podendo substituir parcialmente o ITCMD por transferências societárias), proteção patrimonial contra processos judiciais e facilitação do planejamento sucessório.

A constituição de uma holding exige análise jurídica e contábil especializada. Um erro na estruturação pode gerar passivos superiores às economias previstas — razão pela qual a orientação de um gestor experiente é indispensável.

Tal como o técnico Zidane, que negociou seu contrato com a seleção francesa com assessoria jurídica especializada, profissionais de alto nível no Brasil cada vez mais recorrem a equipes multidisciplinares para proteger seu patrimônio.

Quando procurar um gestor de patrimônio

Qualquer profissional que se identifique com os cenários abaixo deve considerar uma consulta especializada:

  • Renda mensal superior a R$ 15 mil sem estratégia de previdência complementar definida
  • Concentração de mais de 60% do patrimônio em imóveis ou em um único ativo
  • Recebimento de bônus, PLR ou rendimentos variáveis relevantes sem planejamento tributário
  • Herdeiros dependentes sem estrutura sucessória em vigor
  • Interesse em diversificar para ativos internacionais ou alternativos

A Copa do Mundo 2026 nos lembra que o sucesso profissional — no gramado ou no escritório — exige dedicação, estratégia e os especialistas certos por perto. Assim como Pochettino monta sua comissão técnica com cuidado, profissionais de alta renda precisam de gestores especializados para proteger e multiplicar o patrimônio conquistado com tanto esforço.

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Aviso: este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento ou consultoria financeira personalizada. Consulte sempre um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

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