A ejeção de massa coronal registrada pela NASA em 28 de setembro de 2026 chegou à Terra nesta sexta-feira, 2 de outubro, gerando uma tempestade geomagnética de nível G1 — o menor grau na escala de 1 a 5 classificada pela NOAA. Segundo os dados do Centro de Previsão de Clima Espacial da NOAA, as perturbações devem durar entre 12 e 24 horas e podem causar falhas intermitentes em sistemas de GPS, comunicações por satélite e radiofrequências especialmente nas regiões polares. No Brasil, o impacto cotidiano é esperado como limitado — mas para quem depende de equipamentos eletrônicos sensíveis, painéis solares residenciais ou GPS profissional no trabalho, a situação merece atenção técnica específica.
O Que É Uma Erupção Solar e Por Que Essa Importa Agora
O Sol passa por ciclos de atividade magnética de aproximadamente 11 anos. Em 2026, estamos próximos do pico do Ciclo Solar 25, período em que erupções solares (flares) e ejeções de massa coronal (EMC) ocorrem com maior frequência e intensidade. A EMC de 28 de setembro foi classificada como de classe X — a categoria mais intensa — e viajou pelo espaço até alcançar o campo magnético terrestre em cerca de quatro dias.
Quando uma EMC atinge a magnetosfera da Terra, ela comprime e distorce o campo magnético do planeta. Esse processo cria correntes elétricas induzidas que percorrem linhas de transmissão, dutos metálicos subterrâneos e circuitos eletrônicos. Em tempestades de nível G1, os efeitos mais visíveis são pequenas flutuações na tensão da rede elétrica e interferências em sistemas de rastreamento por GPS, principalmente acima do paralelo 60°N — muito acima do território brasileiro.
O evento de outubro é relativamente contido, mas não é o primeiro alerta do ano. Em janeiro de 2026, uma tempestade de radiação solar classificada como a mais forte em mais de duas décadas atingiu a Terra, interrompendo comunicações de alta frequência por cerca de duas horas na face diurna do planeta, segundo a NOAA. O ciclo solar atual não dá sinais de arrefecer antes de 2028, o que torna a educação sobre proteção de eletrônicos mais relevante do que nunca.
Por Que Técnicos em Eletrônicos Prestam Atenção a Isso
A grande maioria dos consumidores não associa "tempestade solar" a "conserto de eletrônico". Mas profissionais de manutenção de equipamentos sabem bem: variações súbitas de tensão na rede elétrica — sejam causadas por raios, falhas na distribuidora ou, em casos extremos, tempestades geomagnéticas intensas — estão entre as principais causas de queima de componentes eletrônicos sensíveis.
Durante uma tempestade geomagnética, a chamada Corrente Geoinduzida (CGI) percorre a infraestrutura de transmissão elétrica e pode, em eventos de alta intensidade (G3 ou acima), elevar a tensão de pico entregue às residências. Isso afeta especialmente dispositivos conectados diretamente à tomada sem proteção: televisores, carregadores de celular, roteadores, modems, inversores de energia solar e nobreaks mais antigos.
A boa notícia para o evento desta sexta-feira é que o nível G1 raramente provoca danos físicos a eletrônicos no Brasil. Contudo, é exatamente nesse tipo de situação — em que a ameaça é moderada, mas real — que um técnico em eletrônicos agrega valor: diagnosticando equipamentos já fragilizados antes do evento e orientando sobre proteção adequada para quando eventos mais intensos chegarem. E eles chegarão: estamos no ápice do Ciclo Solar 25, e o pico histórico de atividade ainda está por vir.
É o mesmo raciocínio que se aplica a ventanias com quedas de energia e danos a eletrônicos: o problema raramente é o evento em si, mas a falta de proteção adequada nos equipamentos antes que ele aconteça.
Se Você Tem Painel Solar, Nobreak ou GPS Profissional: Veja Seu Risco Real
Considere um prestador de serviços em São Paulo que usa GPS profissional no veículo para logística de entregas, tem um sistema de energia solar fotovoltaica residencial de 5 kWp instalado em 2023 e possui um nobreak de 1.500 VA para proteger o computador do escritório em casa.
Durante uma tempestade G1 como a desta sexta-feira, o risco imediato é baixo — mas não é zero:
Se você usa GPS para trabalho: Sistemas de navegação mais simples (receptores L1 únicos, comuns em rastreadores veiculares de baixo custo) podem apresentar erros de posição de 10 a 15 metros durante o pico de uma tempestade geomagnética G1, com base em dados históricos documentados pela NOAA. Para entregas urbanas, isso é insignificante. Para aplicações de precisão centimétrica — topografia, agrimensura, agricultura de precisão — o impacto pode paralisar o trabalho por 4 a 8 horas. Nesse caso, adiar atividades de campo para o sábado é a opção mais segura.
Se você tem painel solar residencial: O inversor de um sistema fotovoltaico converte a corrente contínua dos painéis em corrente alternada para a rede doméstica. A maioria dos inversores modernos possui proteção contra sobretensão integrada. Porém, inversores sem manutenção há mais de 3 anos — ou com componentes de proteção degradados — ficam mais vulneráveis a picos de tensão externos. Se o seu inversor já exibia erros de comunicação ou desconectava espontaneamente, este é o momento de solicitar uma inspeção preventiva a um técnico em eletrônicos. O custo de uma revisão gira em torno de R$ 200 a R$ 400, contra um reparo de placa de controle que pode chegar a R$ 1.800 ou mais.
Se você tem nobreak em casa ou no trabalho: Um nobreak de 1.500 VA com bateria em fim de vida — geralmente entre 2 a 3 anos de uso intenso — pode não absorver adequadamente um pico de tensão. A bateria interna serve justamente como buffer elétrico, e uma bateria degradada não cumpre essa função. Se o seu nobreak apita frequentemente ou demora mais de 4 horas para carregar completamente, troque a bateria antes do próximo evento G3 ou G4.
Em resumo: se o seu sistema fotovoltaico tem mais de 3 anos sem revisão técnica, ou se o seu nobreak apresenta qualquer sinal de bateria degradada, o evento de outubro de 2026 é um aviso concreto para agendar uma vistoria — mesmo que nada queime hoje.
O Que Fazer Agora Para Proteger Seus Aparelhos
As medidas imediatas para este evento G1 são simples e de baixo custo:
1. Use filtros de linha com DPS. Conecte aparelhos sensíveis em filtros de linha com Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS) homologado pelo Inmetro. Um modelo de qualidade custa entre R$ 80 e R$ 250 e é suficiente para televisores, computadores e roteadores. Não confunda com benjamins ou extensões simples sem proteção.
2. Desconecte equipamentos ociosos. Aparelhos que não estejam em uso — especialmente aqueles mais antigos e sem proteção integrada — devem ser desconectados da tomada durante o período de maior intensidade da tempestade, previsto para a tarde e noite desta sexta-feira, 2 de outubro de 2026.
3. Monitore seu inversor solar. A maioria dos aplicativos de monitoramento fotovoltaico exibe alertas em tempo real. Se aparecer qualquer erro de "sobretensão" ou "falha de rede", desligue o sistema pelo disjuntor e acione um técnico antes de religar.
4. Verifique o comportamento do nobreak. Se o equipamento apitar com frequência ou indicar carga abaixo de 80% após uma hora conectado, o problema é na bateria — independente da tempestade, mas que se agrava justamente em momentos de instabilidade na rede elétrica.
Para eventos de maior intensidade — como G3, G4 ou o temido G5 (que não ocorre desde o Halloween de 2003, quando transformadores foram destruídos em partes da América do Norte e da África do Sul) — as recomendações são mais abrangentes e o diagnóstico especializado se torna indispensável. Se algum equipamento apresentar comportamento estranho após o pico da tempestade desta sexta — reinicializações inesperadas, falha no carregamento, tela com artefatos ou perda de funcionalidade — um técnico em eletrônicos pode identificar danos em componentes de proteção como varistores e fusíveis térmicos antes que o problema evolua para uma queima mais grave.
Assim como acontece com temporais e raios que danificam eletrodomésticos, a melhor defesa contra eventos energéticos imprevistos é sempre a proteção preventiva — não o reparo emergencial.
No Expert Zoom, você encontra técnicos em eletrônicos disponíveis para consulta remota ou presencial, seja para diagnóstico preventivo do seu sistema fotovoltaico, avaliação do nobreak ou orientação sobre proteção adequada para o próximo ciclo de alta atividade solar.
Aviso: As informações deste artigo são de caráter informativo e educativo. Para diagnóstico e reparo de equipamentos eletrônicos, consulte sempre um profissional habilitado.

Patricia Costa