Estreada em 10 de junho de 2026 no Prime Video, Depois Daquele Ano — adaptação do best-seller de Carley Fortune — tornou-se um dos assuntos mais buscados no Brasil em menos de 24 horas. A série acompanha Percy e Sam, dois ex-amantes que se reencontram anos depois por conta de uma tragédia familiar, e levanta uma pergunta que ressoa em milhões de pessoas: vale a pena dar uma segunda chance a um amor do passado?
Mas o que parece apenas ficção sentimental esconde questões psicológicas reais e complexas. Para muita gente que assiste aos 8 episódios lançados de uma vez, a série funciona como um espelho de histórias próprias.
Por que reencontros com ex-parceiros são tão poderosos emocionalmente?
A resposta começa na neurociência. Quando uma relação termina, o cérebro não simplesmente "apaga" a memória afetiva. Estudos em psicologia comportamental mostram que o vínculo amoroso ativa os mesmos circuitos de recompensa da dopamina que outras formas de dependência.
Segundo o Ministério da Saúde, a saúde mental é inseparável do contexto relacional — relações afetivas saudáveis são fatores protetores, enquanto relacionamentos traumáticos ou mal resolvidos elevam o risco de ansiedade e depressão.
Isso explica por que o reencontro com um ex — mesmo depois de anos — pode desencadear reações físicas intensas: aceleração do coração, pensamentos intrusivos, insônia. Não é fraqueza; é biologia.
O que a psicologia diz sobre relacionamentos inacabados
Há um conceito-chave que explica a força dos relacionamentos não resolvidos: o efeito Zeigarnik, identificado pela psicóloga soviética Bluma Zeigarnik nos anos 1920 e amplamente confirmado depois. Em síntese: tarefas ou situações interrompidas ocupam mais espaço cognitivo do que aquelas concluídas.
Aplicado aos relacionamentos, esse efeito significa que um término abrupto — sem explicação clara, sem encerramento emocional — tende a deixar uma "conta aberta" no sistema mental. Percy, a protagonista de Depois Daquele Ano, passou seis anos sem falar com Sam depois de uma separação dolorosa. Quando o reencontro acontece, a intensidade não é só saudade: é o cérebro tentando "fechar o arquivo".
Outro fenômeno relevante é a crise de identidade pós-relacionamento. Dentro de uma relação longa ou intensa, as identidades se entrelaçam: hábitos, planos, formas de ver o mundo passam a ser compartilhados. Quando o casal se separa, não é apenas a pessoa que vai embora — é uma parte do "eu" que some junto. Pesquisadores chamam isso de "perda do eu relacional", e ela pode ser tão desestabilizante quanto um luto.
Saudade ou amor verdadeiro? Como distinguir os dois
Essa é, talvez, a pergunta mais difícil — e a que a série explora com mais honestidade ao longo dos episódios. Alguns sinais psicológicos ajudam a diferenciar:
Sinais de saudade sem base sólida:
- Você idealiza a relação passada, esquecendo os motivos reais do término
- A vontade de reencontrar o ex aumenta em períodos de solidão ou estresse
- Você fantasiou com a ideia de reencontro, mas evitou quando a oportunidade surgiu
- Não há disposição real para mudar os comportamentos que causaram conflito
Sinais de que a conexão pode ser genuína:
- Você conhece os defeitos do ex e os aceita de forma realista
- Houve crescimento individual desde o término — e você consegue identificar isso
- Os motivos que levaram ao término foram contextuais (distância, imaturidade, momento de vida) e não estruturais (valores incompatíveis, abuso, desrespeito)
- Você consegue conversar com o ex sem cair em velhos padrões de briga
A diferença é sutil, mas fundamental: saudade olha para trás e idealiza; amor maduro olha para o presente e aceita.
Quando uma segunda chance pode funcionar?
Pesquisadores de psicologia do relacionamento identificam três condições que aumentam as chances de sucesso em reconciliações:
- Tempo e distância real: a separação precisou ser suficientemente longa para permitir autoconhecimento genuíno — não apenas algumas semanas.
- Mudança comportamental verificável: não basta "querer mudar". É preciso que pelo menos um dos dois demonstre mudanças concretas de comportamento, observáveis por pessoas próximas.
- Resolução das causas originais: se o término ocorreu por ciúme patológico, comunicação destrutiva ou falta de comprometimento, esses problemas precisam ter sido trabalhados — idealmente com acompanhamento profissional.
Sem essas condições, estudos indicam que casais que voltam tendem a repetir os mesmos ciclos de conflito em 3 a 6 meses.
Os sinais de que é hora de buscar ajuda profissional
Depois Daquele Ano faz algo que poucas séries românticas fazem: mostra que o reencontro, por si só, não cura as feridas antigas. Sam e Percy precisam atravessar conversas difíceis, lutos não feitos e verdades evitadas.
Na vida real, isso raramente acontece sem apoio. Um psicólogo pode ajudar a:
- Identificar padrões relacionais repetitivos — por que você sempre termina atraído pelo mesmo perfil de pessoa?
- Processar um luto afetivo não concluído — especialmente quando o término foi repentino ou traumático
- Preparar emocionalmente para uma reconciliação — entender quais mudanças são genuínas e quais são projeções
- Tomar decisões autônomas, sem a pressão da saudade ou do medo da solidão
Buscar um psicólogo não significa que o relacionamento está condenado. Significa o contrário: que você leva a sério o impacto que relacionamentos têm na sua saúde mental. Segundo o Ministério da Saúde, cuidar da saúde mental envolve cultivar relações afetivas saudáveis — e isso inclui saber quando pedir ajuda.
No Brasil, há mais de 450.000 psicólogos registrados. A consulta online tem facilitado o acesso, e plataformas de conexão com especialistas como o Expert Zoom permitem encontrar profissionais especializados em terapia individual e de casal em poucos minutos.
O que a série ensina, além do romance
Depois Daquele Ano estreou com 8 episódios simultâneos no dia 10 de junho de 2026 e rapidamente dominou as buscas no Brasil. Mas o que transforma a série em fenômeno não é apenas o romance — é o reconhecimento.
Quantas pessoas já se viram na posição de Percy, voltando a um lugar familiar e encontrando um sentimento que achavam ter enterrado? A série funciona porque o amor não resolvido é uma experiência humana quase universal.
A ficção pode entreter. Mas se Depois Daquele Ano acordou em você questões que pesam mais do que uma maratona de streaming, pode ser o momento certo para conversar com um profissional. No Expert Zoom, você encontra psicólogos especializados em relacionamentos prontos para ajudar — seja para entender o passado, tomar uma decisão sobre o presente ou simplesmente se conhecer melhor.
Conteúdo informativo. Não substitui avaliação profissional. Em caso de sofrimento emocional intenso, procure um psicólogo ou o CVV (188).

Gabriel Alves