Bernardo Silva deixa o Manchester City em 2026: o que a saída do meia ensina sobre contratos de trabalho

Bernardo Silva, jogador do Manchester City e da seleção portuguesa, em campo

Photo : Aleksandr Veprev / Wikimedia

Joao Joao SouzaAdvocacia
4 min de leitura 24 de maio de 2026

Bernardo Silva confirmou neste final de maio de 2026 que está deixando o Manchester City ao fim do contrato, sem receber nem pagar nenhuma multa rescisória. Após dez anos defendendo o clube inglês, o meia português sai como agente livre — e já desperta o interesse de Atletico de Madrid e Barcelona para a próxima temporada. O próprio jogador declarou querer resolver seu futuro antes da Copa do Mundo FIFA 2026 para "ter a cabeça limpa" na competição.

Mas o que significa exatamente sair de um emprego "sem custos"? E o que essa movimentação no futebol europeu pode ensinar a trabalhadores brasileiros sobre contratos de trabalho, rescisão e seus direitos?

Saída livre: o que é um agente livre no futebol e fora dele

No futebol profissional europeu, um jogador que encerra o contrato com o clube sem renovação torna-se um agente livre (free agent). Isso significa que ele pode negociar com qualquer outro clube do mundo sem que o clube anterior receba qualquer compensação financeira.

A cláusula de saída foi cumprida de forma natural: o contrato chegou ao fim. Bernardo Silva, segundo as notícias mais recentes, recusou propostas de renovação do Manchester City — e isso é legal, previsto nas regulamentações da FIFA sobre o Status e Transferência de Jogadores.

No mercado de trabalho comum, o equivalente seria um funcionário que decide não renovar seu contrato de prazo determinado. No Brasil, isso tem implicações bastante específicas no regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

O que a CLT diz sobre fim de contrato e rescisão

No Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego estabelece que contratos por prazo determinado encerram-se automaticamente no vencimento, sem necessidade de aviso prévio ou pagamento de multa do FGTS, salvo se houver cláusula asseguratória no contrato.

Já em contratos por prazo indeterminado — a forma mais comum no mercado de trabalho brasileiro —, a saída voluntária do empregado (chamada de pedido de demissão) implica:

  • Aviso prévio de 30 dias (trabalhado ou indenizado pelo empregado)
  • Perda da multa de 40% do FGTS — esse valor só é pago em caso de demissão sem justa causa
  • Pagamento das verbas rescisórias: saldo de salário, férias proporcionais e 13° proporcional

É justamente aqui que muitos trabalhadores cometem erros: pedir demissão na hora errada pode significar perder direitos relevantes. A diferença entre ser demitido sem justa causa e pedir demissão pode representar dezenas de milhares de reais dependendo do tempo de vínculo.

O planejamento que Bernardo Silva fez — e que você também deveria fazer

A saída de Bernardo Silva do Manchester City não foi impulsiva. O jogador sabia que seu contrato expiraria, recusou a renovação, preparou sua estratégia para o mercado de transferências e comunicou sua decisão com meses de antecedência.

Esse tipo de planejamento é o que especialistas em direito trabalhista recomendam também para trabalhadores fora do futebol. Antes de pedir demissão, vale analisar:

  • Qual é o saldo do FGTS? Será possível acessá-lo em alguma das hipóteses legais?
  • Há estabilidade provisória? Gravidez, acidente de trabalho, convenção coletiva e outros fatores podem gerar proteção contra demissão — que se perde no pedido voluntário
  • O momento é estratégico? Início de novo emprego confirmado, benefícios pendentes de recebimento e período de aviso prévio podem influenciar o timing ideal

Para jogadores brasileiros que estão em transição de clube — como aconteceu com Kaio Jorge e outros atletas que passaram pelo futebol europeu —, os mesmos princípios se aplicam, com a complexidade adicional das legislações de dois países. Veja o que especialistas dizem sobre contratos esportivos internacionais.

Cláusula de rescisão: o escudo e a armadilha

No futebol europeu, muitos contratos incluem cláusulas de rescisão unilateral — um valor fixo que o clube interessado pode pagar para contratar o jogador antes do fim do contrato. Na Europa, essas cláusulas chegam a centenas de milhões de euros.

No Brasil, a legislação trabalhista prevê apenas a multa de 40% do FGTS como penalidade para rescisão sem justa causa pelo empregador. Não existe, na CLT, o equivalente a uma "cláusula de rescisão" para trabalhadores comuns — embora em contratos específicos de alto escalão (executivos, diretores) isso possa ser negociado individualmente.

A confusão entre esses modelos leva muitos trabalhadores a superestimar ou subestimar suas proteções legais. Um advogado trabalhista pode esclarecer exatamente o que está no seu contrato — e o que a lei garante além do que está escrito.

Expert Zoom: advogados trabalhistas para decisões que importam

Se você está considerando uma transição profissional — seja pedir demissão, negociar sua saída, revisar seu contrato ou entender seus direitos antes de uma rescisão —, o Expert Zoom conecta você rapidamente com advogados especializados em direito do trabalho.

Bernardo Silva planejou cada passo da sua saída do Manchester City com cuidado. Você merece fazer o mesmo com a sua carreira.

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