Holanda Empata com Argélia 0 a 0: 4 Regras FIFA que Definem qual Seleção um Atleta Pode Defender

Jogo da seleção holandesa em Rotterdam com torcedores nas cores laranja

Photo : Rob Mieremet / Anefo / Wikimedia

Joao Joao SouzaAdvocacia
4 min de leitura 3 de junho de 2026

A Holanda recebeu a Argélia no Feyenoord Stadium, em Roterdã, nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, e o placar de 0 a 0 no amistoso preparatório para a Copa do Mundo vai além do resultado: ele lança luz sobre uma das questões mais complexas do futebol moderno. Com quase metade dos jogadores argelinos nascidos ou criados em países europeus, o jogo de hoje levanta uma pergunta que interessa a milhões de famílias com dupla cidadania no Brasil e no mundo — como funcionam, afinal, as regras de dupla nacionalidade na FIFA?

O Fenômeno das Duplas Nacionalidades no Futebol

Rayan Aït-Nouri, lateral-esquerdo titular da Argélia, nasceu em Montreuil, nos arredores de Paris. Riyad Mahrez, o principal astro argelino, cresceu nas periferias da capital francesa. Esse perfil não é exceção: segundo levantamentos da própria FIFA, mais de 40% dos atletas que disputaram a Copa do Mundo de 2022 tinham histórico de residência ou nascimento em país diferente da seleção que representavam.

O cenário brasileiro reflete a mesma tendência global. Jogadores com dupla cidadania brasileira e europeia — italiana, espanhola, portuguesa, alemã — são frequentemente sondados por federações do Velho Continente. O inverso também ocorre: atletas nascidos na Europa com ascendência brasileira consideram defender o Brasil. Para essas famílias e jovens jogadores, entender as regras é urgente: a escolha de uma seleção pode ser definitiva e irreversível.

As 4 Regras da FIFA para Elegibilidade por uma Seleção

De acordo com os documentos oficiais da FIFA, um jogador pode representar uma seleção nacional se atender ao menos um dos seguintes critérios:

1. Possuir a nacionalidade do país. O atleta deve ser cidadão legalmente reconhecido. Passaporte válido é o documento central de qualquer pedido de elegibilidade perante a federação.

2. Ter nascido no território nacional. Nascer em solo do país, mesmo sem nunca ter vivido ali, já garante o vínculo de elegibilidade junto à seleção local.

3. Ter ascendência direta. Pai, mãe, avô ou avó nascidos no país criam o direito de representar a seleção, independentemente do local de nascimento do próprio atleta.

4. Residência contínua de cinco anos. O jogador que residir de forma contínua no país por ao menos cinco anos após completar 18 anos pode solicitar elegibilidade pela seleção nacional daquele país.

Atender a um desses critérios não é, porém, garantia automática. O atleta não pode ter disputado nenhuma partida oficial em nível adulto — incluindo qualificatórias e fases de grupo de torneios reconhecidos pela FIFA — representando outro país.

Quando a Mudança de Seleção é Permitida?

A troca de seleção existe, mas é cercada de restrições. A FIFA permite a mudança quando o jogador representou outra equipe apenas em amistosos ou em categorias de base — sub-17, sub-20 ou sub-23. Quem disputou ao menos um jogo oficial adulto por um país fica, como regra, vinculado permanentemente a ele.

Em 2023, a FIFA criou uma exceção relevante: atletas que representaram países diferentes da sua nação de nascença ou de ascendência direta podem solicitar a mudança, desde que não tenham disputado competições decisivas. Cada caso é analisado individualmente pelo Comitê para o Estatuto dos Jogadores da entidade. O processo pode durar meses e exige documentação robusta.

Essa flexibilidade gerou uma onda de consultas jurídicas no Brasil. Agentes e advogados esportivos relatam pedidos crescentes de jovens com dupla cidadania — brasileira e europeia — que desejam revisar sua opção antes de qualquer partida oficial.

O Que os Brasileiros com Dupla Cidadania Precisam Saber

Para o cidadão brasileiro com dupla nacionalidade que sonha em jogar futebol profissionalmente — ou que tem um filho com esse potencial — entender as regras da FIFA é apenas o ponto de partida. O processo envolve direito internacional, contratos de representação, elegibilidade trabalhista em múltiplos países e, em alguns casos, obrigações tributárias em ambas as nações envolvidas.

Um advogado especialista em direito desportivo pode mapear o caminho correto: verificar se a documentação de dupla cidadania está regularizada junto aos órgãos competentes, identificar possíveis conflitos entre os estatutos da FIFA e a legislação interna de cada país, e representar o atleta em disputas de elegibilidade junto à federação responsável.

A complexidade jurídica é real e os erros podem ser irreversíveis. Casos mal conduzidos resultam na inelegibilidade permanente do atleta em ambos os países, impedindo-o de competir por qualquer seleção nacional — em qualquer nível.

Aviso legal: as informações deste artigo têm caráter jornalístico e educativo. Para orientação jurídica específica sobre dupla nacionalidade ou elegibilidade esportiva, consulte um advogado especializado em direito desportivo.

Roland Koeman, Petkovic e um Futebol Sem Fronteiras

Ronald Koeman, treinador holandês, convocou um elenco com Virgil van Dijk, Cody Gakpo e Memphis Depay. Vladimir Petkovic, técnico argelino, apostou em Mahrez e Aït-Nouri. Dois times construídos com identidades múltiplas, passaportes de diferentes países e trajetórias de vida que cruzam fronteiras — resultado: 0 a 0, e um retrato preciso do futebol globalizado de 2026.

A Copa do Mundo que começa em poucos dias reunirá, segundo estimativas da FIFA, o maior número de atletas com dupla nacionalidade da história do torneio. Para comunidades de imigrantes, para famílias com raízes em dois países e para os próprios atletas, compreender esse arcabouço jurídico pode ser tão decisivo quanto um passe certo dentro das quatro linhas.

Se você ou alguém de sua família tem dúvidas sobre dupla cidadania, elegibilidade esportiva ou regularização de documentação internacional, a ExpertZoom conecta você a advogados especializados em direito desportivo e internacional prontos para orientar cada caso com segurança.

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