Na noite de 10 de maio de 2026, Ajay Mitchell entrou em quadra no Crypto.com Arena e transformou o Game 3 das Semifinais da Conferência Oeste em um espetáculo pessoal: 24 pontos, 10 assistências, 4 rebotes e 3 roubadas de bola em apenas 30 minutos de jogo, ajudando o Oklahoma City Thunder a atropelar os Lakers por 131 a 108 e abrir vantagem de 3 a 0 na série. O que poucos sabem é que o atleta de 22 anos — escolhido apenas na segunda rodada do Draft de 2024 — ainda cumpre um contrato de apenas US$ 2,9 milhões anuais. E é exatamente aí que começa a lição mais importante de finanças para jovens atletas.
De segunda rodada a estrela dos playoffs
Ajay Mitchell foi selecionado com a 38ª escolha geral do NBA Draft de 2024 pelo New York Knicks e, na mesma noite, foi trocado para o Oklahoma City Thunder. Com um salário de equipe — o menor possível para um jogador de nível de All-Star da NBA — Mitchell já venceu um campeonato da NBA em 2025 e agora lidera o Thunder em uma campanha histórica nos playoffs de 2026.
Quando o técnico Mark Daigneault elogiou o jogador na coletiva pós-jogo — "pode ser uma surpresa para o mundo, mas não para nós" —, estava falando de um atleta que transformou humildade contratual em capital de negociação. A próxima extensão de contrato de Mitchell, esperada para o final de 2026, pode chegar a dezenas de milhões de dólares. E esse é exatamente o momento mais delicado da vida financeira de um jovem atleta profissional.
O perigo dos primeiros salários milionários
A história do esporte profissional está repleta de atletas que fizeram fortunas e as perderam em poucos anos. Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM), mais de 60% dos brasileiros que herdam ou recebem grandes quantias de forma abrupta não tinham planejamento financeiro prévio — e atletas jovens se encaixam perfeitamente nesse perfil.
Os principais erros que especialistas em gestão de patrimônio identificam entre atletas no início da carreira são:
1. Ausência de estruturação tributária: No Brasil, rendimentos de atletas profissionais podem estar sujeitos a diferentes alíquotas dependendo de como estão estruturados. Sem orientação adequada, um jovem atleta pode pagar muito mais imposto do que deveria — ou, pior, incorrer em passivos tributários que surgem anos depois.
2. Confusão entre renda e patrimônio: Ganhar R$ 500 mil por ano não significa ter R$ 500 mil de patrimônio. Despesas com moradia, deslocamentos, equipamentos, representação e estilo de vida podem consumir 40% a 70% da renda bruta antes de qualquer poupança ou investimento.
3. Ausência de diversificação: Muitos atletas concentram seus recursos em imóveis ou em uma única classe de ativo. Um portfólio bem gerenciado, mesmo a partir de contratos menores, deve contemplar renda fixa, fundo de emergência e ativos de longo prazo desde o primeiro salário.
O que Mitchell deve fazer — e o que qualquer jovem atleta pode aprender
No contexto brasileiro, milhares de jovens iniciam carreiras esportivas profissionais a cada ano — em futebol, vôlei, basquete e atletismo. A maioria deles jamais recebe orientação financeira antes de assinar o primeiro contrato.
As recomendações fundamentais de especialistas em gestão de patrimônio para atletas em início de carreira incluem:
Constituir uma reserva de emergência equivalente a 12 meses de despesas antes de qualquer investimento de maior risco. A carreira esportiva é por natureza volátil — lesões, mudanças de clube e variações de desempenho podem interromper a renda a qualquer momento.
Contratar um gestor de patrimônio certificado (CFP ou equivalente) que compreenda as especificidades tributárias e contratuais do esporte profissional. A diferença entre um planejamento adequado e a ausência dele pode representar centenas de milhares de reais ao longo de uma carreira.
Planejar a pós-carreira desde o início. A carreira média de um atleta profissional dura entre 7 e 12 anos. Isso significa que um jogador que estreia aos 20 anos provavelmente encerra a carreira ativa aos 30 — com décadas de vida pela frente e, potencialmente, sem renda de atleta.
Para entender como contratos de jogadores jovens na NBA funcionam e as implicações que têm para a carreira, veja: Jabari Smith Jr. e a extensão de contrato de jovens estrelas da NBA.
O Brasil no radar: o caso dos jovens esportistas nacionais
Casos como o de Mitchell — que saiu de uma situação de subvalorização contratual para potencialmente um dos maiores contratos da próxima off-season da NBA — devem ser referência para o esporte brasileiro. Embora as cifras sejam menores, os princípios são os mesmos.
No futebol brasileiro, por exemplo, é comum que jovens jogadores de 17 a 21 anos assinem contratos profissionais sem qualquer assessoria financeira independente. O clube negocia, o agente representa seus próprios interesses — e o atleta fica sem proteção patrimonial adequada.
Contar com um consultor de gestão de patrimônio independente — que não ganhe comissão sobre o contrato do atleta — é o passo mais importante que um jovem esportista pode dar além do treino. Plataformas como o Expert Zoom permitem encontrar especialistas em gestão patrimonial com experiência em contextos esportivos de forma rápida e acessível.
Veja também como outros atletas da NBA estruturam sua carreira financeira: Cavaliers x Pistons nos playoffs: o que os contratos revelam sobre gestão de patrimônio.
O momento de agir é agora — não depois do grande contrato
A grande armadilha financeira para atletas jovens é esperar o "grande contrato" para começar a planejar. Mitchell, com US$ 2,9 milhões por ano, já tem renda suficiente para estruturar um patrimônio sólido. Quando chegar o contrato de US$ 30 ou 50 milhões, os hábitos e estruturas já estarão no lugar — e isso faz toda a diferença.
Para atletas brasileiros em início de carreira, mesmo com rendas muito menores, o princípio é idêntico: a gestão de patrimônio começa no primeiro salário, não no maior.
Este artigo tem caráter informativo e educacional. Para orientações específicas sobre gestão de patrimônio e planejamento financeiro, consulte um profissional certificado.
