Victor Wembanyama a Caminho de US$ 252 Milhões: Como Atletas Estrangeiros Gerenciam os Impostos nos EUA
Victor Wembanyama acabou de ser eleito o Defensor do Ano da NBA (DPOY) de 2026 de forma unânime — o mais jovem a conquistar o prêmio na história da liga — e deve assinar uma extensão de contrato de até US$ 252 milhões em julho de 2026. O francês de 22 anos, que joga pelos San Antonio Spurs, está prestes a se tornar um dos atletas mais bem pagos do mundo. Mas quanto dessa fortuna efetivamente fica com ele — e o que isso ensina sobre gestão de patrimônio para atletas que ganham em outro país?
O contrato que pode bater US$ 303 milhões
Wembanyama está elegível para uma extensão máxima de contrato a partir de 6 de julho de 2026. Segundo dados da plataforma especializada Spotrac, os valores envolvidos são:
- US$ 252 milhões por 5 anos — a extensão máxima padrão
- US$ 303,3 milhões por 5 anos — teto se ele mantiver prêmios All-NBA, DPOY ou MVP
- Média anual de US$ 64 milhões — mais de R$ 340 milhões por temporada
Para um atleta nascido em Le Chesnay, França, atuando nos Estados Unidos, esses valores passam por uma complexa malha tributária antes de chegar ao bolso.
A armadilha fiscal que atletas estrangeiros enfrentam nos EUA
Ao contrário de empresários ou trabalhadores remotos, atletas profissionais são tributados de forma especialmente agressiva nos Estados Unidos. Quem joga na NBA — e não é cidadão americano — enfrenta três camadas de impostos:
1. Imposto federal americano: atletas estrangeiros sem residência permanente nos EUA são tributados como não-residentes (nonresident alien). A alíquota pode chegar a 37% sobre a renda tributável, com regras específicas de retenção na fonte.
2. O "jock tax" estadual: cada jogo disputado em outro estado gera obrigação fiscal naquele estado. Dos 30 times da NBA, 25 jogam em estados com imposto sobre renda. Os Spurs têm uma vantagem competitiva real aqui: o Texas não tem imposto estadual sobre renda — o que representa economia de milhões por temporada para Wembanyama.
3. Tributação no país de origem: a França, assim como o Brasil, tributa seus cidadãos sobre renda global. Acordos de bitributação entre países definem quanto é pago em cada jurisdição, mas a gestão dessas obrigações é extremamente complexa.
Segundo o IRS americano, atletas estrangeiros podem negociar "Central Withholding Agreements" para otimizar as retenções com base na renda líquida projetada — uma ferramenta que exige advogados tributaristas e gestores patrimoniais especializados.
O que atletas brasileiros no exterior precisam saber
A situação de Wembanyama tem paralelos diretos com a de atletas brasileiros que atuam na Europa, nos EUA ou na Ásia. Jogadores de futebol no exterior, atletas de vôlei nas ligas europeias ou basquetebolistas na NBA enfrentam desafios similares:
- Obrigação de declarar renda no Brasil: mesmo morando no exterior, brasileiros que mantêm residência fiscal no país precisam declarar e, potencialmente, pagar imposto sobre ganhos internacionais à Receita Federal.
- Saída fiscal definitiva: atletas que se mudam permanentemente para outro país podem formalizar a saída fiscal do Brasil, encerrando a obrigação tributária com a Receita Federal — mas o processo exige planejamento cuidadoso e orientação profissional.
- Proteção do patrimônio acumulado: contratos de alto valor geram capital que precisa ser gerenciado com instrumentos adequados, como fundos de investimento internacionais, trusts e planejamento sucessório.
Como detalhamos em análise sobre a gestão patrimonial de LeBron James, os maiores atletas do mundo não são apenas excelentes no esporte — eles têm equipes inteiras dedicadas a proteger e fazer crescer o patrimônio fora das quadras.
Quando um consultor de patrimônio faz diferença
Para Wembanyama, um contrato de US$ 252 milhões não é apenas um cheque: é a necessidade de uma estrutura financeira e jurídica robusta desde o momento da assinatura. O mesmo vale, em escala diferente, para atletas brasileiros em início de carreira.
Um gestor de patrimônio especializado em esportistas pode ajudar em três frentes críticas:
Planejamento tributário internacional: identificar qual regime fiscal (residência no país de origem vs. país de atuação) é mais vantajoso, e estruturar os contratos para minimizar a carga tributária de forma legal.
Proteção de ativos: blindagem patrimonial para que lesões, rescisões contratuais ou crises pessoais não comprometam o patrimônio construído durante a carreira.
Planejamento pós-carreira: a maioria dos atletas profissionais encerra a carreira ativa antes dos 40 anos. Um planejamento sólido desde cedo determina se os recursos acumulados duram décadas ou se evaporam em poucos anos.
No Brasil, plataformas como a ExpertZoom conectam atletas e famílias a consultores especializados em gestão de patrimônio e planejamento tributário internacional — profissionais que entendem as particularidades da renda no exterior e as exigências da Receita Federal.
O legado além das estatísticas
Wembanyama já transformou os Spurs: a equipe está nas semifinais da Conferência Oeste pela primeira vez desde 2017, enfrentando o Minnesota Timberwolves. Mas o legado mais duradouro de um atleta da sua geração não está apenas nos títulos — está na capacidade de construir e preservar um patrimônio que garanta segurança financeira por décadas após o último jogo.
Para qualquer atleta — brasileiro ou não — que está começando a ganhar dinheiro sério no esporte, a pergunta não é apenas "quanto vou ganhar?". É: "quanto vou preservar — e como?"
Este artigo tem caráter informativo. Para planejamento tributário e patrimonial personalizados, consulte um especialista em gestão de patrimônio internacional.

Jose Santos