Sanções à Rússia em 2026: o que brasileiros com negócios ou investimentos precisam saber

Reunião entre Vladimir Putin e Alexander Lukashenko, representando as tensões geopolíticas envolvendo a Rússia e seus parceiros comerciais

Photo : The Presidential Press and Information Office / Wikimedia

Joao Joao SouzaAdvocacia
4 min de leitura 12 de abril de 2026

Em fevereiro de 2026, o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin visitou o Brasil para reforçar laços estratégicos — e o timing não poderia ser mais delicado. Com o Brasil se tornando um dos maiores parceiros comerciais da Rússia sancionada, empresas e investidores brasileiros precisam entender os riscos jurídicos e financeiros que esse cenário traz.

O que está em jogo: Brasil-Rússia em números

A relação comercial entre Brasil e Rússia atingiu níveis recordes apesar das sanções ocidentais impostas após 2022. Em 2024, o comércio bilateral chegou a US$ 12,4 bilhões, com a Rússia se tornando o maior fornecedor de fertilizantes do Brasil — responsável por 25% das importações nacionais, à frente da China e do Canadá, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Esse volume coloca o Brasil em posição ambígua: ao mesmo tempo que se beneficia de relações comerciais privilegiadas com Moscou, cresce a pressão dos países da OTAN e dos Estados Unidos para que o Brasil adote medidas restritivas. Em março de 2026, os EUA sinalizaram que países que continuem comprando petróleo e gás russos podem ser alvo de tarifas secundárias de até 100%.

O risco de sanções secundárias: o que são e como funcionam

Sanções secundárias são medidas que os EUA e a União Europeia aplicam a terceiros — ou seja, países e empresas que não são russos, mas que fazem negócios com entidades sancionadas. Elas podem incluir:

  • Bloqueio de acesso ao sistema financeiro americano (dólares, correspondentes bancários)
  • Tarifas punitivas sobre exportações para os EUA
  • Proibição de acesso a tecnologias e serviços americanos

O Brasil tem uma posição oficial clara: só adota sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU. Mas isso não protege empresas brasileiras privadas que operam internacionalmente. Uma empresa com receita em dólares, linhas de crédito em bancos americanos ou tecnologia licenciada nos EUA pode ser afetada mesmo que o governo brasileiro não adote qualquer medida.

Setores mais expostos

Nem toda empresa brasileira corre o mesmo risco. Os setores mais vulneráveis são:

Agronegócio: Empresas que importam fertilizantes russos devem mapear sua cadeia de fornecimento. Um bloqueio repentino pode deixar a produção agrícola sem insumos essenciais no período de plantio, especialmente para soja e milho.

Energia: Importadores de petróleo e derivados russos precisam monitorar as mudanças na legislação americana. As sanções do mês de março de 2026 atualizadas pela Mayer Brown apontam novas restrições a fornecedores de combustível de origem russa.

Finanças e investimentos: Fundos e investidores com exposição indireta à Rússia via ETFs de mercados emergentes ou commodities podem ter ativos congelados ou desvalorizados em caso de escalada das tensões.

A posição do Brasil no tabuleiro geopolítico

A visita de Mishustin em fevereiro de 2026 incluiu discussões sobre sistemas de pagamento alternativos ao dólar, como o uso de rublos e reais em transações bilaterais — um dos pilares da agenda do BRICS 2026. A iniciativa é interessante do ponto de vista da soberania financeira, mas traz complexidades jurídicas para empresas acostumadas com contratos e compliance em dólar.

Segundo análise do Jamestown Foundation, o Brasil está adotando uma postura de "neutralidade amigável" — mantendo relações com Moscou sem aderir às sanções ocidentais. Essa postura protege os interesses nacionais em curto prazo, mas cria incerteza regulatória para empresas que precisam de clareza para planejamento de médio prazo.

O que fazer agora: orientação jurídica é essencial

Diante desse cenário, advogados especializados em direito internacional, comércio exterior e compliance financeiro têm sido cada vez mais procurados por empresas brasileiras que precisam de respostas concretas:

Mapeamento de exposição: Identificar quais contratos, fornecedores, credores ou tecnologias têm vínculo com entidades sob sanção — direta ou indiretamente.

Due diligence reforçada: Antes de firmar novos contratos com contrapartes russas ou com intermediários de países aliados à Rússia (como Belarus, Irã ou Coreia do Norte), é preciso verificar listas de sanções atualizadas. O Programa de Sanções Relacionadas à Rússia do Tesouro dos EUA (OFAC) é a referência mais atualizada para empresas brasileiras com exposição ao mercado americano.

Cláusulas de proteção contratual: Rever contratos existentes para incluir cláusulas de força maior e de saída em caso de mudança regulatória internacional.

Estratégia de diversificação: Para o agronegócio, um consultor jurídico pode ajudar a estruturar contratos alternativos com fornecedores de fertilizantes do Canadá, Marrocos ou do Brasil (como a Petrobras Fertilizantes).

Aviso: Este artigo tem caráter informativo e não constitui assessoria jurídica. Para situações específicas envolvendo sanções internacionais, consulte um advogado especializado.

Agir antes que a situação se agrave

O cenário geopolítico em torno da Rússia continuará evoluindo ao longo de 2026. O que hoje é um risco latente pode se tornar, da noite para o dia, uma ameaça concreta para contratos, linhas de crédito e operações cotidianas. Empresários e investidores brasileiros que atuam nessa zona de interseção precisam agir com antecedência — e o primeiro passo é buscar orientação jurídica especializada.

Consulte um advogado com expertise em comércio internacional e direito regulatório para avaliar sua exposição ao risco de sanções antes que as próximas atualizações regulatórias de 2026 surpreendam seu negócio. Na ExpertZoom, você encontra profissionais jurídicos prontos para orientar sua empresa nesse cenário complexo.

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