Queimadas no Tocantins em 2026: quem responde pelos danos se o fogo atingir sua propriedade?
Em 10 de junho de 2026, o governo do Tocantins anunciou um investimento de R$ 26 milhões e a mobilização de mais de 600 brigadistas para a temporada de estiagem 2025/2026. O estado, historicamente um dos mais afetados por incêndios florestais no Cerrado brasileiro, entra no período seco — de maio a setembro — com o maior plano de combate ao fogo de sua história. Mas os números impressionam pelo tamanho do desafio: quando o fogo escapa do controle, ele não respeita cercas, e o produtor vizinho paga a conta.
Se um incêndio originado na propriedade do seu vizinho destruiu sua pastagem, matou animais ou danificou instalações, a lei brasileira lhe garante o direito à reparação integral dos danos. O caminho jurídico existe — mas exige agilidade e conhecimento técnico.
A temporada de queimadas de 2026 no Tocantins
O Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais 2025/2026 do Tocantins destina R$ 26 milhões — um aumento de 52% em relação ao ano anterior. Mais de 600 candidatos a brigadistas realizaram o Teste de Aptidão Física em junho de 2026, segundo a Agência Tocantins. A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do estado firmou Termos de Execução Descentralizada com o Corpo de Bombeiros Militar para cobrir todas as regiões.
Mesmo com o reforço, o risco permanece alto. O Cerrado tocantinense — bioma que cobre mais de 90% do estado — é altamente inflamável durante a seca. O IBAMA registra historicamente que mais de 80% dos focos de queimada no Cerrado têm origem em atividades humanas: limpeza de pasto, queima de resíduo agrícola ou descuido com fogo próximo a área de vegetação nativa.
O Código Florestal e as regras sobre queimadas
A Lei nº 12.651/2012 (Código Florestal Brasileiro) proíbe o uso do fogo em vegetação nativa, salvo em situações específicas com autorização do órgão ambiental competente. Para o produtor rural, os pontos mais relevantes são:
- Queima controlada: permitida apenas com autorização prévia do IBAMA ou órgão estadual, sob condições técnicas rigorosas de umidade do ar, velocidade do vento e presença de brigada treinada.
- Queima irregular: o proprietário que provoca ou permite queimada sem autorização responde civil e criminalmente pelos danos causados a terceiros.
- Responsabilidade objetiva ambiental: não é necessário provar intenção. Basta demonstrar que o fogo saiu do imóvel do responsável e causou dano à sua propriedade.
De acordo com o art. 14 da Lei nº 6.938/1981 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente), o poluidor é obrigado a indenizar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, independentemente de culpa. Esse fundamento jurídico é amplamente usado em ações de reparação por queimadas. O art. 927 do Código Civil reforça: "aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo."
Como identificar o responsável pelo incêndio?
A prova é a etapa mais crítica. Para responsabilizar o vizinho ou terceiro, você precisa agir rapidamente:
- Registre a ocorrência: acione imediatamente o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil. O boletim de ocorrência é prova fundamental e não pode ser substituído por relatos tardios.
- Documente os danos: fotografe o rastro do fogo desde a origem até sua propriedade, incluindo danos a instalações, lavouras e animais. Use drone, se possível.
- Solicite laudo do IBAMA: o instituto realiza vistoria pós-incêndio e emite relatório técnico indicando a provável origem do fogo — este laudo tem valor probatório elevado em ação judicial.
- Preserve testemunhos: funcionários, vizinhos e trabalhadores que viram o início do incêndio são testemunhas-chave.
- Contrate um perito agrônomo: o laudo pericial quantifica os prejuízos em reais — pastagens destruídas, animais mortos, benfeitorias danificadas — e serve de base para o pedido de indenização.
Saiba como outros eventos climáticos extremos podem gerar danos ressarcíveis: El Niño em 2026: como proteger seu patrimônio dos danos do clima extremo.
Quanto tempo tenho para entrar com ação?
O prazo de prescrição para ações de reparação civil por danos ambientais é de 5 anos, contado a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. Para crimes ambientais (queimada ilegal), o Ministério Público pode acionar o responsável independentemente de ação civil sua — mas o andamento da ação penal não suspende o prazo da ação civil.
Se sua propriedade foi atingida em junho de 2026, você tem até junho de 2031 para ajuizar a ação de reparação. Entretanto, quanto mais cedo agir, mais fácil será reunir provas e testemunhos.
O que fazer se você for autuado pelo incêndio?
O risco é duplo: além de vítima, o produtor pode ser responsabilizado se um incêndio originado em sua propriedade atingir terceiros. Mesmo que o fogo tenha começado acidentalmente — por faísca de máquina agrícola, linha de transmissão ou queima de lixo que saiu do controle —, a responsabilidade objetiva ambiental pode ser invocada.
Situações que exigem defesa jurídica imediata:
- Recebeu autuação do IBAMA ou órgão estadual por queimada em sua propriedade
- Está sendo acionado por vizinhos como responsável pelo incêndio
- Recebeu notificação do Ministério Público para apurar origem do fogo
- Quer regularizar o uso de fogo controlado na sua propriedade antes da próxima estiagem
Quando consultar um advogado especializado?
Ações envolvendo queimadas são tecnicamente complexas: articulam direito ambiental, direito civil e procedimentos perante o IBAMA, o Corpo de Bombeiros e a Justiça Estadual. A fase de produção de provas é decisiva — e a maioria dos erros ocorre nessa etapa, por falta de orientação profissional.
Um advogado especializado em direito ambiental e rural pode orientar desde a coleta de provas até a propositura da ação, maximizando as chances de recuperação dos prejuízos. Veja também o que diz a jurisprudência sobre indenizações por incêndio e quem paga pelos danos: Incêndio no Circo do Tirulipa em Natal: quem responde pelos danos?
Com o Tocantins entrando em sua temporada mais crítica de queimadas, não espere o fogo chegar à sua porteira para buscar assessoria jurídica. Consulte agora um advogado especializado em direito rural e ambiental no ExpertZoom.

Joao Souza