Ter Stegen e três lesões em dois anos: quando retornar ao esporte sem monitoramento médico vira risco

Marc-André ter Stegen, goleiro alemão, em ação durante partida de qualificação para a Copa do Mundo 2014

Photo : Michael Kranewitter / Wikimedia

5 min de leitura 21 de maio de 2026

Marc-André ter Stegen acumula, desde setembro de 2024, três afastamentos por lesão que somam mais de 400 dias fora dos campos: a ruptura completa do tendão patelar direito (setembro de 2024, 214 dias), uma lesão nas costas que o tirou por 139 dias (julho a dezembro de 2025) e uma nova contusão na coxa esquerda sofrida em 31 de janeiro de 2026 contra o Real Oviedo, para a qual o goleiro passou por cirurgia e que deve mantê-lo afastado por cerca de 75 dias. A sequência de traumas graves levanta uma questão que vai além do futebol de elite: quando retornar ao esporte sem acompanhamento médico adequado transforma-se num risco real para atletas amadores e profissionais.

A história de lesões de Ter Stegen como alerta da medicina esportiva

O caso do goleiro alemão emprestado pelo Barcelona ao Girona é um exemplo clínico de como lesões recorrentes em atletas de alto rendimento podem estar interligadas. A ruptura do tendão patelar em 2024 — ocorrida inclusive no mesmo joelho que já havia sido operado em 2021 — foi classificada como "completa", exigindo cirurgia em 23 de setembro daquele ano e uma recuperação mínima de seis a nove meses. Ao retornar, Ter Stegen voltou a ser prejudicado por problemas lombares, que o afastaram por mais 139 dias ao longo da temporada 2025/2026. Em janeiro de 2026, nova intervenção cirúrgica — desta vez na coxa esquerda — colocou em xeque sua participação na Copa do Mundo, agendada para o segundo semestre de 2026.

Para especialistas em medicina esportiva, essa sequência de lesões em estruturas distintas pode indicar compensações biomecânicas: quando uma articulação ou músculo não se recupera totalmente, outras partes do corpo passam a absorver carga excessiva, aumentando o risco de novas lesões. A pressão por retornar rapidamente às atividades é apontada como um dos principais fatores de risco nesses casos.

Tendão patelar: o que é e por que a ruptura completa é tão grave

O tendão patelar conecta a rótula à tíbia e é essencial para a extensão do joelho — movimento fundamental para chutar, correr, saltar e agachar. A ruptura completa desse tendão, como a sofrida por Ter Stegen, compromete totalmente essa função e exige reparo cirúrgico imediato. O procedimento consiste em suturar as extremidades rompidas do tendão, seguida de um protocolo rigoroso de reabilitação com fisioterapia que dura, em média, de seis a doze meses dependendo da severidade e do nível de atividade do paciente.

O risco de reruptura existe especialmente nos primeiros 18 meses após a cirurgia, período em que o tendão ainda não recuperou toda sua resistência mecânica. Retornar ao esporte de impacto antes da liberação médica completa — incluindo testes funcionais de força, equilíbrio e agilidade — é considerado um dos principais fatores que levam a novas lesões, sejam elas no mesmo tendão ou em estruturas adjacentes.

Quando você deve procurar um médico após uma lesão muscular ou tendinosa

Nem toda dor no joelho ou na coxa exige cirurgia, mas algumas situações são sinais claros de que a avaliação médica urgente é necessária. Procure um especialista em ortopedia ou medicina esportiva se: sentir um "estalo" durante o exercício acompanhado de dor intensa e perda imediata de função; notar inchaço rápido na articulação após a prática esportiva; apresentar dificuldade para estender o joelho ou fazer apoio no membro lesionado; ou tiver dor que piora progressivamente ao longo de dias sem melhora com repouso.

Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, lesões musculoesqueléticas mal tratadas são a segunda principal causa de afastamento do trabalho no país e uma das maiores fontes de incapacidade de longo prazo em adultos ativos. O diagnóstico precoce com imagens (ultrassom ou ressonância magnética) é determinante para definir se o tratamento será conservador ou cirúrgico — e para montar um plano de reabilitação eficaz.

A diferença entre tratamento conservador e cirúrgico nas lesões tendinosas

Para rupturas parciais do tendão ou lesões de grau leve, o tratamento conservador com repouso, anti-inflamatórios, fisioterapia e imobilização temporária costuma ser eficaz. Porém, nas rupturas completas — como a de Ter Stegen — a cirurgia é praticamente mandatória para restaurar a função completa do membro, especialmente em pessoas ativas ou atletas. Adiar a intervenção cirúrgica em casos de ruptura total pode levar ao encurtamento das extremidades do tendão, dificultando o reparo posterior e comprometendo os resultados funcionais.

Após a cirurgia, o protocolo de reabilitação passa por fases definidas: controle do edema, ganho de amplitude de movimento, fortalecimento progressivo, treino proprioceptivo e, finalmente, retorno gradual às atividades específicas do esporte. Cada fase deve ser validada por testes clínicos antes do avanço para a etapa seguinte.

Lesões de coxa: isquiotibial e quadríceps no contexto esportivo brasileiro

A lesão na coxa sofrida por Ter Stegen em 2026 envolveu a musculatura isquiotibial — grupo de três músculos na parte posterior da coxa amplamente ativo em chutes, acelerações e mudanças de direção. Essa é, aliás, a lesão muscular mais comum no futebol brasileiro. Dados de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro indicam que lesões isquiotibiais representam entre 12% e 17% de todos os traumas musculoesqueléticos registrados por temporada.

O tratamento varia do repouso simples a cirurgia, dependendo do grau da lesão. Atletas amadores que praticam futebol recreativo nos fins de semana são um grupo de alto risco, especialmente quando não fazem aquecimento adequado e retornam ao esporte após período de inatividade.

O que o caso Ter Stegen ensina para praticantes de esporte no Brasil

A trajetória médica de Ter Stegen reforça que acompanhamento contínuo de um profissional de saúde é indispensável para quem pratica esporte de intensidade moderada a alta — não apenas para atletas profissionais. No Brasil, onde o futebol é praticado por milhões de pessoas de todas as idades, a cultura de "forçar" o retorno antes da recuperação completa é responsável por muitas relesões evitáveis.

Para entender quando uma lesão muscular ou articular exige cuidado especializado, uma consulta com um médico do esporte pode ser decisiva. Um especialista avalia o grau da lesão, indica o tratamento correto e define o cronograma seguro de retorno às atividades — evitando que uma lesão simples se torne um problema crônico.

Aviso de saúde: Este artigo tem caráter informativo e não constitui diagnóstico ou aconselhamento médico. Diante de qualquer lesão ou dor, consulte um profissional de saúde qualificado.

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