As quartas de final da Superliga Masculina de Vôlei 2025/26 estão definidas, e a grande final já tem data marcada: 10 de maio de 2026, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. O Sada Cruzeiro lidera a classificação com 54 pontos e entra nos playoffs com vantagem de campo. Mas enquanto os times se preparam para os confrontos decisivos, há uma questão que pouca gente discute nos jogos de alto nível: o custo físico do voleibol para o corpo humano.
Para quem joga vôlei — seja no alto rendimento ou na quadra do bairro — entender as lesões mais comuns dessa modalidade pode ser a diferença entre jogar por muitos anos ou parar cedo por falta de cuidado.
O vôlei parece leve. Não é.
A imagem do vôlei como esporte "menos agressivo" do que o futebol ou o basquete é enganosa. Em uma partida de alto nível, um ponteiro pode saltar mais de 80 vezes por jogo. A força de impacto no aterrissar de um bloqueio ou ataque pode chegar a três vezes o peso corporal do atleta — o equivalente a, para uma pessoa de 85 kg, absorver 255 kg de impacto em cada pulo.
Multiplicado por 80 saltos, por 5 sets, por dezenas de partidas por temporada, o acúmulo é brutal. Não por acaso, o voleibol está entre as modalidades com maior incidência de lesões por sobrecarga — o que os médicos esportivos chamam de "lesões de uso excessivo" ou overuse injuries.
As 5 lesões mais comuns no vôlei
1. Tendinite patelar (joelho do saltador) A mais frequente e temida entre voleibolistas. O tendão patelar é responsável por absorver o impacto dos saltos e transmitir força na fase de decolagem. Quando sobrecarregado, inflamava e gera dor progressiva logo abaixo da patela.
Segundo a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), a tendinite patelar afeta cerca de 40% dos atletas profissionais em algum momento da carreira. Em estágios avançados, pode exigir meses de afastamento e, em casos extremos, cirurgia.
2. Entorse de tornozelo Causada principalmente pelo pouso próximo ao bloqueio adversário — um dos momentos de maior risco no vôlei. O tornozelo supina de forma brusca, lesionando os ligamentos laterais. É a lesão aguda mais frequente no vôlei competitivo.
3. Lesões no ombro O ombro do atacante e do sacador sofre com movimentos repetitivos em arco amplo de velocidade alta. As lesões mais comuns são a síndrome do impacto (pinçamento dos tendões do manguito rotador) e, em casos mais graves, rupturas parciais ou totais do manguito rotador.
4. Lombalgia (dor lombar) O levantador, em particular, realiza movimentos de rotação e hiperextensão repetidos ao longo de toda a partida. O resultado frequente é a sobrecarga dos discos intervertebrais e da musculatura paravertebral, levando a dores lombares crônicas que podem se agravar com a continuidade do jogo sem tratamento.
5. Lesão no dedo (fratura ou luxação) Comum especialmente entre bloqueadores. O impacto direto da bola ou do contato com a rede pode causar fraturas nos falanges ou luxações das articulações interfalangeanas — lesões que, apesar de pequenas, comprometem a função manual por semanas.
Quando a dor no treino vira sinal de alerta
Muitos atletas amadores e semiprofissionais ignoram a dor, especialmente quando ela surge de forma gradual. Esse é um dos maiores erros no esporte. A dor persistente é sempre um sinal de que algo está errado — e continuar treinando sem avaliação profissional transforma uma lesão tratável em uma condição crônica.
Procure um médico especialista em medicina esportiva ou ortopedia se você sentir:
- Dor no joelho que piora ao subir ou descer escadas, ou que persiste além de 48 horas após o treino
- Dificuldade de apoio total no tornozelo após um entorse, mesmo que leve
- Limitação de movimento ou estalo no ombro durante o saque ou cortada
- Dor lombar que irradia para a perna (pode indicar compressão de nervo)
- Inchaço persistente em qualquer articulação por mais de três dias
Aviso: Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico especialista em medicina esportiva ou ortopedista. Lesões esportivas devem sempre ser diagnosticadas por um profissional habilitado.
O papel da medicina esportiva na longevidade do atleta
Os principais clubes da Superliga — Cruzeiro, Sesi-SP, Vôlei Renata, Minas — mantêm equipes multidisciplinares que incluem médicos esportivos, fisioterapeutas, preparadores físicos e nutricionistas. Essa estrutura permite detectar sobrecargas antes que evoluam para lesões graves, monitorar a carga de treino e personalizar a recuperação.
Para o atleta recreativo ou semiprofissional, essa estrutura raramente existe. A alternativa é buscar um médico esportivo individualmente — e não esperar que a lesão se instale para fazê-lo.
O acompanhamento preventivo em medicina esportiva inclui:
- Avaliação funcional da mobilidade e da força muscular
- Identificação de assimetrias e desequilíbrios que aumentam o risco de lesão
- Prescrição de exercícios de fortalecimento preventivo (especialmente para joelho e ombro em voleibolistas)
- Orientação sobre periodização do treino e recuperação adequada
Com as quartas de final da Superliga Masculina 2026 em andamento e a final marcada para 10 de maio no Ibirapuera, o país vai acompanhar de perto o nível físico e técnico de atletas como os do Sada Cruzeiro, que chega à fase decisiva como principal favorito.
O que muitos torcedores não veem é o trabalho silencioso das comissões médicas que, nos bastidores, garantem que esses atletas possam jogar cada ponto com explosão — e continuar jogando na próxima temporada.
Vôlei recreativo também exige atenção médica
Um ponto frequentemente esquecido: as lesões do vôlei não são exclusividade dos profissionais. Na verdade, atletas amadores têm mais risco em alguns aspectos — pois treinam sem supervisão técnica, não têm aquecimento adequado e frequentemente jogam múltiplas partidas seguidas nos fins de semana.
Segundo o Ministério da Saúde, traumatismos esportivos representam uma das principais causas de atendimento ortopédico em pronto-socorros no Brasil. O vôlei, com sua combinação de saltos, giros e contatos, está entre os esportes com maior frequência de atendimento por lesão em ligas recreativas.
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Para mais informações sobre prevenção de lesões no esporte, consulte as orientações da Confederação Brasileira de Voleibol.
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Gabriel Alves