Sergio Ramos voltou a ocupar as manchetes esportivas em julho de 2026 — mas desta vez o motivo não foi um gol de cabeça. Livre no mercado após deixar o Monterrey, da Liga MX, o zagueiro espanhol aparece cada vez mais associado a um projeto que nada tem a ver com os gramados: a Yeguada SR4, sua criação de cavalos andaluzes. Avaliado em cerca de US$ 165 milhões segundo levantamentos de mercado divulgados em março de 2026, o ex-capitão do Real Madrid transformou uma paixão de infância em um negócio milionário reconhecido internacionalmente. E, por trás do glamour, existe um universo técnico que interessa a milhares de criadores brasileiros: a sanidade dos equídeos.
Do futebol ao haras: o que está por trás da Yeguada SR4
A Yeguada SR4 nasceu do fascínio de Sergio Ramos pela cultura e pelas tradições andaluzas. O haras se especializou na criação do Puro-Sangue Espanhol (PRE), raça também conhecida como cavalo andaluz, célebre pela elegância dos movimentos e pela docilidade. Um dos exemplares da propriedade, o garanhão Yucatán de Ramos, foi premiado no SICAB, o Salão Internacional do Cavalo de Pura Raça Espanhola realizado em Sevilha — a mais importante vitrine mundial da raça.
Enquanto negocia um consórcio avaliado em torno de € 450 milhões para adquirir o controle do Sevilla FC, Ramos mantém a criação como parte de um portfólio diversificado. O caso ilustra uma tendência entre atletas de elite: converter hobbies em ativos de longo prazo. Mas criar cavalos de alto padrão exige muito mais do que capital — exige acompanhamento veterinário rigoroso e conhecimento sanitário, algo que qualquer criador no Brasil, do grande haras ao pequeno proprietário rural, precisa levar a sério.
Por que a saúde equina virou assunto de especialista
O Brasil tem um dos maiores rebanhos de equídeos do mundo, com milhões de cavalos, muares e asininos distribuídos entre esporte, lazer, trabalho rural e criação de raça. Cuidar desses animais não é apenas uma questão de bem-estar: é uma exigência legal e sanitária.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Programa Nacional de Sanidade dos Equídeos (PNSE), instituído pela Instrução Normativa SDA nº 17, de 2008, tem como foco o controle de duas doenças de notificação obrigatória: a Anemia Infecciosa Equina (AIE) e o Mormo. A AIE, causada por um lentivírus, pode ser assintomática por longos períodos, mas leva a febre, anemia e emagrecimento progressivo, sem tratamento nem vacina disponíveis. Já o Mormo é uma doença bacteriana grave que, além de atingir os equídeos, pode ser transmitida ao ser humano — uma zoonose com sintomas respiratórios e cutâneos.
Isso significa que trânsito de animais, participação em provas e eventos, compra e venda de exemplares e até a permanência em determinadas propriedades dependem de exames laboratoriais atualizados e de atestados sanitários emitidos com base em legislação federal. Um erro nesse processo pode gerar prejuízo financeiro e sacrifício obrigatório de animais.
Os cuidados que todo criador deveria conhecer
A rotina de um haras profissional como o de Sergio Ramos oferece boas lições para quem cria cavalos no Brasil. Entre os pontos que um médico-veterinário especializado costuma priorizar:
- Exames sanitários em dia: o diagnóstico da AIE (teste de Coggins) e do Mormo deve ser renovado periodicamente, especialmente antes de qualquer deslocamento do animal. A validade e a exigência dos exames variam conforme o estado e o tipo de evento.
- Manejo nutricional adequado: cavalos de raça, como o PRE, têm necessidades específicas de energia, fibras e minerais. Dietas mal equilibradas favorecem cólicas, uma das principais causas de morte em equinos.
- Cuidado com cascos e articulações: ferrageamento correto e acompanhamento ortopédico previnem laminites e lesões que podem inutilizar um animal de valor.
- Programa de vermifugação e vacinação: contra tétano, encefalomielite, influenza equina e raiva, sempre orientado por um profissional habilitado.
O elo entre o craque e o criador brasileiro
A história de Sergio Ramos e da Yeguada SR4 mostra que, do zagueiro milionário ao criador de fim de semana no interior, todos enfrentam os mesmos desafios técnicos. A diferença está no suporte profissional. No Brasil, a criação equina movimenta bilhões de reais por ano e envolve desde a hípica olímpica até a vaquejada e o turismo rural — cada segmento com suas exigências sanitárias.
Para quem pensa em investir na atividade, ou já cria e quer regularizar a situação do plantel, o acompanhamento de um médico-veterinário é indispensável. É esse profissional que interpreta os exames, orienta o manejo, emite atestados e evita que um descuido se transforme em uma perda irreparável — sanitária, financeira ou legal.
Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário habilitado. Diagnósticos, exames e tratamentos de equídeos devem sempre ser conduzidos por profissional registrado no conselho competente.
Quando procurar um especialista
Se você identifica sinais como febre recorrente, emagrecimento sem causa aparente, feridas que não cicatrizam ou secreção nasal persistente no seu cavalo, não espere: procure um veterinário imediatamente, já que esses podem ser indícios de doenças de notificação obrigatória. Da mesma forma, antes de comprar, vender ou transportar um animal, um especialista garante que toda a documentação sanitária esteja em ordem.
Na Expert Zoom, você encontra médicos-veterinários e especialistas em animais de grande porte prontos para orientar criadores, tirar dúvidas sobre a legislação do PNSE e ajudar a proteger o seu plantel. Assim como Sergio Ramos cerca sua Yeguada SR4 dos melhores profissionais, qualquer criador pode — e deve — contar com apoio técnico qualificado para transformar a paixão por cavalos em um projeto seguro e sustentável.

Fernanda Rodrigues