Com o Brasil eliminado na Copa do Mundo 2026 pela Noruega no dia 5 de julho, os olhos do país voltaram-se para o maior ídolo do futebol brasileiro — Ronaldo Nazário. O "Fenômeno", que completará 50 anos em setembro de 2026, esteve em destaque durante o torneio em Miami, com sua presença na Casa Rede Ronaldo, o maior hub de entretenimento da Copa. Mas ao lado das comemorações, uma questão voltou à tona: como Ronaldo lidou durante anos com o hipotireoidismo que encerrou sua carreira antes do tempo — e o que isso significa para os 18 milhões de brasileiros que convivem com a mesma doença?
O Fenômeno e a Doença Silenciosa
Ronaldo Nazário foi diagnosticado com hipotireoidismo em 2007, quando ainda atuava pelo Milan, na Itália. A revelação pública só veio em 2011, ao anunciar sua aposentadoria definitiva. Naquele momento, o ex-atacante explicou que a baixa produção de hormônios pela tireoide havia contribuído diretamente para seu ganho de peso e a queda no desempenho físico. "Me sinto derrotado", chegou a dizer em entrevista sobre a luta para controlar o peso ao longo dos anos.
O caso chamou atenção nacional para uma condição muito mais comum do que se imagina. Segundo o Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a prevalência da doença atinge cerca de 6% da população brasileira — com incidência especialmente alta em mulheres e em pessoas acima dos 60 anos.
O Que é o Hipotireoidismo
O hipotireoidismo ocorre quando a glândula tireoide não produz hormônios — T3 e T4 — em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo. Esses hormônios regulam o metabolismo, a função cardíaca, a temperatura corporal e até o humor. Quando faltam, o corpo literalmente desacelera.
A Tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a própria tireoide, é a principal causa no Brasil. Outras origens incluem deficiência de iodo, cirurgias na tireoide e uso de certos medicamentos. O diagnóstico é feito por exame de sangue simples — a dosagem do TSH (hormônio estimulante da tireoide) e do T4 livre.
Os 5 Sinais Que Ronaldo Não Reconheceu a Tempo
Um dos maiores problemas do hipotireoidismo é que seus sintomas são facilmente confundidos com estresse, sedentarismo ou envelhecimento normal. Eis os cinco sinais mais comuns que justificam uma consulta médica:
1. Cansaço persistente sem explicação — Mesmo após uma boa noite de sono, a sensação de exaustão não passa. É o sintoma mais relatado pelos pacientes e frequentemente ignorado por anos.
2. Ganho de peso inexplicável — O metabolismo desacelerado faz o organismo armazenar mais gordura, mesmo sem mudança na dieta. Ronaldo Nazário enfrentou exatamente isso, pesando 118 kg em determinado momento de sua vida fora dos campos.
3. Depressão e lentidão mental — O hipotireoidismo pode provocar alterações de humor, dificuldade de concentração e sintomas depressivos. Em muitos casos, o paciente recebe tratamento psiquiátrico antes de descobrir a verdadeira causa hormonal.
4. Pele seca, queda de cabelo e unhas quebradiças — Sinais frequentemente atribuídos a outras causas, mas que, combinados com fadiga e ganho de peso, merecem atenção médica imediata.
5. Intolerância ao frio e batimentos cardíacos lentos — A sensação constante de frio mesmo em dias quentes e a bradicardia (frequência cardíaca abaixo de 60 bpm) são indicadores clássicos avaliados na consulta médica.
Para entender como desequilíbrios hormonais afetam até os maiores atletas, vale conferir também a análise sobre sobrecarga física de jogadores durante a Copa do Mundo 2026.
O Erro Que 25% dos Brasileiros Ainda Cometem
Um dado preocupante: pesquisa publicada em revista científica brasileira aponta que 25% dos portadores de hipotireoidismo no Brasil não tratam a doença ou o fazem de forma inadequada. Nas classes econômicas C, D e E, esse percentual sobe para 45% a 50%.
Ronaldo Nazário chegou a postergar o próprio tratamento durante a carreira por receio de ser acusado de doping. O equívoco: a levotiroxina (T4 sintético), medicamento padrão para o hipotireoidismo, não é substância proibida no esporte. Com a dose certa — ajustada por um endocrinologista com base em exames regulares — a maioria dos pacientes retoma uma vida completamente normal.
O hipotireoidismo não tratado pode evoluir para complicações sérias: doença cardiovascular, infertilidade, neuropatia e, em casos extremos, o coma mixedematoso, uma emergência médica grave. No longo prazo, a falta de tratamento também prejudica a saúde mental de forma significativa.
Quando Procurar um Especialista
Se você reconheceu dois ou mais dos sinais descritos — especialmente fadiga crônica, ganho de peso sem causa aparente e alterações de humor — não espere os sintomas piorarem. O diagnóstico é feito por exame de sangue simples, disponível tanto pelo SUS quanto pela rede privada.
O endocrinologista é o especialista indicado para avaliar e tratar doenças da tireoide. Em muitos casos, o clínico geral ou médico de família pode solicitar o exame inicial e encaminhar ao especialista quando necessário. Mulheres em idade fértil e gestantes devem ter atenção redobrada, pois o hipotireoidismo não tratado aumenta o risco de complicações na gravidez.
Uma consulta online com um especialista em saúde pode ser o primeiro passo — especialmente para quem mora em regiões com acesso limitado a endocrinologistas. A Expert Zoom conecta você a médicos e especialistas de saúde qualificados para uma primeira avaliação, onde quer que você esteja no Brasil.
A história de Ronaldo Nazário é a de um homem que precisou esperar anos para entender o que acontecia com seu próprio corpo. Os 18 milhões de brasileiros com hipotireoidismo não precisam repetir esse erro. O sinal de alerta já foi dado — resta agir.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional de saúde qualificado.

Gabriel Alves