A República Dominicana aparece entre os destinos internacionais mais procurados por brasileiros em 2026, segundo dados divulgados em maio pelo Ministério do Turismo. As buscas pelo país caribenho cresceram 38% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionadas por novas rotas diretas Salvador-Punta Cana operadas pela companhia aérea Sky Cana e por pacotes promocionais para a alta temporada de julho. O destino combina visto facilitado, Mar do Caribe e infraestrutura turística madura, mas a entrada exige documentação específica e o sistema de saúde local cobra valores em dólar que podem gerar dívidas pesadas para quem viaja sem cobertura adequada.
Levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicado em maio de 2026 mostra que 71% dos brasileiros que viajam ao Caribe não contratam seguro viagem internacional, mesmo quando o destino exige comprovação ou recomenda fortemente. O resultado: famílias retornam ao país com dívidas médias de R$ 18 mil após qualquer atendimento médico de média complexidade no exterior. Antes de embarcar, vale revisar os quatro documentos obrigatórios e entender por que o seguro privado virou item essencial — mesmo que a República Dominicana não o exija formalmente.
Documentos obrigatórios para brasileiros em 2026
Brasileiros não precisam de visto para turismo na República Dominicana, desde que a permanência não ultrapasse 30 dias. A entrada, porém, exige quatro itens que precisam estar em ordem no aeroporto:
1. Passaporte válido
O passaporte deve ter validade superior a seis meses a partir da data de entrada no país. A regra é internacional e fiscalizada com rigor pela imigração dominicana. A Polícia Federal brasileira mantém prazo de emissão de novo passaporte entre 6 e 10 dias úteis em capitais.
2. Comprovação de passagem de ida e volta
Brasileiros que apresentam apenas passagem de ida costumam ser questionados na imigração. O recomendado é embarcar com bilhetes de retorno emitidos ou comprovante de continuidade de viagem para um terceiro país.
3. E-Ticket eletrônico
Desde 2021, a entrada na República Dominicana exige o preenchimento de um formulário eletrônico chamado E-Ticket no portal oficial eticket.migracion.gob.do. O documento deve ser preenchido até 72 horas antes do embarque e gera um QR Code apresentado na imigração. O serviço é gratuito.
4. Certificado Internacional de Vacinação (CIVP) contra febre amarela
Brasileiros precisam apresentar o CIVP com vacinação contra febre amarela realizada pelo menos 10 dias antes da chegada ao país. A regra vale para todos os viajantes vindos de áreas de risco — e o Brasil é classificado integralmente como zona de risco pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O certificado é emitido pela Anvisa após apresentação da carteira de vacinação. Pode ser solicitado online no portal da agência e tem validade vitalícia desde 2016.
Por que o seguro viagem virou essencial
O sistema de saúde dominicano é predominantemente privado para estrangeiros. Um simples atendimento ambulatorial em clínicas particulares de Punta Cana, Santo Domingo ou La Romana custa em média US$ 250 apenas pela consulta. Procedimentos de média complexidade — sutura, raio-X, infusão venosa — chegam facilmente a US$ 1.500. Casos graves, com internação, ultrapassam US$ 15 mil por dia.
Para uma família brasileira atingida por dengue, intoxicação alimentar ou acidente aquático, a fatura final pode ultrapassar R$ 100 mil em poucos dias. Sem cobertura, esse valor sai do bolso do viajante — frequentemente parcelado em cartão de crédito internacional com IOF de 4,38% sobre cada parcela.
A pesquisa da ANS aponta que apenas 29% dos brasileiros contratam seguro antes de viagens ao Caribe, embora exista oferta no mercado nacional a partir de R$ 8,50 por dia, com cobertura mínima de US$ 30 mil para despesas médico-hospitalares.
Como escolher o seguro adequado para o Caribe
Profissionais de saúde e consultores de viagem recomendam atenção a seis pontos antes da contratação:
- Cobertura médica hospitalar mínima de US$ 60 mil para destinos caribenhos;
- Cobertura para Covid-19 ainda relevante em 2026;
- Inclusão de atividades aquáticas (mergulho, kitesurf, esnórquel);
- Atendimento em português ou central 24h em espanhol;
- Cobertura de extravio de bagagem acima de US$ 1.500;
- Cobertura de cancelamento de viagem por motivo médico.
Apólices muito baratas costumam excluir doenças preexistentes, esportes considerados de risco e atendimentos psicológicos. Leia integralmente as exclusões antes de assinar.
Riscos médicos específicos no Caribe
O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde brasileiro registrou alta de casos de dengue importada da região caribenha em 2025 e 2026. Outros riscos a considerar:
- Dengue, zika e chikungunya transmitidos pelo Aedes aegypti;
- Diarreias virais e bacterianas ligadas a água ou alimentos;
- Insolação e queimaduras solares intensas;
- Acidentes aquáticos (correntes, ouriços, águas-vivas);
- Lesões em esportes náuticos sem instrutor habilitado.
A vacinação contra febre amarela é obrigatória, mas profissionais de saúde também recomendam atualização de hepatite A, hepatite B, tétano e tríplice viral antes de viagens ao Caribe.
O que fazer em caso de emergência médica
Se surgir necessidade de atendimento durante a viagem, a recomendação é:
- Acionar a central 24h do seguro contratado antes de buscar atendimento por conta própria;
- Guardar toda nota fiscal de medicamentos, exames e consultas;
- Pedir relatório médico em inglês ou espanhol detalhado para reembolso;
- Comunicar a embaixada brasileira em Santo Domingo em casos graves;
- Manter cópia digital de passaporte, CIVP e apólice no celular e no e-mail.
A Embaixada do Brasil em Santo Domingo mantém plantão consular 24 horas para emergências envolvendo cidadãos brasileiros, com telefone disponível no portal do Itamaraty.
Quando consultar um profissional de saúde antes da viagem
Médicos especializados em medicina do viajante recomendam consulta pré-viagem com pelo menos 30 dias de antecedência para destinos caribenhos. A consulta avalia:
- Atualização do calendário vacinal;
- Necessidade de profilaxia para malária (sem indicação para RD na maioria das áreas);
- Recomendações específicas para gestantes, crianças e idosos;
- Revisão de medicamentos de uso contínuo;
- Orientação sobre kit de viagem com remédios básicos.
O Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) atende casos especiais pelo SUS em todas as capitais brasileiras.
Próximos passos para quem viaja em 2026
Quem planeja viagem à República Dominicana neste ano deve organizar a documentação com antecedência:
- Confira a validade do passaporte (mínimo 6 meses);
- Tome a vacina contra febre amarela ao menos 10 dias antes;
- Emita o CIVP no portal da Anvisa;
- Preencha o E-Ticket até 72 horas antes do embarque;
- Contrate seguro viagem com cobertura mínima de US$ 60 mil;
- Agende consulta médica pré-viagem com 30 dias de antecedência.
O Caribe segue como destino acessível e desejado por brasileiros, mas a combinação de sistema de saúde caro com riscos epidemiológicos específicos torna o planejamento médico tão importante quanto a reserva do hotel. Para orientações oficiais sobre vacinação e medicina do viajante, o portal do Ministério da Saúde reúne informações atualizadas sobre certificados internacionais, vacinas obrigatórias e endereços dos centros de aplicação.

Gabriel Alves