A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de barrar, por unanimidade, a candidatura presidencial de Pablo Marçal em 12 de setembro de 2026 dominou a cobertura do portal R7 — e moveu bilhões de reais no mercado financeiro brasileiro antes mesmo que a maioria dos investidores percebesse o que estava acontecendo com suas carteiras.
O que aconteceu: a rejeição de Marçal pelo TSE e a cobertura do R7
No dia 12 de setembro de 2026, o TSE negou por unanimidade o registro da candidatura de Pablo Marçal (PRTB) à Presidência da República. A ministra relatora Estela Aranha fundamentou o voto na inelegibilidade de Marçal até 2032, consequência de uma condenação por uso irregular das redes sociais durante as eleições municipais de São Paulo em 2024. O partido PRTB precisou, em seguida, indicar um novo candidato — Leonardo Avalanche foi nomeado para a chapa presidencial.
O R7.com acompanhou o julgamento em tempo real, gerando um dos maiores picos de audiência do portal em 2026 segundo a Record TV. Em paralelo, o portal cobriu com destaque o movimento de Renan Santos ao acionar o TSE contra o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo presidente Lula em 18 de setembro — outro episódio que agitou o noticiário eleitoral poucos dias depois.
Juntos, esses eventos configuraram um setembro de alta intensidade informativa — e de alta volatilidade para quem tem dinheiro aplicado em renda variável.
Por que a turbulência política afeta seus investimentos
Eleições presidenciais no Brasil historicamente afastam capital estrangeiro e aumentam a volatilidade nos índices. A incerteza sobre quem vai governar e, principalmente, sobre qual política econômica será adotada, se traduz em números precisos e imediatos no mercado.
Em agosto de 2026, a B3 registrou uma saída líquida de R$ 18,7 bilhões de capital estrangeiro — ainda antes da decisão do TSE sobre Marçal em setembro. O Ibovespa encerrou o pregão de 17 de setembro em 185.547 pontos, queda de 0,51% no dia, em sessão marcada pelas incertezas do cenário eleitoral. O real brasileiro, por sua vez, apresentou variação de quase 8% em relação à sua mínima de 52 semanas no período pré-eleitoral, alterando diretamente o valor de investimentos atrelados ao dólar ou ao euro.
Esses movimentos não são aleatórios. Economistas chamam isso de "risco político" — a probabilidade de que decisões políticas ou eleitorais afetem o valor dos ativos financeiros de um investidor. Quanto mais midiática é uma crise eleitoral, mais rápido esse risco se incorpora nos preços. O R7 e outros grandes veículos cobriram cada passo do processo — e o mercado reagiu em tempo real.
Ao mesmo tempo, o Banco Central mantém a taxa Selic em 14,75% ao ano, nível ainda elevado pelos padrões históricos brasileiros. Essa combinação — renda variável volátil e renda fixa com rentabilidade real atrativa — cria um dilema concreto para investidores: manter, reduzir ou rebalancear a exposição a ações durante o período eleitoral? Saiba mais sobre como a trajetória da Selic afeta diferentes classes de ativos em nosso artigo sobre os efeitos da queda da Selic para investidores em 2026.
Cenário concreto: o que acontece com R$ 50 mil em renda variável agora
Tome o caso de um investidor que, em julho de 2026, alocou R$ 50 mil em uma carteira de renda variável composta por 60% em ações da B3 e 40% em fundos multimercado atrelados ao câmbio — uma estrutura comum entre investidores de perfil moderado.
Dois meses depois, com o Ibovespa acumulando queda de aproximadamente 4,2% no período pré-eleitoral e o dólar subindo 3,8%:
- Parcela em ações (R$ 30 mil): perda de aproximadamente R$ 1.260 (-4,2%)
- Parcela em multimercado cambial (R$ 20 mil): ganho de aproximadamente R$ 760 (+3,8%)
- Resultado líquido: perda de cerca de R$ 500 em dois meses
Se esse mesmo investidor tivesse toda a carteira concentrada em ações, a perda teria sido de R$ 2.100. Se estivesse 100% em renda fixa atrelada ao CDI — à Selic de 14,75% ao ano —, teria rendido positivamente cerca de R$ 1.230 no mesmo período.
Essa diferença de R$ 3.330 entre o melhor e o pior cenário, em apenas dois meses e sobre R$ 50 mil aplicados, ilustra por que períodos eleitorais exigem atenção ativa à carteira. Se as eleições de outubro de 2026 gerarem um cenário de alta incerteza pós-primeiro turno, esse tipo de volatilidade pode se intensificar — especialmente em setores sensíveis à política econômica, como bancos, empresas de energia e construtoras.
A regra prática que especialistas em gestão de patrimônio costumam usar é simples: se a turbulência eleitoral está te impedindo de dormir, sua carteira está mal dimensionada para o seu real perfil de risco. Não é uma questão de prever o resultado das eleições — tarefa impossível — mas de garantir que qualquer resultado possível não coloque em risco os seus objetivos financeiros de longo prazo.
Vale lembrar também que o impacto eleitoral não é homogêneo entre os setores. Empresas do setor elétrico, bancos estatais e construtoras com exposição a programas habitacionais do governo tendem a reagir de forma mais intensa a mudanças de sinalização política do que empresas exportadoras, que se beneficiam da desvalorização cambial independentemente do resultado eleitoral.
O que um especialista em gestão de patrimônio recomenda para setembro e outubro de 2026
Diante do cenário eleitoral ainda incerto — com o primeiro turno marcado para outubro de 2026 — gestores de patrimônio têm recomendado ajustes específicos segundo o perfil de cada investidor.
Perfis conservadores: aumentar a posição em renda fixa de curto prazo (CDB, Tesouro Selic) reduz a exposição à volatilidade sem abrir mão de rentabilidade real, especialmente com a Selic a 14,75% ao ano. Títulos indexados ao IPCA (Tesouro IPCA+) também oferecem proteção contra pressão inflacionária pós-eleitoral — um risco real caso o candidato eleito rompa com o arcabouço fiscal vigente.
Perfis moderados: manter diversificação entre renda variável e renda fixa, com rebalanceamento trimestral. O ponto crítico é garantir que a alocação real ainda corresponde ao planejamento original — muitos investidores descobrem, apenas ao olhar o extrato, que a queda do Ibovespa aumentou involuntariamente o peso da renda fixa na carteira, criando uma sub-exposição a ações que pode custar oportunidades na eventual recuperação pós-eleitoral.
Perfis arrojados: o período pré-eleitoral pode criar janelas de compra em ativos que sofreram queda por razões políticas, não fundamentais. Empresas com sólidos resultados operacionais mas com ações pressionadas pelo "humor" do mercado podem representar oportunidades reais — desde que a decisão seja baseada em análise técnica e não em especulação impulsionada pela cobertura do R7 ou de qualquer outro canal de notícias.
Em todos os casos, o ponto central é idêntico: nenhuma decisão de investimento deve ser tomada com base no noticiário eleitoral em tempo real. O ruído informativo de uma campanha presidencial é projetado para capturar atenção — e pode ser profundamente enganoso como guia financeiro. O TSE disponibiliza informações oficiais sobre o calendário e os candidatos registrados para quem quiser checar os fatos diretamente.
Aviso importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. As informações aqui contidas não constituem recomendação de investimento. Consulte sempre um especialista certificado em gestão de patrimônio antes de tomar decisões financeiras.
Se você está acompanhando as eleições 2026 pelo R7 e tem dúvidas sobre como proteger seus investimentos durante esse período, conecte-se com um especialista em gestão de patrimônio no ExpertZoom. Uma consulta personalizada pode fazer a diferença entre reagir emocionalmente ao noticiário e tomar decisões fundamentadas no seu perfil de risco real.

Jose Santos