Temporais severos com raios e granizo atingiram o Sul do Brasil na primeira semana de julho de 2026, segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, que emitiu alertas de tempestade severa nos dias 1º e 2 de julho. Rajadas de vento, chuva intensa e forte atividade elétrica deixaram moradores sem energia e com equipamentos queimados — e a previsão do INMET aponta que o padrão deve continuar ao longo do mês, com chuvas acima da média nas regiões Sul e Norte. Para os técnicos em eletrônicos, é exatamente nessa época que a demanda por consertos dispara.
Brasil lidera o mundo em raios — e seu equipamento paga a conta
O Brasil é campeão mundial em incidência de raios. Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o país registra em média 118 milhões de descargas atmosféricas por ano. No início de 2026, o Rio de Janeiro sozinho registrou mais de 131 mil raios em apenas 40 dias — um aumento de 61% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Quando uma descarga elétrica cai nas proximidades da sua casa ou atinge a rede de distribuição, ela gera um surto de tensão que viaja pelos fios até os aparelhos conectados nas tomadas. O resultado: televisores queimados, roteadores destruídos, geladeiras paradas. O prejuízo médio por evento pode ultrapassar R$ 3.000, segundo dados do setor de assistência técnica — valor que ultrapassa com folga o custo de uma proteção adequada.
Por que seu eletrônico queimou mesmo estando "desligado"
Um erro muito comum é deixar o equipamento no modo standby — aquela luzinha vermelha acesa — achando que isso é proteção suficiente. Não é. Qualquer aparelho conectado à tomada, mesmo em modo de espera, está sujeito ao surto elétrico. Isso inclui televisores, aparelhos de ar-condicionado, micro-ondas e até carregadores de celular que ficam na tomada permanentemente.
Técnicos em eletrônicos explicam que o surto de tensão não avisa: ele pode queimar o componente interno (como a fonte de alimentação ou a placa principal do aparelho) em frações de segundo, sem que você perceba nada até tentar ligar o equipamento após a tempestade. Em muitos casos, o aparelho até liga brevemente antes de parar definitivamente — o dano já está feito.
DPS: o dispositivo que todo técnico recomenda
O Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS) é instalado no quadro de distribuição elétrica da residência e funciona como um "para-raios interno": quando detecta uma variação brusca de tensão, ele desvia o excesso de corrente antes que ela chegue aos aparelhos conectados.
Para uma proteção mais acessível e portátil, os filtros de linha com certificação INMETRO são uma boa opção. O ponto-chave: verifique a capacidade de absorção em joules indicada na embalagem — quanto maior, melhor a proteção. Filtros com menos de 300J oferecem proteção limitada; modelos acima de 1.000J são mais indicados para eletrônicos de alto valor, como televisores e computadores.
Segundo as recomendações técnicas, um sistema completo de proteção inclui:
- Aterramento elétrico adequado na instalação
- Disjuntores dimensionados corretamente para a carga
- DPS instalado na entrada da instalação elétrica
- Filtros de linha certificados nos pontos de uso de eletrônicos de alto valor
O que fazer (e o que NÃO fazer) durante uma tempestade
Quando a previsão do tempo indica temporais com raios, a medida mais eficaz continua sendo desligar e desconectar os principais equipamentos da tomada — especialmente televisores, computadores, aparelhos de som e roteadores.
Faça:
- Desligue e retire da tomada televisores, computadores e aparelhos de som antes que a tempestade chegue
- Feche janelas e portas antes que a chuva entre em contato com tomadas ou fios expostos
- Evite usar aparelhos como chuveiro elétrico e ar-condicionado durante picos de atividade elétrica
- Aguarde pelo menos 30 minutos após o fim da tempestade antes de religar os equipamentos
Não faça:
- Não confie apenas no modo standby como proteção suficiente
- Não use filtros de linha sem certificação INMETRO — modelos sem garantia podem amplificar o dano
- Não tente consertar um equipamento queimado sem diagnóstico profissional — o curto pode ter danificado componentes que parecem intactos visualmente
Quando chamar um técnico em eletrônicos
Se seu equipamento parou de funcionar após uma tempestade, evite tentar religá-lo várias vezes. Forçar a energia em um aparelho com componentes queimados pode causar danos ainda maiores — ou até risco de faísca e incêndio interno.
Um técnico em eletrônicos qualificado consegue identificar quais componentes foram afetados pelo surto e avaliar se o reparo é economicamente viável. Em muitos casos, a troca de uma fonte ou de um fusível interno custa uma fração do valor de um equipamento novo. O diagnóstico técnico também é necessário para acionar o seguro residencial, caso você possua apólice com cobertura para danos elétricos.
Para encontrar profissionais qualificados perto de você, plataformas como a Expert Zoom conectam moradores a técnicos avaliados na sua região, com histórico de avaliações e comparativo de orçamentos.
Proteção elétrica é investimento, não gasto
Com temporais cada vez mais frequentes e intensos no inverno de 2026 — especialmente nas regiões Sul e Centro-Oeste —, a proteção elétrica residencial deixou de ser um luxo. O custo de um DPS instalado por um técnico certificado varia entre R$ 150 e R$ 400; a reposição de um televisor de 55 polegadas pode chegar a R$ 3.500.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), julho de 2026 terá chuvas acima da média histórica em diversas regiões, com previsão de eventos extremos pontuais. Para quem mora no Sul do Brasil — onde os alertas de tempestade severa já foram emitidos para este mês —, agir agora, antes da próxima descarga elétrica, é a decisão mais inteligente e econômica.

Patricia Costa