A mais recente pesquisa do instituto GERP, divulgada entre 8 e 12 de outubro de 2026, aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 55% dos votos válidos contra 45% de Lula (PT) no segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro. Enquanto candidatos debatem propostas e urnas se aproximam, o mercado financeiro já está se movimentando — e pode estar mexendo com o seu patrimônio sem que você perceba.
O que os dados da pesquisa GERP estão dizendo ao mercado
O instituto GERP se tornou, neste ciclo eleitoral, um dos termômetros mais acompanhados pelo setor financeiro brasileiro. Desde os levantamentos de junho de 2026, quando Bolsonaro e Lula apareciam tecnicamente empatados no primeiro turno, os dados do instituto foram monitorados semanalmente por gestores de fundos, tesoureiros de bancos e analistas de risco político.
A reação já aconteceu na prática. Logo após o primeiro turno, realizado em 5 de outubro de 2026, os mercados reagiram de forma expressiva: o Ibovespa fechou em alta de 7,70% no pregão seguinte à votação, enquanto o dólar recuou mais de 4%, chegando a cerca de R$ 5,00, segundo dados divulgados pelo setor financeiro. As taxas de juros de longo prazo também cederam: o título IPCA+ com vencimento em 2040 caiu de 7,8% para 7,2% em poucos pregões — um alívio significativo para quem tem renda fixa atrelada à inflação.
Esses movimentos refletem uma leitura clara do mercado: a vantagem de Bolsonaro na pesquisa GERP sinaliza menor pressão sobre o gasto público, possível redução do custo fiscal do Estado e, no médio prazo, espaço para queda da taxa Selic. Para o Ibovespa, esse é um cenário favorável. Para quem está posicionado em Tesouro Prefixado de longo prazo, o sinal é mais ambíguo.
Por que pesquisas eleitorais movem seu dinheiro antes do resultado
Dados históricos da Ágora Investimentos, citados pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros), mostram que o Ibovespa apresenta volatilidade média de 23,93% em anos eleitorais — contra 20,91% em anos sem eleição presidencial. A diferença pode parecer marginal em percentual, mas representa dezenas de bilhões de reais em oscilação acumulada para carteiras de investidores pessoa física.
O mecanismo é simples: o mercado não espera o resultado oficial. Ele precifica expectativas. E as pesquisas, especialmente as com metodologia consistente como a GERP, funcionam como atualizações contínuas dessas expectativas. Cada ponto percentual de variação entre candidatos move bilhões de reais na bolsa, no câmbio e nos juros futuros.
Isso significa que investidores que aguardam o resultado do segundo turno para "decidir o que fazer" costumam chegar tarde. Em cinco dos últimos seis pleitos presidenciais brasileiros, o Ibovespa já subiu ou caiu entre 8% e 15% nos 30 dias anteriores ao segundo turno — antes de qualquer resultado concreto. Quem esperou o dia da eleição para rebalancear a carteira, na maioria dos casos, comprou na alta ou vendeu na baixa.
Um especialista em gestão de patrimônio atua exatamente nesse ponto cego: traduz o ruído político em impacto financeiro concreto para a sua carteira específica, não para um investidor genérico.
A análise que um consultor faz que você provavelmente não está fazendo
A pergunta que um gestor de patrimônio faz ao analisar o cenário eleitoral de 2026 não é "quem vai ganhar?". É: "quanto da carteira do meu cliente está exposta a ativos que reagem diretamente ao resultado?"
Essa exposição varia muito conforme o perfil. Ações de empresas estatais como Petrobras e Eletrobras são altamente sensíveis ao resultado eleitoral — porque cada candidato carrega políticas distintas sobre dividendos, intervenção em preços e eventuais desinvestimentos. Títulos Prefixados longos reagem às expectativas de Selic e inflação, que diferem radicalmente entre os programas econômicos dos candidatos. Fundos imobiliários, por sua vez, respondem às perspectivas do crédito imobiliário e da taxa de juros real.
Um consultor certificado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) faz essa leitura de forma sistematizada: avalia a exposição setorial da carteira, compara com o perfil de risco declarado do investidor e propõe ajustes pontuais antes que o mercado precifique o vencedor.
A questão não é fazer uma aposta eleitoral com o patrimônio. É garantir que a carteira está protegida contra os dois cenários possíveis.
Caso concreto: o custo de esperar o segundo turno
Considere o caso de Carlos, 42 anos, engenheiro em Belo Horizonte, com uma carteira de R$ 150.000 distribuída assim: R$ 70.000 em Tesouro Prefixado com vencimento em 2029, à taxa travada de 13,2% ao ano; R$ 50.000 em ações de empresas de energia e infraestrutura com participação estatal; e R$ 30.000 em Tesouro IPCA+ 2035.
Carlos está aguardando o segundo turno de 25 de outubro para "ver o que vai acontecer" antes de tomar qualquer decisão.
O que Carlos provavelmente não calculou: seu Tesouro Prefixado 2029 de R$ 70.000, se as taxas longas continuarem caindo após a vitória de Bolsonaro (o que o mercado já antecipa), terá sua marcação a mercado elevada — o que é positivo se ele vender antes do vencimento. Mas se quiser manter até 2029, o movimento do mercado pós-eleição não o afetará diretamente.
O problema real está nas ações de estatais. Se Flávio vencer com folga e avançar em uma agenda de desinvestimento, essas ações tendem a se valorizar entre 15% e 25% nos 90 dias seguintes, segundo análises de mercado. Porém, se Carlos não tiver liquidez disponível para ampliar essa posição agora, ele perderá a janela de entrada.
O cálculo concreto: se Carlos rebalancear R$ 15.000 da posição em Prefixado (que já capturou parte da valorização de juros futuros) para aumentar exposição às estatais, ele reduz o risco de chegada tardia ao rali pós-eleição. Com 15% de valorização desse bloco, isso equivale a R$ 9.750 adicionais em seis meses — contra aproximadamente R$ 1.900 que esse mesmo valor renderia no Prefixado no mesmo período.
Se Lula vencer, por outro lado, a posição em estatais tende a recuar. Mas Carlos, nesse cenário, ainda mantém 80% da carteira em instrumentos de renda fixa defensivos. O risco é assimétrico — e gerenciável com orientação profissional.
Esse tipo de análise, com os números reais de cada investidor, leva menos de uma sessão com um especialista em gestão de patrimônio para ser feita com precisão.
O que a pesquisa GERP muda na sua estratégia antes de 25 de outubro
A vantagem de 10 pontos percentuais de Bolsonaro na pesquisa GERP divulgada em outubro não garante resultado — margem de erro, mobilização de votos e debate de segundo turno ainda pesam. Mas ela muda o cenário de probabilidades ao qual os mercados reagem.
Para o investidor pessoa física, o impacto prático se concentra em três pontos:
1. Exposição cambial. O dólar já recuou cerca de 4% após o primeiro turno. Se a tendência da GERP se confirmar no resultado, a moeda americana pode continuar sob pressão de curto prazo. Quem tem proteção cambial excessiva pode estar pagando caro por um risco que diminuiu.
2. Renda fixa longa vs. curta. As taxas longas já cederam: o IPCA+ 2040 caiu de 7,8% para 7,2% em poucos pregões. Títulos Prefixados de curto prazo (até 2027) oferecem menos oscilação e ainda remuneram bem. Para quem tem vencimentos muito longos, o momento pode ser de avaliar se o prêmio ainda compensa o risco.
3. Ações de estatais e infraestrutura. Este é o segmento com maior sensibilidade ao resultado do segundo turno. Quem não tem exposição e acredita na vantagem de Bolsonaro tem uma janela estreita antes de 25 de outubro. Quem já tem pode avaliar o nível de concentração.
Aviso importante: este artigo tem caráter informativo e jornalístico. Decisões de investimento envolvem risco e devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado pela CVM, considerando seu perfil e objetivos financeiros específicos.
O que fazer agora, antes do segundo turno
Independentemente do candidato que você espera ver vencer, três ações práticas podem proteger seu patrimônio nos próximos dias:
Audite sua exposição. Some os valores investidos em ativos diretamente afetados pelo resultado eleitoral — ações de estatais, títulos longos e fundos cambiais estão no centro da volatilidade. Calcule que percentual da sua carteira está nessa zona de risco.
Não negocie no dia da eleição. O pregão de 26 de outubro costuma ser dominado por operações de grandes players institucionais que já estavam posicionados semanas antes. O investidor pessoa física que opera nesse dia entra depois que o movimento principal já aconteceu.
Consulte um especialista ainda esta semana. Um planejador financeiro habilitado pode revisar sua carteira em menos de 48 horas e sugerir ajustes específicos com base no seu perfil — antes que o mercado precifique definitivamente o resultado da pesquisa GERP.
Confira como um especialista em gestão de patrimônio pode orientar sua estratégia financeira em cenários de volatilidade eleitoral e conecte-se com profissionais certificados pela CVM na Expert Zoom.

Jose Santos