Wanessa e Marcus Buaiz: o que a partilha após 17 anos ensina sobre divórcio

A cantora Wanessa Camargo em apresentação ao vivo

Photo : Vitopalhares / Wikimedia

Joao Joao SouzaAdvocacia
4 min de leitura 6 de junho de 2026

Em depoimento gravado em março de 2026 para o podcast PodVir, Wanessa Camargo voltou a falar publicamente sobre o fim do casamento com o empresário Marcus Buaiz. Aos 42 anos, a cantora descreveu como "ruptura" o término de uma união de 17 anos, formalizada em 2007 e desfeita em 2022. Em maio, em entrevista publicada no portal A Gazeta, Marcus Buaiz também rompeu o silêncio. A partilha milionária — descrita por reportagens da Isto É Dinheiro como "dividiram tudo" — colocou o caso de volta nas conversas sobre divórcio entre patrimônios elevados e é um espelho útil de como o Código Civil brasileiro trata uniões longas.

O caso em poucos números

Marcus Buaiz é apontado pela imprensa especializada como herdeiro e empresário do grupo Buaiz, de origem capixaba, com participações em distribuição de bebidas, mídia e investimentos imobiliários. Wanessa Camargo, filha de Zezé Di Camargo, construiu carreira sólida na música desde 1999. Os dois mantêm a guarda compartilhada dos dois filhos do casal.

O casamento ocorreu em 2007. Conforme reportagem da Isto É Dinheiro, o regime adotado foi de comunhão parcial de bens — regime padrão no Brasil para quem não assina pacto antenupcial. A separação aconteceu em 2022 e a partilha foi finalizada de forma extrajudicial, segundo as fontes consultadas pela imprensa de variedades. Não há, até a data desta publicação, divulgação oficial dos valores específicos atribuídos a cada cônjuge.

O que o Código Civil determina

A separação entre o casal serve como cartilha prática do regime mais comum no Brasil. O artigo 1.658 do Código Civil brasileiro estabelece que, na comunhão parcial, comunicam-se os bens adquiridos a título oneroso na constância do casamento, salvo as exceções dos artigos seguintes.

Em linguagem prática, isso significa:

  • Patrimônio anterior ao casamento permanece individual. O que Marcus Buaiz herdou da família e o que Wanessa Camargo acumulou na carreira antes de 2007 não entra na divisão.
  • Heranças e doações são individuais. O artigo 1.659 exclui da comunhão os bens recebidos por herança, legado ou doação, mesmo durante o casamento.
  • Frutos e rendimentos podem ser partilhados. Aluguéis, dividendos e royalties gerados durante a união, mesmo que vindos de bens individuais, comunicam-se ao patrimônio comum em interpretação majoritária dos tribunais.
  • Bens adquiridos com renda do trabalho são divisíveis. Imóveis, veículos, participações societárias e aplicações compradas durante o casamento entram na divisão pela metade.

A complexidade aparece quando os bens combinam origens. Um imóvel pago em parte com herança e em parte com renda do casal exige avaliação contábil para definir a fração comum. É nesse ponto que advogados de família costumam dizer que "o regime parece simples no papel, mas é detalhado no Excel".

A particularidade dos casamentos longos

Casamentos de 17 anos com filhos costumam reunir três camadas patrimoniais que tornam a partilha mais complexa do que separações curtas. Um advogado de família avaliando um caso semelhante observaria:

  1. Mistura de patrimônio individual e comum. Investimentos feitos com renda do casal em imóveis recebidos como herança geram crédito de meação que precisa ser calculado.
  2. Participação em empresas familiares. Quando um dos cônjuges é sócio em empresa familiar herdada, os dividendos percebidos durante a união entram na divisão, mas a participação societária em si fica fora — gerando debates sobre direito a indenização compensatória.
  3. Pensão alimentícia de filhos e ex-cônjuge. Em famílias com filhos menores, a pensão tem caráter prioritário. Para o ex-cônjuge, a discussão atual da jurisprudência brasileira é de pensão temporária e por prazo determinado, não vitalícia.

No caso de Marcus Buaiz e Wanessa Camargo, o uso da via extrajudicial — possível desde 2007 pela Lei nº 11.441 quando não há filhos menores ou incapazes em desacordo, e desde 2024 com Resolução do CNJ que ampliou hipóteses — sinaliza acordo prévio entre os ex-cônjuges. Isso reduz custo, tempo e exposição pública. Para patrimônios elevados, é a via preferida quando há boa relação remanescente.

Quando procurar um advogado de família

A separação de Marcus Buaiz e Wanessa Camargo é um caso particular, mas as situações que justificam consulta jurídica especializada são gerais:

  • Casamento longo com patrimônio crescente. Mais de 10 anos de união em comunhão parcial costuma envolver bens mistos. A análise da origem do dinheiro de cada aquisição evita partilha desfavorável.
  • Participação em empresa familiar de um dos cônjuges. A definição do que é dividendo (partilhável) e o que é capital social (não partilhável) demanda perícia contábil-jurídica.
  • Filhos menores envolvidos. Guarda compartilhada é a regra do artigo 1.583 do Código Civil, mas o detalhamento da rotina, residência principal e divisão de despesas exige redação cuidadosa.
  • Patrimônio internacional. Imóveis no exterior, contas em bancos estrangeiros e participações em empresas offshore seguem regras adicionais de direito internacional privado e podem gerar tributação cruzada.

A escolha entre via extrajudicial e judicial depende do grau de acordo. Quando há consenso sobre divisão, guarda e pensão, o procedimento em cartório custa menos e finaliza em semanas. Quando há disputa, o processo judicial é inevitável, e a representação por advogado especializado torna-se obrigatória.

O que a separação ensina

Casos públicos como o de Marcus Buaiz e Wanessa Camargo cumprem função pedagógica que escapa às manchetes. Para quem está prestes a casar, eles reforçam o valor de discutir pacto antenupcial — apenas 5% dos casamentos brasileiros adotam regime diferente do legal, segundo dados do Colégio Notarial do Brasil. Para quem já vive em comunhão parcial e está em união longa, eles mostram que o planejamento financeiro do casal precisa ser feito a quatro mãos, não a duas. E para quem está em processo de separação, a lição final é a mesma de qualquer disputa patrimonial: organizar a documentação antes vale mais do que reagir ao impasse depois.

Vantagens

Respostas rápidas e precisas para todas as suas perguntas e solicitações de assistência em mais de 200 categorias.

Milhares de usuários obtiveram uma satisfação de 4,9 de 5 para os conselhos e recomendações fornecidas por nossos assistentes.