O zagueiro Léo Pereira, do Flamengo, recebeu cinco propostas de clubes do exterior durante a pausa para a Copa do Mundo de 2026, segundo apurou a imprensa esportiva em julho. Besiktas (Turquia), Nottingham Forest, West Ham (Inglaterra), Cruz Azul e Monterrey (México) monitoram o defensor, e a janela de transferências abre em 20 de julho. Se a negociação avançar, o jogador enfrentará um desafio pouco comentado que atinge milhares de brasileiros a cada ano: como levar a família — e os animais de estimação — para outro país sem esbarrar na burocracia sanitária.
Mudar de continente com um cão ou gato não é tão simples quanto comprar uma passagem. Cada país de destino impõe regras próprias de vacinação, exames e documentação. Errar um prazo pode significar quarentena, multa ou até a recusa de embarque do animal. Veja o que um médico-veterinário orienta antes de uma relocação internacional.
O documento que abre a porteira: o e-CVI
O passaporte do seu pet chama-se Certificado Veterinário Internacional (CVI). É um documento oficial emitido e validado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio do Serviço de Vigilância Agropecuária (Vigiagro), que atesta a saúde e a regularidade vacinal do animal antes da viagem.
Desde 2024, o certificado passou a ser emitido preferencialmente em formato eletrônico, o chamado e-CVI. A emissão é gratuita e pode ser apresentada de forma digital no momento do embarque. A validade, porém, é curta: em geral entre 5 e 10 dias após a emissão, variando conforme o país de destino. Por isso, o CVI é sempre a última etapa do processo, tirada poucos dias antes do voo.
Vacina antirrábica: a regra dos 30 dias
O primeiro passo, e o mais sensível em relação a prazos, é a vacinação antirrábica. A dose precisa ter sido aplicada há pelo menos 30 dias e há menos de um ano da data da viagem. Um animal vacinado na véspera não será liberado.
Para destinos como a Inglaterra, um dos mais rígidos do mundo, exige-se ainda a implantação de microchip de identificação antes da vacina e, em muitos casos, um exame de sorologia (titulação de anticorpos antirrábicos) feito em laboratório credenciado. Esse exame pode acrescentar meses ao cronograma. Um veterinário familiarizado com viagens internacionais monta o calendário de trás para frente, a partir da data provável do embarque.
Cada país, uma regra
As exigências mudam bastante conforme o destino que se apresenta no caso de Léo Pereira:
- Turquia: costuma pedir microchip, vacina antirrábica em dia e o CVI, sem quarentena obrigatória quando a documentação está completa.
- Inglaterra: entre os países citados, é o mais exigente — microchip, sorologia antirrábica e regras específicas de entrada que podem incluir tratamento contra echinococcus para cães.
- México: exige o certificado sanitário e a comprovação vacinal, com inspeção na chegada.
Não existe uma lista única. Por isso, a orientação do Mapa é consultar as exigências do país de destino com antecedência, já que os requisitos podem variar de um ano para outro. As regras oficiais e a lista de unidades emissoras estão publicadas na página Sair do Brasil do Ministério da Agricultura e Pecuária.
O agendamento que muita gente esquece
A validação do CVI é feita presencialmente ou digitalmente pelo Vigiagro, e o agendamento deve ser solicitado com, no mínimo, 30 dias de antecedência. Em períodos de alta demanda — férias, fim de ano e, agora, a temporada de transferências pós-Copa —, as unidades emissoras ficam congestionadas.
Quem deixa para a última hora corre o risco real de ver o voo marcado e o pet sem autorização para embarcar. A antecedência de pelo menos 30 dias não é uma sugestão: é o prazo mínimo para que exame, vacina e certificado se encaixem dentro das validades exigidas.
Por que consultar um veterinário antes de tudo
Um atleta que se transfere para outro país tem prazos apertados e uma agenda que não perdoa. O mesmo vale para qualquer família que precise se mudar por trabalho. Um médico-veterinário faz mais do que assinar papéis: ele avalia se o animal tem condições clínicas para uma viagem longa, orienta sobre jejum, sedação (que a maioria das companhias aéreas desaconselha) e o tipo de caixa de transporte homologada.
Além disso, o profissional cruza as exigências do país de destino com o histórico de saúde do animal e identifica exames que levam semanas para ficar prontos. É esse planejamento que evita o pior cenário: chegar ao aeroporto e descobrir que falta um documento.
Antes de qualquer mudança internacional, vale conferir se a carteira de vacinação do animal está em dia e conversar com um especialista sobre o cronograma. O guia completo de cuidados veterinários também reúne orientações úteis para tutores que planejam viajar com pets.
O que fazer agora
Se você — como Léo Pereira poderá precisar fazer nas próximas semanas — está diante de uma mudança para o exterior, comece pelo veterinário, não pela companhia aérea. Verifique a data da última vacina antirrábica, confirme se o animal tem microchip e liste as exigências específicas do país de destino no site do Mapa.
Com o cronograma montado com antecedência de pelo menos um a três meses, a relocação do pet deixa de ser um problema de última hora e se torna apenas mais um item resolvido da mudança. No fim, o mais importante não é o documento em si, mas garantir que o animal chegue seguro e saudável ao novo lar.

Fernanda Rodrigues