Kim Seung-gyu, goleiro de 35 anos que defende o FC Tokyo no Japão, foi convocado pelo técnico Hong Myung-bo como titular da Coreia do Sul na Copa do Mundo 2026. A transferência definitiva para o clube japonês havia sido oficializada apenas em 2025 — e agora o FC Tokyo precisa liberar seu goleiro por semanas para a maior competição esportiva do planeta. O clube pode se recusar? Quanto recebe por isso? E o que acontece se o jogador se lesionar em campo pela seleção?
A regra de ouro da FIFA: liberação obrigatória
A resposta para a primeira pergunta é clara: não, o FC Tokyo não pode se recusar a liberar Kim Seung-gyu. O artigo 1º do Regulamento sobre o Estatuto e a Transferência de Jogadores (RSTP) da FIFA estabelece que todos os clubes afiliados às federações membros são obrigados a liberar seus jogadores convocados para competições oficiais de seleções nacionais reconhecidas pela entidade, incluindo a Copa do Mundo.
Conforme o Regulamento da FIFA disponível em fifa.com, os jogadores devem ser liberados com pelo menos 14 dias de antecedência para partidas das seleções nacionais enquadradas no calendário FIFA. Para a Copa do Mundo, o período de liberação pode se estender por toda a duração do torneio — que vai de junho a julho de 2026.
O FC Tokyo, como clube afiliado à Federação Japonesa de Futebol (JFA), que por sua vez é membro da FIFA, não tem escolha: a liberação de Kim Seung-gyu é uma obrigação contratual e regulatória.
O que o clube recebe pela liberação
Muitos torcedores desconhecem, mas os clubes têm direito a compensação financeira quando cedem jogadores para competições da FIFA. O mecanismo de compensação está previsto no Regulamento de Copa do Mundo e é operado pela própria entidade:
Compensação direta da FIFA: Para a Copa do Mundo 2026, a FIFA estabeleceu um fundo de compensação aos clubes que cedem jogadores ao torneio. Os valores são calculados com base no número de dias de liberação e no salário diário do atleta.
Seguro obrigatório: Além da compensação, a FIFA é obrigada a contratar seguro contra acidentes em favor dos clubes cedentes. Se um jogador como Kim Seung-gyu sofrer uma lesão durante a Copa do Mundo — seja em treino ou em jogo —, o clube tem direito ao recebimento de indenização equivalente ao salário do atleta durante o período de recuperação.
Esse mecanismo protege clubes como o FC Tokyo de arcarem sozinhos com o ônus financeiro de terem seus jogadores imobilizados por lesões sofridas enquanto defendiam suas seleções.
A perspectiva do Brasil: clubes brasileiros também cedem jogadores
A questão é diretamente relevante para o futebol brasileiro. Clubes como Flamengo, Palmeiras, Atletico Mineiro e São Paulo cedem regularmente jogadores para a Seleção Brasileira e para outras seleções nacionais — já que muitos estrangeiros atuam no Campeonato Brasileiro.
Nos períodos de Data FIFA, os clubes brasileiros são obrigados a liberar seus atletas convocados. A CBF coordena esses processos em conjunto com a FIFA, e os clubes são indenizados pelo período de ausência dos atletas conforme os regulamentos internacionais.
O problema surge quando um jogador retorna lesionado. Nesse caso, a cobertura do seguro FIFA é a principal garantia para o clube — mas o processo de acionamento pode ser burocrático e demorar meses. É nesse cenário que advogados especializados em direito esportivo se tornam essenciais.
Confira também: o que acontece quando um clube se recusa a liberar um jogador para a seleção.
O que acontece se um jogador recusar a convocação
A situação inversa — o jogador que se recusa a atender à convocação — também tem consequências previstas nos regulamentos da FIFA. A entidade pode aplicar sanções disciplinares ao atleta e, em casos mais graves, ao próprio clube, caso fique comprovado que ele pressionou o jogador a não comparecer à seleção.
No caso de Kim Seung-gyu, o goleiro está no auge de sua carreira como titular da seleção sul-coreana. Disputar sua primeira Copa do Mundo como número 1 aos 35 anos é, provavelmente, o maior objetivo de sua trajetória profissional — e não há indicativo de qualquer conflito com o FC Tokyo sobre a liberação.
Direito esportivo: quando um clube ou jogador precisa de orientação
A relação entre clubes, jogadores e seleções nacionais envolve uma camada regulatória complexa que combina regulamentos da FIFA, das federações nacionais, convenções trabalhistas locais e contratos individuais. Situações como:
- Lesão de jogador durante período de liberação à seleção
- Atraso ou negativa de pagamento de compensação pela FIFA
- Conflito entre datas do clube e convocações da seleção
- Rescisão contratual motivada por ausências prolongadas em razão de competições internacionais
...são casos em que a orientação de um advogado especializado em direito esportivo pode fazer diferença significativa para clubes, jogadores e seus representantes.
Na Expert Zoom, você encontra advogados com expertise em direito esportivo que podem orientar clubes, agentes e atletas sobre seus direitos e obrigações em períodos de Copa do Mundo e outras competições FIFA.
Aviso: Este artigo é informativo e não constitui consultoria jurídica. Para situações específicas envolvendo contratos desportivos, consulte um advogado habilitado pela OAB com especialização em direito esportivo.

Joao Souza