Joachim Klement prevê eliminação do Brasil: o que o modelo econométrico revela sobre seus investimentos

Analista financeiro revisando modelos econométricos com bola de futebol na mesa, escritório São Paulo
Jose Jose SantosGestão de Patrimônio
5 min de leitura 29 de junho de 2026

Joachim Klement é estrategista do banco britânico Panmure Liberum em Londres. Ele acertou os campeões das três últimas Copas do Mundo — Alemanha (2014), França (2018) e Argentina (2022) — não com análise tática, mas com um modelo econométrico que cruza PIB per capita, população, clima e ranking da FIFA. Para 2026, sua previsão é clara: a Holanda erguerá a taça no MetLife Stadium em 19 de julho. E o Brasil? Será eliminado hoje, nas oitavas de final, pelo Japão.

O Modelo que Acertou Três Copas Seguidas

Klement não é técnico de futebol nem comentarista esportivo. É estrategista de investimentos especializado em mercados globais. Seu modelo para prever vencedores de Copas foi desenvolvido a partir de pesquisa acadêmica de Hoffmann, Ging & Ramasamy (2002) e consegue explicar cerca de 55% dos resultados históricos de torneios da FIFA com base em cinco variáveis socioeconômicas e estruturais.

A principal delas é o PIB per capita. Países mais ricos investem em academias de futebol, formação de base de ponta, nutrição esportiva e preparação psicológica de atletas de elite. A Holanda, com PIB per capita de aproximadamente US$ 63.000 em 2026, se enquadra com perfeição nesse perfil. O Brasil, com cerca de US$ 10.700, enfrenta desafios estruturais que o modelo captura com precisão fria — independentemente do talento individual de cada jogador.

Outros fatores incluem o tamanho da população (que amplifica o pool de talentos disponíveis), condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento esportivo contínuo e o histórico de participações em Copas anteriores. Klement combina todas essas variáveis em uma equação que, para 2026, aponta a eliminação brasileira ainda no primeiro mata-mata.

Por Que o Japão Pode Surpreender

O Japão de 2026 é uma seleção diferente. Com geração de jogadores formados nos principais clubes europeus — incluindo Kaoru Mitoma (Brighton), Takefusa Kubo (Real Sociedad) e Ritsu Doan (Freiburg) — a equipe acumulou resultados expressivos recentes e chegou às oitavas no Catar 2022 após eliminar a Espanha na fase de grupos.

No modelo de Klement, o Japão representa um "excedente de valor" em relação às expectativas do mercado esportivo: uma seleção com fundamentos técnicos superiores ao que seu coeficiente histórico sugere. É exatamente o tipo de assimetria que analistas financeiros identificam em ativos subvalorizados — um ativo que o mercado ainda não precificou corretamente. E Klement, que vive de encontrar essas distorções nos mercados financeiros, sabe identificar ambas.

O Que a Copa Revela Sobre o Comportamento dos Investidores

Aqui está o ponto que mais interessa a quem cuida do próprio patrimônio. Klement demonstrou em suas pesquisas que os mercados financeiros se comportam de forma previsível durante Copas do Mundo: os investidores se distraem com as partidas e os índices tendem a cair durante o torneio. Mas quando o time do país vence, o entusiasmo gerado pela vitória torna os investidores temporariamente mais propensos ao risco — o que pode resultar em decisões financeiras impulsivas.

Esse fenômeno tem nome na economia comportamental: viés de otimismo situacional. Após uma vitória emocionante, investidores superestimam sua capacidade de prever resultados futuros e costumam aumentar exposição a ativos de risco sem embasamento técnico. É o mesmo mecanismo que leva torcedores a apostar em corridas de cavalos logo após a vitória do seu time preferido — a euforia cria uma falsa sensação de invencibilidade.

Estudos da área de finanças comportamentais mostram que mercados de países que avançam em fases decisivas de Copas do Mundo apresentam, nas semanas seguintes, volatilidade acima da média — tanto em movimentos de alta (euforia) quanto de baixa (correção pós-euforia). Para o investidor brasileiro, a eliminação precoce pode, paradoxalmente, preservar decisões mais racionais nas próximas semanas.

Dados x Emoção: Uma Lição Para Sua Carteira

O sucesso de Klement em prever Copas do Mundo é, acima de tudo, uma demonstração do poder de modelos baseados em dados em contextos altamente incertos. O mesmo princípio se aplica à gestão de patrimônio: decisões baseadas em emoção — vender ações durante uma crise porque o noticiário assusta, ou comprar ativos na euforia porque todos estão fazendo isso — costumam prejudicar a rentabilidade no longo prazo.

Conforme orientações do Investidor.gov.br, portal oficial de educação financeira do governo federal, o investidor pessoa física que opera sozinho, sem assessoria profissional, tende a comprar no pico e vender no fundo dos mercados — exatamente o oposto do que gera retorno sustentável. Esse comportamento é documentado em décadas de pesquisa e custa, em média, entre 1,5% e 3% ao ano em retorno perdido.

A abordagem de Klement — construir um modelo sólido, testá-lo com dados históricos e seguir as indicações mesmo quando a intuição grita o contrário — é um espelho do trabalho realizado por consultores sérios de gestão de patrimônio. Eles definem uma política de investimentos baseada em objetivos, horizonte temporal e tolerância ao risco, e a mantêm mesmo durante períodos de euforia ou pânico — inclusive durante Copas do Mundo.

Aviso importante: as informações deste artigo têm caráter educacional e não constituem recomendação de investimentos. Decisões sobre carteira e alocação de patrimônio devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado e habilitado, conforme regulamentação da CVM.

Como um Consultor de Gestão de Patrimônio Pode Ajudar

Poucas pessoas têm o tempo ou a expertise técnica para construir modelos econométricos próprios — e não precisam ter. Para isso existem consultores especializados em gestão de patrimônio: profissionais que aplicam metodologia rigorosa para construir e proteger riqueza ao longo do tempo, independentemente do que aconteça nas oitavas de final.

Um gestor de patrimônio certificado pode ajudar você a:

  • Definir uma alocação de ativos adequada ao seu perfil e objetivos de longo prazo
  • Evitar decisões emocionais em períodos de alta volatilidade ou eventos que distorcem a percepção de risco
  • Diversificar internacionalmente para reduzir exposição a choques locais — inclusive aqueles provocados por saídas precoces em torneios mundiais
  • Revisar periodicamente a carteira com base em dados concretos, não em manchetes ou resultados de jogos

Segundo o Investidor.gov.br, apenas 23% dos brasileiros têm assessoria de investimentos profissional, enquanto 61% tomam decisões financeiras com base em indicações de conhecidos ou redes sociais. A diferença de retorno entre esses dois grupos, no longo prazo, é significativa.

Assim como Joachim Klement não apostou no Brasil para ganhar a Copa do Mundo — mesmo com toda a pressão emocional de uma previsão impopular em pleno território nacional — um bom consultor de patrimônio não valida suas apostas emocionais. Mostra o que os dados dizem.

Se a eliminação do Brasil hoje contra o Japão confirmar mais uma vez o acerto do modelo de Klement, que tal usar esse momento para pensar em uma gestão mais racional do seu patrimônio? No Expert Zoom, você encontra consultores especializados em gestão de investimentos prontos para uma primeira consulta.

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