Harry Kane: 11 gols na Copa 2026 e o que sua cláusula de €65M ensina sobre contratos de atletas

Harry Kane com a camiseta da seleção inglesa em partida da Copa do Mundo

Photo : Кирилл Венедиктов / Wikimedia

Joao Joao SouzaAdvocacia
6 min de leitura 1 de julho de 2026

Harry Kane marcou o gol que confirmou a vitória da Inglaterra sobre a República Democrática do Congo por 2 a 0 nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026, no Mercedes-Benz Stadium em Atlanta, nesta quarta-feira, 1º de julho. Com o tento anotado aos 67 minutos — seis minutos depois do gol de Jude Bellingham —, o centroavante chegou à marca de 11 gols em Copas do Mundo e se tornou o maior artilheiro da história da Inglaterra na competição, superando Gary Lineker. Dentro de campo, o recorde é histórico. Mas fora dele, o futuro contratual de Kane segue no centro das atenções — e revela quanto o direito esportivo importa para a carreira de um atleta.

O recorde que Kane fez em Atlanta

A partida não foi espetacular. A Inglaterra controlou o jogo com eficiência diante de uma seleção da República Democrática do Congo que chegou à sua primeira fase eliminatória de Copa do Mundo. Bellingham abriu o placar aos 62 minutos com um chute preciso, e Kane selou o resultado cinco minutos depois, completando assistência da equipe.

Com o placar de 2 a 0, os ingleses avançam às quartas de final da Copa 2026 e Kane consolidou um legado: 11 gols em três Copas do Mundo, ultrapassando a lenda Gary Lineker. O atacante do Bayern de Munique soma também 3 gols neste torneio, liderando a artilharia inglesa e figurando entre os principais candidatos à Chuteira de Ouro.

O desempenho reforça o valor de Kane como um dos atacantes mais decisivos do planeta — e eleva o patamar das negociações contratuais que o aguardam no segundo semestre de 2026.

A cláusula de €65 milhões que Kane não acionou

Em janeiro de 2026, Harry Kane tinha uma janela para acionar uma cláusula de rescisão de €65 milhões em seu contrato com o Bayern de Munique, o que abriria caminho para uma transferência ao Barcelona. O prazo passou — e Kane optou por não ativá-la.

A decisão não surpreendeu quem acompanha as negociações. O atacante, segundo reportagens do outlet especializado Goal.com e do site FourFourTwo, sinalizou ao Barcelona que estava feliz em Munique e não tinha intenção de mudar de clube. O contrato atual com o Bayern vai até junho de 2027, e as partes discutem uma renovação — Kane quer garantia até 2030; o clube alemão estaria disposto a oferecer dois anos extras.

A história de Kane ilustra um fenômeno cada vez mais comum no futebol moderno: cláusulas contratuais que dão ao atleta poder de saída em janelas específicas, mas que exigem decisões precisas em prazos rigorosos. Acionar ou não acionar uma cláusula assim pode significar diferença de dezenas de milhões de euros — e o erro pode custar toda uma carreira.

Cláusulas de rescisão: o que dizem e o que escondem

No futebol europeu, a cláusula de rescisão é o mecanismo pelo qual um clube determina o preço mínimo que outro clube deve pagar para liberar um jogador antes do fim do contrato. Na Espanha, por exemplo, a Lei do Trabalho determina que todo contrato profissional deve ter uma cláusula desse tipo — daí os valores astronômicos vistos em transferências como a de Neymar (€222 milhões) ou a projetada para Pedri (€1 bilhão).

Mas os detalhes importam. Uma cláusula pode ter janelas de ativação (como a de Kane, válida apenas em janeiro), valores que escalam com o tempo, ou condições atreladas a desempenho. Sem assessoria jurídica especializada, um atleta pode perder o direito de se mover mesmo quando existe uma saída legal prevista no contrato.

Para os atletas brasileiros, o cenário é ainda mais específico. A Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998) regula os contratos de trabalho no futebol nacional e define regras para rescisão, transferência, direitos de imagem e participação em competições. O artigo 28 da lei estabelece o contrato especial de trabalho desportivo, com prazo mínimo de três meses e máximo de cinco anos, com cláusula compensatória obrigatória em caso de rescisão unilateral.

O direito esportivo brasileiro e seus pontos cegos

No Brasil, muitos atletas — especialmente os de base ou de divisões inferiores — assinam contratos sem compreender plenamente o que está escrito. A cláusula indenizatória, prevista na Lei Pelé, deve ser definida no ato da assinatura e pode variar de um mínimo de 2.000 vezes o salário a valores livremente negociados para contratos acima de certo patamar salarial.

O problema surge quando o atleta quer mudar de clube e descobre que a cláusula foi fixada em um valor impossível de ser pago pela equipe interessada. Ou o inverso: quando o clube quer rescindir e utiliza a cláusula para impedir a saída do jogador em condições vantajosas para ele.

Há também a questão dos direitos de imagem, que no Brasil frequentemente são negociados separadamente do contrato de trabalho, criando uma estrutura fiscal complexa que exige cuidado jurídico específico. Atletas que não contratam assessoria adequada podem enfrentar problemas tributários ou perder parte significativa de seus rendimentos por erros contratuais evitáveis.

Para quem acompanha casos como o de Kane, a lição é clara: o momento mais valioso da carreira de um atleta — uma Copa do Mundo, um recorde histórico — é também o momento em que as decisões contratuais têm o maior peso. Um advogado especializado em direito esportivo pode fazer a diferença entre uma negociação favorável e uma oportunidade perdida.

Quando buscar um advogado esportivo?

A resposta simples é: antes de assinar qualquer coisa. Mas na prática, há situações que tornam a consulta urgente:

  • Renovação de contrato com mudança de clube: avaliar cláusulas de rescisão, janelas de saída e direitos de imagem
  • Transferências internacionais: entender a legislação do país de destino e os regulamentos da FIFA
  • Fim de carreira ou aposentadoria: gestão de direitos residuais, royalties de imagem e obrigações fiscais
  • Disputas com clubes: rescisão motivada, salários atrasados ou uso indevido da imagem

O artigo publicado aqui no Expert Zoom sobre contratos de jogadores que expiram na La Liga mostra como até mesmo os atletas europeus de alto nível enfrentam vulnerabilidades contratuais que poderiam ser evitadas com assessoria especializada desde o início da negociação.

A Copa como virada de mercado

Toda Copa do Mundo é também uma vitrine de contratos. Atletas que se destacam — como Kane, que chegou a 11 gols em Copas — inevitavelmente despertam interesse de clubes, marcas e patrocinadores. O que muitos não percebem é que esse interesse precisa ser gerido com cuidado jurídico desde o primeiro contato.

A história de Kane em 2026 não é só sobre gols. É sobre um atleta que, aos 32 anos, tomou decisões estratégicas — optou por não acionar uma cláusula milionária, permaneceu em um clube que valoriza seu trabalho e agora negocia um contrato que pode levar sua carreira até os 36 anos. Esse tipo de planejamento não acontece por acaso: é fruto de assessoria jurídica e financeira de qualidade.

Se você é atleta, representa um atleta ou trabalha em um clube esportivo no Brasil, consultar um advogado especializado em direito esportivo antes de assinar ou rescindir qualquer contrato pode ser a decisão mais valiosa que você tomará fora de campo.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui orientação jurídica individualizada. Consulte um profissional qualificado para análise do seu caso específico.

Vantagens

Respostas rápidas e precisas para todas as suas perguntas e solicitações de assistência em mais de 200 categorias.

Milhares de usuários obtiveram uma satisfação de 4,9 de 5 para os conselhos e recomendações fornecidas por nossos assistentes.