Com a Lei 15.270/2025 em vigor desde janeiro de 2026, a reforma do Imposto de Renda promovida pelo ministro Fernando Haddad beneficia mais de 26 milhões de declarantes. Mas as mudanças vão muito além de quem ganha até R$ 5 mil por mês — e ignorá-las pode custar caro para investidores e sócios de empresas.
O que mudou: isenção total e parcial do IR
A partir de janeiro de 2026, quem recebe até R$ 5.000 mensais está totalmente isento do IRPF. A isenção funciona por meio de um desconto de até R$ 312,89 por mês, zerando o imposto para essa faixa. O benefício já aparece nos contracheques desde o início do ano.
Para quem ganha entre R$ 5.000 e R$ 7.350 mensais, existe uma isenção parcial e progressiva. Quanto mais próximo de R$ 5.000, maior o desconto. Acima de R$ 7.350, continuam valendo as alíquotas progressivas de 7,5% a 27,5%.
Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 65% de todos os declarantes serão completamente isentos — algo entre 10 e 16 milhões de trabalhadores que pararam de pagar IRPF na folha. Haddad justificou a medida como correção de uma distorção histórica: os governos anteriores congelaram as faixas por sete anos, jogando 20 milhões de brasileiros ao imposto sem ganho real de renda.
A "conta" da reforma: imposto mínimo para altas rendas
A reforma se propõe a ser fiscalmente neutra. O custo estimado de R$ 31,2 bilhões em 2026 é compensado por um novo Imposto de Renda de Pessoa Física Mínimo (IRPFM), que garante alíquota efetiva mínima para contribuintes com rendimentos muito elevados.
Quem recebe acima de R$ 1,2 milhão por ano (R$ 100.000 mensais) tem alíquota efetiva mínima de 10%, calculada sobre salários, lucros, dividendos e rendimentos de investimentos. Na faixa entre R$ 600.000 e R$ 1,2 milhão anuais, a alíquota sobe progressivamente de zero a 10%.
Além disso, a distribuição de dividendos acima de R$ 50.000 mensais de uma única empresa passou a ter 10% de retenção na fonte. Isso afeta diretamente sócios e acionistas que antes distribuíam grandes volumes de lucros sem tributação. A medida alcança aproximadamente 141.000 contribuintes — um grupo restrito, mas com peso considerável na arrecadação total.
O que ficou de fora: exceções que abrem oportunidades
Nem todas as rendas entram no cálculo do IRPFM. Ficaram excluídos: ganhos de capital, heranças, doações, rendimentos da poupança e fundos específicos de interesse social.
Uma exceção relevante para investidores são os Fundos de Investimento em Participações de Infraestrutura (FIP-IE). Os rendimentos desses veículos de private equity voltados a projetos de infraestrutura continuam fora do imposto mínimo — vantagem estrutural para investidores qualificados que diversificam em ativos reais.
Outro ponto de atenção: a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) não entrou na isenção. Quem recebe PLR ainda paga imposto sobre essa parcela, conforme as regras específicas do benefício.
O que muda na sua declaração de IR em 2026
Existe uma confusão comum: a isenção já vale nos contracheques desde janeiro de 2026, mas a declaração entregue em 2026 (com prazo até maio) ainda se refere ao ano-base 2025 — e usa as regras antigas.
A isenção de R$ 5 mil aparecerá pela primeira vez na declaração de 2027, relativa ao ano-base 2026. Quem se planejar ainda em 2026 — ajustando distribuições de lucros, cronograma de dividendos e estruturas patrimoniais — pode maximizar os benefícios antes que a janela de oportunidade feche.
De acordo com a Receita Federal, rendimentos sujeitos ao ajuste anual devem ser declarados integralmente, mesmo quando a retenção mensal zerou. Acompanhe as atualizações do programa IRPF 2027 para confirmar como as novas regras serão registradas.
Quando vale consultar um especialista em gestão de patrimônio
As mudanças trazidas pela reforma abrem janelas de planejamento, mas também criam armadilhas para quem não conhece os detalhes. Há pelo menos três situações em que um consultor de gestão de patrimônio pode fazer diferença concreta:
Você distribui dividendos acima de R$ 50 mil mensais. A nova retenção de 10% muda o cálculo de quando e como distribuir rendimentos. Reestruturar o cronograma de distribuição ou avaliar alternativas como fundos fechados pode gerar economia relevante ao longo do ano.
Você investe por meio de holding ou pessoa jurídica. Com o IRPFM alcançando dividendos, estruturas que antes geravam vantagem fiscal precisam ser revisadas. Um especialista avalia se a configuração atual ainda é eficiente sob as novas regras — antes que o custo apareça na declaração.
Sua renda está na faixa de R$ 5.000 a R$ 7.350 mensais. A isenção parcial tem cálculo que pode ser otimizado com deduções corretas — dependentes, plano de saúde, previdência privada. Um planejamento simples garante o desconto máximo dentro dessa faixa.
O ganho médio para quem está na faixa de isenção total equivale a um salário extra por ano. Planejar como aplicar esse recurso — previdência privada PGBL, amortização de financiamento ou carteira de investimentos — também é trabalho de um profissional de finanças pessoais.
Para aprofundar o entendimento sobre planejamento patrimonial no Brasil em 2026, acesse o guia prático de patrimônio preparado pelos especialistas do Expert Zoom. Se você tem exposição a ativos internacionais, confira também o que muda com as novas regras fiscais de Mônaco para brasileiros.
Próximos passos
A reforma de Haddad é a atualização mais significativa do IRPF em mais de uma década. Para a maioria dos brasileiros, o efeito é direto: mais dinheiro no contracheque desde janeiro de 2026. Para quem tem renda mais alta, distribui dividendos ou opera por meio de estruturas patrimoniais, as novas regras exigem revisão ativa — e quanto antes, melhor.
Se você quer garantir que está aproveitando ao máximo a isenção parcial, ou precisa avaliar o impacto do IRPFM sobre seus rendimentos, um especialista em gestão de patrimônio é o próximo passo mais eficiente.
Aviso legal: Este artigo tem caráter informativo e não constitui assessoria tributária ou financeira. Consulte um profissional habilitado antes de tomar decisões com base nas informações aqui apresentadas.

Jose Santos